🩸 Crônica: Vitória das Trevas
Campanha ambientada na cidade de Vitória e região metropolitana (Cariacica, Serra e Vila Velha), onde os jogadores interpretam vampiros tentando sobreviver após um ataque devastador da Segunda Inquisição.
Alguns personagens pertencem à Camarilla. Outros estão à margem — tentando negociar sua entrada em uma seita que mal consegue se sustentar.
🎬 Sessão 01 — Juntando os Cacos
Após o ataque da Segunda Inquisição, o que restou da Camarilla na cidade tenta se reorganizar em meio ao caos, paranoia e perdas irreparáveis.
Sem notícias do Príncipe ou do Ouvidor-Mor (Senescal), o comando provisório recai sobre o Capitão-Mor (Xerife), Cypriano, que assume a difícil tarefa de manter a estrutura da seita de pé — ou pelo menos funcional. As reuniões e repasses de informação acontecem no antigo clube Clube Saldanha da Gama, agora abandonado, decadente e parcialmente em ruínas. Um reflexo perfeito da própria Camarilla local.
Entre diversas crises simultâneas, Cypriano designa um grupo para investigar o desaparecimento do contador da seita. Este não é um desaparecimento comum. O contador possui registros de membros e aliados, controla recursos financeiros e guarda informações sobre subornos e influência política na cidade. Se essas informações caírem nas mãos da Segunda Inquisição, pode ser o golpe final na presença vampírica da cidade.
As pistas levam os personagens até a Polícia Civil de Vitória, onde conseguem acesso a imagens de uma câmera de segurança. O vídeo mostra o contador sendo sequestrado ao sair do Palácio do Governo por agentes organizados e rápidos em um carro descaracterizado. Uma mulher o acompanhava no momento do sequestro — e, curiosamente, não foi levada. Investigando mais a fundo, os personagens descobrem que ela é uma repórter de um jornal local.
A partir daí, o grupo se divide:
- Parte vai até o apartamento da jornalista
- Parte segue para o escritório do contador
O escritório apresenta sinais claros de invasão: Gavetas reviradas, documentos desaparecidos e indícios de ação profissional. Ainda assim, algo passou despercebido. Os personagens encontram documentos que indicam a compra de um galpão na Serra. Uma propriedade que não consta nos registros conhecidos da Camarilla e foi adquirida com autorização direta do Príncipe. O grupo decide levar essa informação até Cypriano.
Enquanto isso, no apartamento da repórter, a situação se revela ainda mais complicada. Ela não é apenas uma testemunha. Ela participou do sequestro. Ao perceber a verdadeira natureza dos personagens, entra em desespero — mas, em vez de fugir, pede ajuda por telefone. Ela afirma que não sabia exatamente com quem estava lidando… até ser tarde demais.
Antes que qualquer decisão seja tomada…, A Segunda Inquisição chega.
O ataque é rápido, preciso e assustadoramente eficiente. Luzes fortes, equipamento tático, coordenação impecável. Um confronto acontece na frente do prédio, forçando os personagens a fugir às pressas.
De volta ao clube, os personagens relatam tudo a Cypriano. Ao analisar os documentos do galpão, ele confirma algo inquietante: A compra foi autorizada pelo Príncipe Ramiro, o local nunca foi compartilhado com a Camarilla, nem mesmo Cypriano tinha conhecimento disso
Isso levanta perguntas perigosas: O que Ramiro escondia? Por que manter segredo da própria seita? O contador sabia demais… ou era parte disso?
Cypriano toma uma decisão imediata: Um novo grupo deve ir até o galpão na Serra, para investigar o local, descobrir sua verdadeira função, confirmar se o contador está lá. E, talvez…, Descobrir algo que nunca deveria ter sido encontrado.
🎬 Sessão 02 — O Resgate do Contador
A descoberta do galpão deixa Cypriano inquieto. O fato de o Príncipe Ramiro ter autorizado a compra de um local secreto — sem o conhecimento do restante da Camarilla — não é apenas estranho. É perigoso. Sem confiar totalmente nos próprios membros da seita, Cypriano toma uma decisão pragmática: envia um grupo de vampiros “recém-chegados”, indivíduos que buscam proteção e aceitação dentro da Camarilla, para investigar o local. Se algo der errado… a perda é aceitável.
O destino é Serra — território Anarch. Região é dominada por quatro Barões: Clemente (10ª geração, Ministério), João da Penha (11ª geração, Nosferatu Vermelho), Macambira (12ª geração, Gangrel) e Celestino (12ª geração, Toreador Abstrato). Cada um controla uma área: Carapina, Laranjeiras, Serra Sede e Jacaraípe. Os quatro mantêm um equilíbrio instável, sustentado por respeito, medo e interesse mútuo.
Os personagens seguem em um furgão dirigido por um carniçal a serviço de Cypriano. Ao passarem pela região do antigo aeroporto de Vitória, são surpreendidos por uma barreira policial. Escondidos na parte traseira, os vampiros escutam o carniçal sussurrar ao policial: “Corpos frios.” O maldito é um informante infiltrado. O código é entendido. Imediatamente, os policiais se posicionam para ataque. Sem hesitar, um dos vampiros assume o volante e avança contra a barreira. Tiros são disparados. O carniçal é atingido. O furgão colide com as viaturas e rompe o bloqueio, iniciando uma fuga desesperada.
Perseguidos por novas viaturas, os personagens entram na Rodovia do Contorno. Na tentativa de despistar os agentes, desviam… sem perceber para onde estão indo, e acabam nas ruínas da Igreja de Queimados.
