O Marvel Multiverse RPG é um jogo de interpretação de papéis (RPG) de mesa que permite aos jogadores criar e viver aventuras como heróis do universo Marvel, explorando um multiverso repleto de realidades paralelas. Desenvolvido pela Marvel em parceria com a Ravensburger, o sistema utiliza um conjunto simples de dados de seis lados (d6) e foca em narrativa colaborativa, onde os jogadores moldam a história junto com o Narrador. A proposta central é oferecer uma experiência acessível, inspirada nos quadrinhos da Marvel e no MCU, com regras flexíveis que equilibram combate, exploração e desenvolvimento de personagens.
Os jogadores criam heróis de Rank 1 a 5, definindo atributos (Might, Agility, Resilience, Vigilance, Ego e Logic, cujas iniciais formam a palavra MARVEL), poderes (como voo ou força sobre-humana), traços (habilidades ou falhas pessoais) e equipamentos, tudo ajustado ao nível do personagem. O sistema usa um “padrão de sucesso” baseado no Rank de cada personagem, com modificadores baseados em atributos e traços, incentivando escolhas táticas e roleplay. A mecânica de “Edge” e “Trouble” permite acumular vantagens em combate ou desafios, refletindo o estilo cinematográfico dos heróis Marvel. A ambientação abrange o multiverso, com cenários que vão desde a Terra-616 (o universo principal dos quadrinhos) até realidades alternativas como a Terra-199999 (MCU) ou outras criadas pelos jogadores. A proposta é que os heróis enfrentem ameaças como vilões clássicos (Doutor Octopus, Thanos) ou eventos multiversais (incursões, rupturas temporais), enquanto desenvolvem arcos pessoais e interagem com o vasto elenco de personagens Marvel. Ideal para fãs que querem recriar suas próprias sagas ou explorar “o que aconteceria se” em um universo em constante expansão.

Eu e meu grupo de jogadores já fizemos nossa versão da Guerra Civil, usando heróis diferentes a cada sessão para experimentar e sentir o clima do RPG, testando o sistema com personagens variados, e o resultado foi muito bom. Tanto que agora estamos dispostos a fazer algo mais original e com personagens criados a partir do zero. Como evento focal escolhemos o “Blip”, um evento catastrófico ocorrido em Vingadores: Guerra Infinita (2018), quando Thanos, usando as Joias do Infinito, estalou os dedos com a Manopla do Infinito e eliminou metade de toda a vida no universo de forma aleatória. Esse ato, motivado por sua visão distorcida de equilibrar os recursos do cosmos, resultou na desintegração instantânea de bilhões de seres, incluindo personagens como Homem-Aranha, Pantera Negra, Doutor Estranho, entre outros.
Nova York Pós-Blip
O cenário que usaremos e a Terra 216, uma realidade bem parecida com a do MCU, mas com algumas diferenças importantes. Nesta realidade Thanos não apagou somente metade da população do universo de maneira aleatória, mas também desejou que todos os super-heróis da Terra com poder suficiente para desafiá-lo, e que poderiam querer uma vingança ou reverter o que ele fez, sumissem também. Com isso todos os heróis com Rank 4 ou mais foram desintegrados. Com essa premissa chegamos a situação da Terra 216 pós-Blip.
Um Ano Depois
Um ano após o “Blip”, Nova York está em recuperação. Metade da população mundial foi apagada da existência, mas Nova York sentiu mais, porque os heróis que antes protegiam a cidade desapareceram. Infelizmente o mesmo não aconteceu com os vilões, que além de não desaparecerem agem impunes pela cidade, sem ninguém em condições de impedi-los. A Torre dos Vingadores, o Edificio Baxter, entre outos locais icônicos, são monumentos abandonados que servem apenas para lembrar um passado não muito distante quando seres com poderes incríveis habitavam essas construções e protegiam o mundo.
Wilson Fisk, também conhecido como Rei do Crime, agora é prefeito da cidade. Ele usou o medo e a desinformação da população com os ultimos acontecimentos para dizer que foram os super-heróis os culpados pelo o que aconteceu, afinal as notícias sobre a batalha contra Thanos e as Jóias do Infinito não chegou completa para grande parte da população. Após assumir a prefeitura de Nova York, Wilson Fisk sanciona um decreto baseado na chamada Lei de Registro, proibindo a atuação de qualquer vigilante não registrado dentro da cidade. Para se legalizarem, heróis são obrigados a revelar suas identidades secretas — uma exigência que transforma proteção em vulnerabilidade.
O impacto é imediato. Os poucos vigilantes que ainda restavam após o Blip optam por encerrar suas carreiras, temendo pelas vidas de seus familiares e aliados caso suas identidades caiam nas mãos do prefeito. Nova York, antes protegida por figuras mascaradas, torna-se silenciosamente desguarnecida.
Enquanto isso, nos bastidores, Fisk consolida seu verdadeiro império. Ele firma alianças secretas com criminosos perigosos como Abutre e Mercenário, ao mesmo tempo em que move uma guerra estratégica para tomar o controle das ruas dominadas por Tombstone e Hammerhead. Seu objetivo é claro: unificar todo o crime sob seu comando, agora protegido pelo poder institucional.
Para sustentar essa nova ordem, uma força de robôs de combate — equipados com armaduras inspiradas na tecnologia do Homem de Ferro — passa a patrulhar a cidade. Oficialmente, essas unidades foram disponibilizadas pelo governo dos Estados Unidos, agora sob a liderança do General Thaddeus Ross (Hulk Vermelho), após o desaparecimento do presidente e de grande parte do Congresso durante o Blip.