O local é território neutro — e ponto de encontro dos Barões Anarchs. Naquela noite, os quatro estão presentes, para desespero dos membros. A chegada abrupta do veículo gera tensão imediata. Cercados pelos Anarchs, os personagens precisam improvisar. Eles alegam estarem fugindo da Segunda Inquisição e buscam apenas entrar na cidade para se alimentar, já que em Vitória estão sendo caçados.
Clemente, desconfiado, impõe condições: ele quer uma oferta de sangue e a saída da cidade até a meia-noite. A oferta escolhida e o carniçal ferido. Sem opções, os personagens aceitam. Eles saem do local e dominam um humano que passava de carro pela rodovia do contorno e ordenam que ele os levem até o galpão.
Seguindo para a região industrial de Civit II, os personagens encontram o galpão. O local apresenta sinais claros de ocultação: Cercas reforçadas, marcas de proteção contra vampiros e resíduos de rituais. Um membro Tremere realiza um ritual para quebrar as defesas. Após tentativas tensas, conseguem entrar. Do lado de fora, agentes da Segunda Inquisição chegam — mas são pegos desprevenidos e derrotados rapidamente.
Dentro do galpão, o cenário é perturbador. Dezenas de caixas de ferro, marcadas com símbolos da Segunda Inquisição, ao lado de caixas de madeira vazias com símbolo do clã Toreador. Dentro das caixas metálicas são encontrados objetos pessoais, roupas e sapatos antigos, parecendo de séculos atrás, armas antigas, e um relicário, entre outros itens aparentemente desconectados. Cada caixa de ferro contem apénas um item. Tudo separado, catalogado. Como se cada objeto tivesse sido retirado de um contexto maior… e isolado.
Na sala seguinte eles encontram o contador, amarrado a uma cadeira, ferido e com sinais que foi torturado. Ao lado, um notebook conectado a um computador, transferindo dados. Os personagens libertam o contador e interrompem a cópia. Mas não há tempo para comemorar. Mais agentes da Segunda Inquisição chegam.
Enquanto isso…, De volta às ruínas da Igreja de Queimados, o carniçal abandonado implora por sua vida, e entrega tudo. O objetivo da missão, que eles estavam atrás do galpão e do contador da Camarilla.
Com a informação, os Barões decidem agir, e usam o próprio carniçal como guia para chegarem ao local. Quando chegam ao galpão, encontram o conflito em andamento. Sem hesitar, os Anarchs entram na luta contra a Segunda Inquisição. Com maior número e brutalidade, viram o jogo, e os agentes são eliminados.
Os membros da Camarilla ao perceberem a chegada dos Anarchs com o carniçal ainda vivo, ao lado deles, tentam fugir levando o contador, mas Macambira percebe e vai atrás. Ele se transforma em um lobo monstruoso e inicia a perseguição. Os personagens escapam por pouco, usando o veículo roubado. Macambira, frustrado, descarrega sua fúria no mortal deixado para trás e o mata.
No galpão, Clemente observa os objetos. Ele não entende completamente o que são, mas reconhece valor. Ele ordena que os vampiros levem tudo que for possível para as ruínas da Igreja de Queimados. Entre os itens há um diário de couro, fechado por um trinco.
Os personagens entregam tudo o que encontraram para Cypriano. A situação agora é muito mais grave do que parecia. A Segunda Inquisição está coletando itens dos vampiros. O Príncipe escondia um segredo de todos. Esse segredo para ter alguma relação com o clã Toreador. Os Anarchs agora possuem parte desse segredo, e devido a transferência de parte das informações que o contador possuia a Camarilla está mais vulnerável do que nunca.
Cypriano prefere manter essa informação em segredo até ter certeza sobre a verdade desses itens e por isso usa seus poderes da Disciplina Dominação para apagar a memória dos vampiros e fazê-los esquecer sobre os itens encontrados.
🎬 Sessão 03 — Das Trevas Nascemos
Uma coterie de vampiros percorre as noites da Grande Vitória tentando sobreviver ao caos instaurado após o ataque da Segunda Inquisição. Com exceção de Aguiar um Gangrel nativo, todos são estrangeiros tentando encontrar seu espaço em território hostil. A coterie é formada por:
- Francesca (Toreador)
- Capella (Malkaviano)
- Valesska (Ventrue)
- Martina (Hecata)
- Aguiar (Gangrel)
- Natan (Caitiff)
Sem saber se é seguro caçar nas ruas de Vitória, devido a SI, e com Aguiar e Natan já à beira do descontrole pela fome, Francesca toma a dianteira. Ela sugere um local mais seguro: A boate de Adelaide, uma Toreador conhecida por ser dona de várias boates e clubes noturnos em Vitória, usados como campo de caça para os membros. Uma de suas boates fica na Avenida Adalberto Simão Nader, próxima ao novo aeroporto de Vitória.
Ao chegarem ao local descobrem que o estabelecimento está fechado desde o ataque da SI. Adelaide teme o mesmo destino de sua antiga boate, a Triângulo (na Praia do Canto), se repita, quando a SI começou os ataques. Ainda assim, a coterie é recebida por Touro Moreno, segurança da casa, que os conduz até Adelaide após uma revista rigorosa.
No interior, a realidade é outra. Adelaide mantém uma pequena festa privada. Vampiros se alimentando, mortais sob efeito de drogas e prazer e decadência misturados. Ali, os personagens podem finalmente se alimentar — sem resistência.
Francesca questiona Adelaide sobre a situação da cidade e a segurança para caçar. Ela explica que eles estão temerosos de caçar nas ruas por conta da SI e pergunta se ela permite que eles possam se alimentar ali. Adelaide responde com uma proposta: Ela fornecerá sangue…, mas em troca, Francesca deve entregar uma carta ao Capitão-Mor, Cypriano.
Sem ter com o que barganhar, Francesca concorda. Antes da partida, Adelaide ordena que Gina Malagueta, outra guarda-costas sua, leve o grupo até o chamado “Quarto Vermelho”. O que encontram ali é perturbador: Humanos acorrentados a parede, alguns conscientes, implorando ajuda, outros fracos demais para reagir. Aguiar e Natan, dominados pela fome, se alimentam ali mesmo. Sem hesitação. Mas Aguiar fica com aquela imagem na sua cabeça.
Com a carta em mãos, a coterie segue até o Clube Saldanha da Gama, um dos atuais refúgios da Camarilla. São recebidos por um Nosferatu que trabalha como Alferes do Capitão-Mor e são levados até Cypriano.
Francesca entrega a carta. Ele não a abre. Ao ver o selo que ele traz, apenas diz: “Essa carta não é para mim. O verdadeiro destinatário é a Primogênie”. Francesca se sente traída por Adelaide. Cypriano envia seus alferes para alertar os membros da Primogênie da necessidade de uma reunião urgente.
A reunião ocorre algumas horas depois no Teatro Carlos Gomes, transformado em Elísio temporário. Presentes estão: Maia (Malkaviana), Emiliano (Ventrue), Alexander (Tremere). Ausentes: Orázio (Nosferatu) e Amélia (Toreador). Francesca é chamada a ler a carta.
Com a voz trêmula e preocupada de estar pela primeira vez a frente daqueles que são os mais poderosos na cidade, Francesca começa ler a mensagem que é direta: Amélia, cria do falecido Príncipe Ramiro, exige ser reconhecida como nova governante. Caso contrário ela irá separar Vila Velha e se declarar Príncipe da cidade.
Emiliano reage com indignação, Maia pede cautela. Ela diz que não é momento de mais conflitos e disputas. Ela podera que “… nas trevas morremos, nas trevas nascemos”, e que os membros precisam se unir. O conselho decide responder diplomaticamente, mas há mais em jogo. Em particular, Maia reconhece Capella como membro de seu clã. Ela lhe dá uma ordem secreta: Influenciar Amélia a seguir com a separação. Capella aceita e Maia diz que ele tem um favor dela.
A carta é redigida e entregue a Francesca que fica incumbida de entregar a resposta, a contra-gosto. A coterie segue até Vila Velha, ao antigo bar Correria, reduto de Amélia. Recebidos por Domingos, seu guarda-costas, são conduzidos até ela. Lá dentro estão outros vampiros, todos desconhecidos da coterie. Amélia está no local onde tem um palco e que era usado para os shows de rock que aconteciam ali. Ela se sente a própria Príncipe da cidade. Está sentada em uma cadeira que lembra um trono da realeza.
Francesca lê a resposta da Primogênie: Amélia deve comparecer à reunião da Camarilla e participar da escolha do novo Príncipe — aceitando o resultado, seja qual for.
Antes que Amélia responda, uma presença se impõe: Uma vampira alta, de postura dominante. Ela se apresenta como Ozana e diz representar o clã Lasombra — recém-chegado à região. Ela oferece apoio a Amélia na decisão que ela tomar.
Capella intervém e sugere que Emiliano já está se posicionando como futuro Príncipe. A tensão explode. A coterie fica perplexa com a fala de Capella. Amélia decide então se declarar Príncipe de Vila Velha, romper com Vitória e tratar qualquer invasor como inimigo. Ela diz que dará cinco minutos para a coterie fugir levando sua resposta para a Primogênie antes de mandar seus lacaios atrás deles e que deixará apenas um vivo para contar o que viram nesta noite.
O grupo rouba uma van escolar estacionada em uma rua próxima e segue em direção a Vitória. Próximo à Terceira Ponte, uma blitz policial cria tensão e atrsa a saída do grupo da cidade. Natan usa Dominação para atravessar, mas não conseguem escapar. A Lasombra os alcança.
Ozana começa a usar seus poderes do Oblívio para dificultar a fuga da Coterie. Aguiar assume forma lupina e sobe no teto da van para lutar contra Ozana, mas ela é mais forte e o joga para fora do carro. Valesska e Natan também sobem no teto do veículo. A Lasombra usa Oblívio, mergulhando tudo em escuridão, mas em um esforço conjunto, Valesska e Natan usam Dominação, forçando Ozana a pular do carro e correr em direção contrária.
De volta à Camarilla, as notícias são claras: A cidade está dividida. Emiliano declara: “Estamos em guerra”. Maia e Alexander ainda tentam evitar o conflito. Mas as disputas internas aumentam. Emiliano se coloca como líder natural, mas Maia propõe sua cria, Gualtiero como provável novo Príncipe. O conflito escala — até a intervenção de Cypriano: “Este é um Elísio”.
A tensão é contida… por enquanto.
Antes de encerrar, Maia e Gualtiero abordam Martina, por nunca a terem visto antes na cidade. Ela se apresenta e diz ser uma Hecata. Maia então faz um pedido: Ela deve ir até Santa Teresa, onde fica a Corte Hecata, e aprender a falar com os mortos. O objetivo: Invocar o espírito de Ramiro e deixar que ele diga quem deve ser o próximo Príncipe. Mas Gualtiero diz a Martina que deseja falar com ela logo que retornar de Santa Tereza.
🎬 Sessão 04 — A Corte dos Necromantes.