Na prática, porém, esses robôs não estão ali para proteger a população.
Sob ordens diretas do prefeito, eles atuam como uma força de repressão, caçando vigilantes que se recusam a se registrar, enquanto deliberadamente ignoram as atividades dos grandes nomes do crime organizado. A lei não é mais um instrumento de justiça — é uma arma de controle.
Com os heróis fora de cena e o crime reorganizado sob um novo equilíbrio, a violência cresce nas ruas. Ainda assim, a população pouco vê disso nos noticiários. A imprensa local, fortemente influenciada por Fisk, distorce informações, minimiza incidentes e sustenta a ilusão de uma cidade sob controle.
Mas nas ruas, a verdade é outra.
O medo se espalha. A criminalidade se fortalece. E, talvez o mais perigoso de tudo, a esperança começa a desaparecer do coração dos nova-iorquinos.
OBJETIVO E PARÂMETROS DA CAMPANHA
Essa campanha de super-heróis Marvel tem como objetivo apresentar o sistema do Marvel Multiverse RPG para jogadores que curtam RPG de supers, e em especial os quadrinhos ou os filmes da Marvel. Os jogadores irão assumir o papel deheróis de Rank 1 a 3, já que os super-heróis de Rank 4 ou maior desapareceram. Eles devem decidir como enfrentar essa nova realidade enquanto lidam com seus problemas do dia a dia.
Os Vilões
No início da campanha os vilões serão figuras conhecidas de Nova York, agora reimaginados dentro desta nova realidade. O principal vilão será sem dúvidas Wilson Fisk. A ideia de torná-lo prefeito de Nova York não é original, já tendo sido usada nos quadrinhos e na serie de TV do Demolidor.
Nos quadrinhos, no arco “Mayor Fisk”, que se estende principalmente dos números Daredevil #595 a #600, publicado em 2018, Fisk se aproveita da crise pós-evento Império Secreto (onde Manhattan fica isolada por uma dimensão sombria) para se lançar como candidato de última hora à prefeitura, apresentando-se como um líder forte e antivigilante. Apesar de manipular os resultados eleitorais, acredita-se que venceria mesmo sem fraude. Durante seu mandato, Fisk aprova o controverso Ato dos Poderes (“Powers Act”), que criminaliza atividades de super-heróis em Nova York. Recruta os vilões Thunderbolts para combater os vigilantes e busca reeleição — inclusive manipulando mentalmente o Homem-Púrpura para garantir sua vitória. Seu governo termina quando os heróis expõem seus crimes.
Na série de TV Demolidor – Born Again, Fisk inicia sua campanha com um discurso político muito focado em ordem, ação forte e controle. Seu estilo autoritário apela diretamente a uma parcela da população cansada do caos — fãs até usam bonés com frases de efeito, tipo “Prefeito Fisk — isso é o mais legal do mundo!”. Ele se apresenta como alguém que “faz acontecer”, destacando seu histórico violento como um ponto positivo, inclusive o massacre causado por Mercenário e seu histórico criminoso são quase celebrados por seus eleitores.
Nesta campanha de Marvel Multiverse RPG a lógica segue um caminho semelhante. Após escapar da prisão durante o caos do estalo de Thanos, Fisk reintegrou-se à sociedade, aproveitando a desordem pós-Blip para reconstruir sua imagem. Ele lança uma campanha anti-vigilante, apresentando-se como um homem reformado que ama Nova York e deseja protegê-la, o que ressoou em parte da população frustrada com o crime. Apesar de seu histórico público de crimes, como assassinatos e corrupção, a lei de Nova York permite que ex-presidiários concorram a cargos eletivos, desde que não tenham sido condenados enquanto ocupavam um cargo público, abrindo espaço para sua eleição.
Após assumir a prefeitura de Nova York, Wilson Fisk rapidamente implementa medidas autoritárias para consolidar seu poder. Entre elas está a criação de uma Lei de Registro, que obriga todos os heróis que ainda atuam na cidade a se registrarem oficialmente, revelando suas identidades secretas às autoridades.
A medida gera enorme tensão: muitos vigilantes entendem que, ao se exporem, colocariam em risco não apenas suas próprias vidas, mas também as de suas famílias e aliados. Para reforçar sua posição, Fisk transforma casos emblemáticos em exemplos públicos. Luke Cage e Jessica Jones, figuras icônicas da resistência contra o crime, são presos de forma espetacular, transmitindo a mensagem de que nenhum herói está acima da lei do prefeito. Ele conta com ajuda do Governo Federal que envia alguns robôs que usam tecnologia Stark para patrulhar as ruas e enfrentar os vigilantes que tentarem resitir as medidas.
Diante desse cenário, o medo se espalha rapidamente entre a comunidade heroica. Alguns poucos tentam resistir, mas a maioria prefere se manter no anonimato, reduzir suas atividades ou até mesmo abandonar completamente a vida de vigilante, deixando a população cada vez mais vulnerável ao controle absoluto de Fisk.
O que antes era visto como um movimento para “restaurar a ordem” transforma-se em um regime de vigilância e opressão, onde o Rei do Crime finalmente realiza seu sonho: subjugar Nova York não apenas através das sombras, mas agora com o poder da lei e do Estado em suas mãos.
Os Outros
A cada sessão será apresentados outros vilões que serão a oposição dos personagens na cidade de Nova York. Também há a possibilidade de que alguns heróis que estão no anonimato apareçam para ajudar os personagens dos jogadores.