A sessão começa com Francesca tendo que lidar com Adelaide, que decidiu passar o dia no refúgio da “criança da noite”. Segundo ela, isso era necessário para garantir que Francesca não cometesse novos erros.
Incomodada, Francesca questiona o que teria feito de tão errado assim. Adelaide então lhe dá uma verdadeira aula sobre etiqueta e política vampírica, explicando como ela deveria ter se comportado diante do Conselho da cidade. Diz que sua missão era apenas entregar a carta para Cypriano — não lê-la diante de todos os Ancillae reunidos, muito menos atravessar a cidade para informar pessoalmente Amélia sobre a decisão do Conselho.
Adelaide deixa claro que, nas noites atuais, “os mais velhos” já não possuem o mesmo poder absoluto de antes, e que jovens vampiros precisam aprender a se movimentar politicamente sem chamar atenção desnecessária.
Apesar da bronca, Francesca parece não se importar tanto. Na verdade, ficou fascinada por ter visto tantos Ancillae importantes reunidos no mesmo lugar, e até se imaginou sendo um deles. Ela finge aceitar os conselhos de Adelaide e promete agir com mais cautela dali em diante, mas, em silêncio, algo começa a crescer dentro dela: o desejo de ocupar uma posição de destaque na cidade, para nunca mais ser tratada como alguém insignificante.
Depois de todos os membros da coterie se reunirem em uma das praças de Jardim da Penha, o grupo decide, após uma breve discussão, seguir para Santa Tereza, conforme Maia havia ordenado. Em nenhum momento Francesca comenta sobre a conversa que teve com Adelaide, principalmente porque teme que isso possa influenciar os demais a desistirem da viagem.
Conforme sobem de carro em direção a Santa Tereza, o clima começa a mudar. A temperatura cai gradualmente, as casas à beira da estrada tornam-se mais escuras e espaçadas, e o silêncio da região parece pesado demais. Já próximo da cidade, eles percebem várias pessoas caminhando pelo acostamento em direção ao centro urbano, todas em absoluto silêncio.
Um casal atravessa repentinamente a pista, e Capella não consegue frear a tempo. O carro atinge o homem em cheio. Mas, ao invés do impacto esperado, o corpo simplesmente atravessa o veículo e se desfaz no ar como fumaça. Martina observa a cena em silêncio antes de revelar:
— Não são vivos… são fantasmas.
Ela então explica que que espíritos seguem naquela direção rumo à necrópole de Santa Tereza, lar da Corte Hecata. Ao chegarem à cidade, percebem que um cortejo fúnebre atravessa as ruas mesmo já sendo noite alta. Pessoas vestidas de preto acompanham lentamente um carro funerário que transporta um caixão.
Sem saber como localizar os Hecata, Martina entra em uma câmara funerária onde um velório ainda acontece. Após conversar com a viúva do falecido, ela percebe um funcionário extremamente pálido observando tudo à distância. Ao revelar ser da “La Famiglia Giovanni”, o homem providencia uma limusine que leva o grupo até uma enorme mansão no alto de uma colina.
No jardim da propriedade eles são recebidos por um vampiro alto e imponente, que se apresenta como Ângelo, Questore da Corte Hecata de Santa Tereza. O equivalente ao Xerife da Camarilla. Ele pergunta o motivo da visita, e Martina responde apenas que precisa falar com algum membro da família Giovanni. O grupo então é conduzido até um amplo salão oval. O local possui três portas de cada lado e, ao fundo, uma única cadeira posicionada diante do restante da sala. O ambiente está completamente vazio.
Então as portas começam a se abrir. Um a um, vampiros surgem por cada uma dessas portas e se posicionam ao redor do salão, observando os visitantes sem dizer palavra. Por fim, um homem elegante, aparentando cerca de cinquenta anos, entra usando um paletó impecável. Ao seu lado vem uma mulher trajando roupas cerimoniais escuras. Em uma das mãos ela segura uma adaga ritualística; na outra, um antigo ankh.
O homem apresenta-se:
— Sou Ambrósio Giovanni, Patriarca da Corte Hecata de Santa Tereza.
Em seguida pede que os visitantes se apresentem. Martina fala primeiro, seguida pelos demais membros da coterie. A tensão cresce rapidamente quando Francesca se apresenta como uma Toreador. Os vampiros no salão imediatamente começam a murmurar indignados. Alguns demonstram raiva aberta. Ângelo tenta conter os ânimos, seguido pelo próprio Ambrósio, que exige silêncio.
O mais revoltado é Thadeusz, líder dos Precursores de Ashur. Ele demonstra profunda indignação ao ver uma Toreador dentro da Corte Hecata, especialmente após os acontecimentos da chamada “Guerra do Trono Vazio”, quando o príncipe Lorenzo morreu e o Toreador Ramiro liderou uma guerra política que terminou com a expulsão dos necromantes de Vitória, forçando-os a buscar abrigo em Santa Tereza.
Ambrósio então reforça que todos ali estão sob sua proteção e deseja saber o verdadeiro motivo da visita. Martina decide contar a verdade. Ela explica que precisa aprender com sua família as cerimônias capazes de falar com os mortos, pois a destruição de Ramiro pela Segunda Inquisição deixou a Camarilla dividida. Enquanto Amélia reivindica o trono, Maia acredita que apenas o espírito de Ramiro pode indicar quem realmente deve assumir o Principado.
A reação da sala piora imediatamente. Ambrósio encara Martina por alguns segundos antes de perguntar:
— A Camarilla nos expulsou de Vitória… e agora deseja nossa ajuda para decidir quem sentará no trono?
Antes que Martina consiga responder, Rosana — a mulher ao lado do Patriarca — ergue lentamente a cabeça. — Há alguém aqui — diz ela. Imediatamente a temperatura do salão despenca. O ar torna-se pesado e gelado. Ao lado de Rosana, uma silhueta translúcida começa a se formar lentamente, como se algo estivesse parado ali observando todos em silêncio. Rosana fecha os olhos por alguns instantes antes de declarar: — Os mortos dizem que devemos ajudá-los.
O salão inteiro permanece em silêncio. Ambrósio então suspira profundamente e finalmente diz: — Está decidido. Martina terá três noites para aprender a cerimônia. Depois disso… vocês deixarão Santa Tereza.
Os vampiros começam a deixar o salão pelas mesmas portas por onde haviam entrado. Enquanto os membros da Corte desaparecem silenciosamente pelos corredores da mansão, um deles lança um olhar demorado para Francesca. Há algo provocativo em seu sorriso — quase um desafio. Depois de toda a humilhação daquela noite, Francesca sente a provocação arder dentro dela.
Sem avisar os demais, decide seguir o vampiro. Capella percebe imediatamente e vai atrás dela. Mas dessa vez não é exatamente Capella quem está no controle. Emma, uma de suas personalidades, assumiu a frente, observando tudo com atenção silenciosa. A porta pela qual o vampiro saiu leva diretamente ao jardim da mansão. Ou melhor… ao labirinto.
Altas cercas vivas formam corredores estreitos e sinuosos sob a luz fraca da lua. O lugar parece muito maior do que deveria, quase impossível de compreender. O som do vento desaparece conforme as duas avançam entre as paredes de vegetação. Não demora muito para que ela e Emma percebam que estão perdidas.
Então o vampiro reaparece. Ao contrário do que esperavam, ele não demonstra agressividade. Aproxima-se calmamente, quase elegante, como alguém recebendo visitas em sua própria casa. O vampiro então se apresenta apenas como Morcant. Ele comenta que não gosta de Ambrósio e considera o Patriarca um líder fraco, incapaz de proteger ou fortalecer os Hecata. Morcant continua: — Eu gostaria de vê-lo destruído. E talvez você possa me ajudar com isso. Francesca estranha a proposta, mas Morcant continua antes que ela responda.
— Você é uma Toreador. Seu clã já derramou sangue Hecata antes. Existe uma história entre nós… uma dívida antiga. E eu posso oferecer algo em troca. Favores. Influência. Poder. O suficiente para colocar você entre os nomes mais importantes da sociedade vampírica de Vitória.
As palavras atingem Francesca exatamente onde doem. Morcant apenas sorri. — Não precisa responder agora. Amanhã à noite eu procurarei você novamente.
Enquanto isso, em outra parte da mansão, Martina é conduzida por Rosana até as catacumbas abaixo da propriedade. Escadas de pedra úmida levam a um imenso salão subterrâneo que mais lembra uma antiga masmorra. O local é completamente construído em pedra escura, com dezenas de celas distribuídas ao redor das paredes circulares. Sem dizer muito, ela olha para Nathaniel. — Abra uma das celas.
Nathaniel observa as portas enferrujadas. Todas parecem vazias. Ele escolhe a mais próxima. Assim que a porta é aberta, a temperatura despenca. Uma névoa fria começa a escapar lentamente da cela, rastejando pelo chão de pedra. Aos poucos, a fumaça vai tomando forma humana.
Rosana então começa a orientar Martina. Ela explica como deve impor sua vontade sobre os mortos. Martina segue as instruções. A figura finalmente se forma diante deles. É o espírito de um homem comum. Ele parece completamente perdido. Olha em volta confuso, como alguém recém-acordado de um pesadelo.
Ao perceber que está morto o fantasma implora para que Martina entregue uma última mensagem à sua família, pedindo que eles sigam em frente após sua morte. Martina aceita… apenas para descobrir que a família em questão era justamente a que velava o corpo na funerária da cidade quando chegaram. O espírito parece finalmente encontrar paz. Sua forma começa lentamente a desaparecer na névoa até sumir completamente. O silêncio domina novamente as catacumbas.
Rosana observa Martina por alguns segundos antes de dizer: — O primeiro passo foi dado. Você aprendeu a ouvi-los. Agora precisa aprender a chamar os mortos. Rosana faz uma breve pausa antes de concluir: — Mas antes disso… há uma promessa que você deve cumprir.
Sem saber onde os demais membros da coterie estavam, Martina decide voltar com Nathaniel para a câmara funerária na entrada de Santa Tereza. Quando chega ao local, é recebida calorosamente pela viúva, que parece genuinamente feliz ao vê-la retornar. O ambiente agora está muito mais vazio. Restaram apenas ela, Nathaniel, a mulher e os dois filhos do falecido — um casal de adolescentes, aparentando ter entre dezessete e dezenove anos.
Porém, antes que consiga entregar a mensagem, Thadeusz surge com outros Precursores. Ele afirma que os membros da coterie não são bem-vindos em Santa Tereza e tenta impedir Martina entregue a mensagem e dê paz ao espírito do falecido. Thadeusz ordena que seus Precursores ataquem.
Nathaniel invoca dezenas de corujas-buraqueiras, criando caos suficiente para que os filhos do falecido escapem. Mas a viúva é atacada brutalmente por Thadeusz, que rasga sua garganta diante de Martina. Tentando salvá-la, Martina acaba sucumbindo ao Frenesi ao sentir o cheiro do sangue. Quando volta a si, percebe horrorizada que drenou completamente a mulher. Enquanto Thadeusz ri ao fundo e os filhos da vítima gritam desesperados do lado de fora, Nathaniel arrasta Martina para longe dali antes que os Precursores possam atacá-los novamente.
Ao chegarem a mansão ninguém comenta o que aconteceu, mas a tensão no ar é grande. Emma pergunta porque Martina está com olhar triste, apenas para ouvir Martina dizer que ela e Francesca deveriam dizer onde estavam. Francesca parte para o confronto com Martina, cansada de ser mandada ou humilhada por outro vampiro. Aguiar intervém e impede que as duas briguem. Francesca reclama de estarem em Santa Tereza, terra dos necromânticos. Martina então fala que ela precisa entender o que é família, apoiar a família e confiar na família. Ela está entre a família dela na cidade, mas que considera o grupo também sua família.
Na noite seguinte, a coterie é convocada por Ambrósio. O Patriarca informa que a morte da mulher já começou a repercutir entre os mortais e ameaça a Máscara em Santa Tereza. Para evitar uma crise maior, ele decide enviar Ângelo ao covil dos Precursores para capturar Thadeusz e levá-lo a julgamento.
A coterie aceita ajudar. Enquanto todos deixam o salão para acompanhar Ângelo, Francesca permanece alguns segundos para trás. Sobre uma mesa está a adaga cerimonial de Rosana. Ela a pega. Ambrósio está de costas para ela e por um instante, imagina como seria fácil matar Ambrósio ali mesmo. Mas antes que faça qualquer coisa, Rosana surge na sala e agradece educadamente por Francesca ter encontrado sua adaga. Ambrósio se vira e encara a Toreador segurando a arma ritualística.
Em silêncio, Francesca devolve a adaga para Rosana… e deixa o salão para reencontrar o restante do grupo.
🎬 Sessão 05 — Morte e Traição.
A coterie segue até um local afastado de Santa Tereza conhecido como Barracão, onde Thadeusz costuma se reunir com seus seguidores. Após cercarem o local e enfrentarem alguns Precursores, Aguiar, transformado em lobo, consegue incapacitar Thadeusz. Diante da derrota, o líder dos Precursores aceita acompanhar o grupo até a mansão dos Giovanni para responder diante de Ambrósio sobre a quebra da Máscara.
No salão principal da mansão, Thadeusz se defende afirmando que não foi ele quem matou a viúva, mas sim Martina, que sucumbiu ao Frenesi ao sentir o cheiro do sangue. Também acusa Ambrósio de cometer um erro ao permitir que uma Hecata enviada pela Camarilla aprendesse os segredos da comunicação com os mortos. Por fim, reclama que uma Toreador — membro do mesmo clã responsável pela expulsão dos Hecata de Vitória — esteja sob a proteção do Patriarca.
Ambrósio responde que as disputas do passado já deveriam ter sido superadas e relembra que os visitantes deixarão Santa Tereza na noite seguinte. Apesar das acusações, decide não punir Thadeusz naquele momento, limitando-se a adverti-lo para que tome mais cuidado.
Quando a reunião termina e todos começam a deixar o salão, Ambrósio se aproxima de Francesca.
— Já decidiu se vai me matar ou não?
A pergunta a pega completamente de surpresa. O Patriarca explica que Morcant lhe contou sobre a proposta feita no labirinto. Segundo ele, tudo não passou de um teste para avaliar o caráter da Toreador. E, embora ela nunca tenha aceitado a oferta, também nunca a recusou. Francesca permanece em silêncio.
Enquanto isso, Rosana leva Martina novamente às catacumbas. Desta vez, a Hecata aprende a convocar espíritos e enfrenta a alma perturbada de um vampiro que enlouqueceu após o Abraço. Depois do treinamento, Rosana afirma que Martina já domina os fundamentos necessários.
Sozinha na biblioteca subterrânea, Martina encontra um antigo diário pertencente a Ítalo Giovanni. Nele, o vampiro narra a chegada de Lorenzo Giovanni a Vitória, sua ascensão ao poder e os eventos que culminaram na Guerra do Trono Vazio. Em seus relatos, Ramiro e Amélia aparecem como os principais responsáveis pela queda e morte de Lorenzo. Ela é chamada para jantar com Ambrósio e deixa o diário no local.
Na mansão, Aguiar, Nathaniel e Capella ficam sabendo que os filhos da mulher morta na noite anterior desapareceram. A polícia local ainda não compreende o que aconteceu, mas Nathaniel suspeita imediatamente dos Precursores. Ele sugere retornar ao Barracão para investigar antes que a polícia descubra coisas que não deveria e talvez a SI acabe atacando a cidade também. Capella se recusa a acompanhá-los e decide caminhar sozinho pelo centro da cidade.
Ao retornarem ao Barracão, Nathaniel, Aguiar e Francesca encontram Lucca, o filho da vítima, amarrado e marcado por sinais de tortura. Sua irmã, Lucia, não está no local. Temendo o retorno dos Precursores, eles libertam o rapaz e decidem levá-lo com eles. Chegando a cidade começam a procurar Capella antes de voltar à mansão.
Enquanto isso, Capella descobre a localização da Igreja da Vida e da Morte, o principal Culto de Sangue dos Hecata em Santa Tereza. No interior da igreja, Rosana conduz uma cerimônia para dezenas de mortais em transe. Um vampiro toca um antigo órgão enquanto os fiéis participam dos rituais. Durante o momento das oferendas, vampiros surgem por portas laterais e se alimentam dos participantes. Os gritos de dor são abafados pelo som crescente da música. Para Capella, toda aquela cena parece estranhamente fascinante.
Explorando áreas mais internas da igreja, ele encontra uma espécie de cozinha. Ali, um homem vestido como açougueiro corta pedaços de carne humana e os embala cuidadosamente em sacos.
Na mansão, Ambrósio convida Martina para jantar. Sentado ao lado do Patriarca está um vampiro Dunsirn que devora carne crua com entusiasmo, enquanto Ambrósio aprecia uma taça de sangue. O Giovanni demonstra interesse por Martina e admite que faz muito tempo que não encontra outro membro de sua linhagem. Então lhe faz uma proposta:
— Já pensou em deixar Vitória e viver em Santa Tereza? Martina recusa educadamente.
Mais tarde, usando seus sentidos aguçados, Aguiar consegue localizar Capella na igreja. Ao investigar os fundos do prédio, encontra restos humanos descartados em lixeiras. Entre eles está a cabeça de Lucia.
Chocado, ele reúne os demais e relata o que encontrou. O grupo conclui que Santa Tereza é muito mais perigosa do que imaginavam e decide deixar a cidade o mais rápido possível. Antes, porém, precisam buscar Martina.
De volta à mansão, Ambrósio tenta convencer Martina a atuar como uma informante dos Hecata em Vitória. Mais uma vez ela recusa. O Dunsirn então comenta que Ambrósio já não possui a influência que teve no passado e que sentirá falta dele. Antes que alguém compreenda o significado da frase, Morcant emerge das sombras atrás do Patriarca. Um movimento rápido. Uma lâmina afiada atravessa o pescoço de Ambrósio.
O sangue jorra. Segundos depois, o corpo do Giovanni se desfaz em cinzas. Martina observa a cena sem acreditar. Morcant então revela que aquela morte é apenas mais um capítulo de uma vingança iniciada séculos atrás, ligada à destruição dos Capadócios. Além disso, explica que a presença de uma coterie vinda de Vitória — especialmente de uma Toreador — oferece a oportunidade perfeita para culpar estrangeiros pela troca de liderança na Corte Hecata.
Desesperada, Martina tenta fugir. Dois Precursores bloqueiam seu caminho. Com uma explosão de força e determinação, ela consegue derrubá-los. Outros vampiros surgem para cercá-la, mas nesse momento Aguiar aparece com os olhos vermelhos e as garras expostas, abrindo caminho pela força.
Morcant tenta impedir a fuga. Então Nathaniel revela sua Marca de Caim. Por um instante, o medo atravessa o rosto do Hecata. É a distração que o grupo precisava. A coterie foge da mansão, rouba um veículo e deixa Santa Tereza para trás enquanto o amanhecer se aproxima.
Com eles está Lucca, que teve suas memórias apagadas por Capella para que não lembre dos acontecimentos. Agora, de volta a Vitória, resta descobrir o que fazer com o rapaz… e como lidar com as consequências da morte de Ambrósio, um problema que inevitavelmente os seguirá até a capital.
🎬 Sessão 06 — Os Órfãos da Noite.
Os personagens passam o dia no refúgio de Martina, em Jardim da Penha. Ao despertarem, ela diz a coterie que precisa de um tempo sozinha para processar tudo o que aconteceu em Santa Teresa, especialmente o fato de ter sido perseguida por membros do próprio clã. Sem dar explicações, deixa o refúgio e parte sozinha.
Capella decide, sem comentar com os outros, relatar os acontecimentos dos últimos dias ao Capitão-Mor Cypriano e segue para o Clube Saldanha da Gama. Como Lucca ficaria sozinho, ele pede a um mortal chamado Diego, que costuma usar como bolsa de sangue, para ficar de olho no rapaz. Diego tem problemas psicológicos e toma remédios para sua condição, o que torna seu sangue mais palatável para Capella.
Natan retorna ao seu refúgio, um apartamento abandonado que invadiu e usa como abrigo em Atlântica Ville, e recebe a visita de Thamires, sua Touchstone. Ela demonstra preocupação por ele não dar notícias há um bom tempo e por estar morando em condições tão precárias. Também revela que algumas pessoas andaram fazendo perguntas sobre ele e suas antigas pesquisas científicas, abandonadas desde sua transformação.
Tentando evitar perguntas sobre sua situação atual, Natan acaba permitindo que um clima romântico cresça entre os dois. Ele aproveita a situação para se alimentar discretamente de Thamires sem que ela perceba, já que a mordida do vampiro gera prazer a sua vítima, se devidamente conduzido por seu predador. Antes de partir, ela entrega a chave de um apartamento da família, na Rua da Lama, que está desocupado e pode servir como uma moradia muito melhor do que o imóvel sem mobília que Natan vinha usando.
Enquanto isso, Aguiar sai para caçar e acaba encontrando um Shih Tzu latindo sem parar em uma residência. A Besta fala mais alto e, irritado pelos latidos do cachorro, invade o quintal para se alimentar do animal. A dona da casa presencia a cena e consegue filmá-lo antes de gritar apavorada. Aguiar toma o celular, destrói o aparelho e foge antes que a situação piore.
Francesca é interceptada por Touro Moreno e Gina Malagueta, que informam que Adelaide deseja falar com ela. Na boate Lua Azul, além da casa lotada, ela encontra Cornelius, um Ventrue frequentador do local que costuma se alimentar no chamado “Quarto Vermelho” de Adelaide em troca de generosas contribuições financeiras.
Adelaide questiona onde Francesca esteve nos últimos dias, mas ela evita entrar em detalhes. Em seguida, a proprietária da boate revela que a guerra anunciada por Amélia é real e que membros da Casa Carna, dos Tremere, já começaram a se posicionar ao lado dela. Adelaide teme que a situação fique insustentável e cogita abandonar Vitória rumo a Vila Velha. Ela aconselha Francesca a fazer o mesmo, mesmo que isso signifique abandonar sua coterie.
Após a conversa, Francesca percebe dois homens no salão principal que parecem mais interessados em observar o ambiente do que em aproveitar a festa. Usando Fascínio, ela os convence a acompanhá-la até um local reservado e faz sinal para que Cornelius a acompanhe. Lá, eles conseguem dominar os dois homens e descobrem que são agentes da Segunda Inquisição monitorando mais uma das casas de Adelaide.
Após informar a descoberta, Francesca ajuda Adelaide a remover as bolsas de sangue que mantem presos discretamente pelos fundos da boate usando seus poderes, colocando-os em um furgão. A atitude impressiona Adelaide, que passa a enxergar a Toreador com muito mais respeito.
Pouco depois, Aguiar procura Natan e relata o incidente ocorrido durante sua caçada. Sem saber como lidar com a situação naquele momento, Natan acha melhor que os dois deixem o local e conheçam o apartamento cedido por Thamires. O imóvel fica próximo ao refúgio de Martina e, sem que saiba, no mesmo prédio onde mora Diego, rebanho de Capella.
Ao chegarem, cruzam com Diego e Lucca saindo do edifício. O rapaz parece tão abatido que sequer percebe a presença deles. Depois de verificar que o apartamento é seguro, Natan se preocupa ao lembrar do estado emocional de Lucca e decide procurá-lo.
Na Rua da Lama, ele encontra Diego sozinho. Questionado, o rapaz explica que havia deixado Lucca sentado em um bar enquanto comprava algumas coisas (drogas para dormir). O que ele não sabe é que, pouco antes, uma mulher misteriosa abordou Lucca. Inicialmente ele recusou o convite para acompanhá-la, mas acabou cedendo sob influência sobrenatural.
Natan e Aguiar iniciam uma busca pelo bairro. Graças aos sentidos aguçados de Aguiar, eles conseguem seguir o rastro até uma casa completamente escura. Invadindo o local por uma janela, encontram Lucca desacordado em uma poltrona. Uma sonda retira sangue de seu braço para uma bolsa enquanto um homem ajoelhado se alimenta diretamente de seu pulso. Outros dois indivíduos observam a cena.
Mesmo em desvantagem numérica, os dois atacam. Aguiar derruba um dos adversários com suas garras, mas é ferido no pescoço por outro. Natan afugenta o vampiro que se alimentava de Lucca e remove a sonda de seu braço, levando-o em seguida para fora da casa. Mesmo ferido, Aguiar consegue revidar o ataque do que lhe feriu que prefere após isso fugir. Porém, tendo perdido muito sangue devido ao ferimento em sua carótida, não consegue se regenerar adequadamente.
É então que a mulher responsável por atrair Lucca reaparece. Sem demonstrar hostilidade, ela cura o ferimento de Aguiar com a própria saliva e, em seguida, oferece seu pulso para que ele se alimente. Depois ela leva Aguiar para fora da casa.
Apresentando-se como Vanessa, explica que não sabia que Lucca era protegido por outros Membros. Ela revela ainda que recebia dinheiro para atrair vítimas para aquela casa, já que os vampiros que viviam ali não possuíam poderes de controle mental.
Preocupado com o estado de Lucca e sem querer transformá-lo em vampiro ou carniçal, Natan toma uma decisão arriscada: usar um celular. Primeiro liga para Francesca, que pede ajuda a Cornelius para chegar rapidamente ao local. Em seguida entra em contato com Capella.
No Clube Saldanha da Gama, Cypriano observa com desaprovação o telefone de Capella tocar. Ele mesmo pega o aparelho do bolso do Malkaviano, coloca a chamada no viva-voz e ouve o relato de Natan sobre a situação de Lucca. Assim que recebe o endereço, decide acompanhar Capella até o local para entender o que está acontecendo.
Quando Francesca chega, o grupo percebe que levar Lucca a um hospital comum poderia chamar atenção demais, especialmente com a Segunda Inquisição em plena atividade na cidade. Vanessa então oferece uma alternativa — desde que seja devidamente paga pelo serviço. Francesca convence Cornelius a arcar com os custos.
A mulher conduz o grupo até o Hospital Universitário, em Maruípe, onde funciona discretamente o Sistema Circulatório: uma rede clandestina de distribuição de sangue destinada a vampiros influentes e àqueles que preferem não caçar diretamente. Devidamente remunerada, Vanessa se despede e desaparece na noite.
Graças à influência de Cornelius, os funcionários aceitam realizar uma transfusão em Lucca utilizando as reservas mantidas pelo sistema. O próprio Ventrue arca com os custos do procedimento.
Enquanto isso, Cypriano chega à casa onde Lucca foi encontrado. Ao examinar o cadáver deixado para trás, identifica o homem morto por Aguiar como um Sangue-Ralo.
O Capitão-Mor explica a Capella que essas criaturas têm surgido em número cada vez maior em Vitória e suspeita que o comportamento irresponsável dessas “aberrações” possa ter contribuído para atrair a atenção da Segunda Inquisição. Sem compreender completamente sua condição e incapazes de controlar a sede como verdadeiros Membros, muitos acabam se tornando predadores perigosos e descuidados.
Cypriano ordena que seus Alferes eliminem todas as evidências do ocorrido. Antes de partir, lança um olhar severo para Capella.
— Vou limpar a sujeira deixada pelos seus companheiros. Mas, a partir de agora, você e sua coterie trabalham para mim.











