Explorando O Multiverso Da Marvel.

No universo dos quadrinhos e do cinema, o Multiverso Marvel é um conceito onde existem infinitas realidades paralelas coexistindo. Cada uma dessas dimensões abriga suas próprias versões de heróis e vilões, como o Capitão América ou o Doutor Octopus, com histórias e destinos que podem divergir completamente do que conhecemos. Desde os primeiros passos nas páginas da Marvel Comics até as épicas narrativas do MCU (Universo Cinematográfico Marvel), o Multiverso permite que qualquer possibilidade se torne realidade, conectando universos através de portais místicos, viagens no tempo ou experimentos científicos ousados. O conceito de multiverso, um conjunto de realidades alternativas que coexistem com versões distintas de heróis, vilões e eventos, é uma das ferramentas narrativas mais fascinantes da Marvel Comics. Popularizado no Universo Cinematográfico Marvel (MCU) por produções como Loki, What If…? e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, o multiverso tem raízes profundas nos quadrinhos, onde foi desenvolvido ao longo de décadas. Vamos conhecer sua origem.

O Que é o Multiverso?

O multiverso é o conjunto hipotético de múltiplos universos, incluindo o nosso, cada um com sua própria realidade paralela. Imagine, por exemplo, que em nosso universo Peter Parker é o Homem-Aranha, um herói que luta contra o crime em Nova York. Em outro universo, ele pode ser apenas um cientista brilhante sem poderes, enquanto em outro, talvez seja um vilão como o Duende Verde. A ideia sugere que existem infinitos universos, cada um único, com diferenças geradas por decisões e eventos distintos que alteram o curso da história. O conceito de multiverso, embora antigo e discutido por filósofos e cientistas, ainda não foi comprovado, permanecendo como uma fascinante teoria. Enquanto isso, a ficção explora amplamente essa ideia, com destaque para as HQs da Marvel, onde o multiverso ganhou popularidade, apresentando versões alternativas de heróis e vilões em realidades paralelas.

A Origem do Multiverso Marvel

Embora o termo “multiverso” tenha sido usado pela primeira vez nos quadrinhos pela DC Comics em 1953, na revista Mulher-Maravilha #59, onde ela descobre a existência de vários universos, que mais tarde serão explorados pela primeira vez com Barry Allen viajando até Terra-Dois, em Flash #123 (1961), a Marvel começou a explorar realidades alternativas na década de 1960, ainda que de forma menos estruturada. O conceito ganhou forma inicial em Strange Tales #103 (1962), que continha a história do Tocha Humana original, um androide chamado Jim Hammond, e não o mais conhecido Johnny Storm, membro do Quarteto Fantástico, que foi teletransportado para a Quinta Dimensão, marcando a primeira incursão da Marvel em uma realidade alternativa.

No entanto, o multiverso Marvel como o conhecemos hoje começou a ser formalizado na década de 1970, com os quadrinhos do Capitão Britânia, publicados pela Marvel UK. Foi o escritor David Thorpe, responsável pelo personagem no início da década de 1980, que criou o conceito da Terra-616. Thorpe, junto ao editor Paul Neary e ao artista Alan Davis, buscava reinventar o Capitão Britânia, afastando-se do tom mitológico anterior centrado em Merlin e Rei Arthur, e por isso criaram uma Terra que nada tivesse a ver com o que era o Universo Marvel principal na época, para que nada do que fizessem perturbasse a continuidade do Universo Marvel principal. O termo “Terra-616” apareceu pela primeira vez em “Rough Justice”, história publicada em julho de 1983 na revista The Daredevils #7, escrita por Alan Moore e Alan Davis, embora Thorpe seja creditado pela criação do conceito.

Alan Moore nomeou o universo principal da Marvel como Terra-616, porque, segundo ele, refletia seu descontentamento com super-heróis mainstream, utilizando o número 616 como uma referência irônica ao “número da besta” bíblico. A Terra-616 surgia como uma forma de criar um universo alternativo que não interferisse na continuidade do universo principal da Marvel, permitindo maior liberdade criativa sem comprometer a consistência narrativa. O número escolhido também comprova a insignificância do chamado “Universo Primário”, sendo apenas um entre muitos.

A Terra-616 tornou-se a continuidade principal, abrangendo a maioria das histórias publicadas pela Marvel desde 1939, incluindo personagens icônicos como Homem-Aranha, Capitão América e Vingadores. Esse universo é protegido por figuras como o Mago Supremo, nomeado pela trindade mística de Vishanti, e por membros da Tropa dos Capitães Britânia, liderada pela entidade mística Merlyn.

A Marvel começou a estruturar suas realidades alternativas no final da década de 1970 com a série What If? (1977), criada pelos autores Jack Kirby e Steve Ditko. A proposta era imaginar mundos paralelos onde os heróis conhecidos, como o Homem-Aranha ou os Vingadores, viviam versões distintas de suas histórias. Em 1979, na edição Marvel Two-in-One #50, a Marvel introduziu o conceito de que viagens no tempo poderiam gerar linhas temporais alternativas ao alterar eventos do passado, estabelecendo algumas das regras fundamentais do Multiverso Marvel.

A consolidação do multiverso Marvel ocorreu nos anos 1980, com eventos e publicações que organizaram as realidades alternativas. O evento Contest of Champions (1982), escrito por Mark Gruenwald e Jim Shooter, foi um marco ao reunir heróis de diferentes universos, estabelecendo as bases para o multiverso moderno. Gruenwald também contribuiu com o Manual Oficial do Universo Marvel, que detalhou universos, personagens e suas conexões, solidificando a ideia de um sistema interconectado de realidades.

Além da Terra-616, o multiverso Marvel inclui diversas realidades alternativas, cada uma com suas próprias versões de heróis e vilões:

  • Terra-1610 (Universo Ultimate): Introduzido em Ultimate Homem-Aranha (2000), é conhecido por modernizar personagens, como Miles Morales como Homem-Aranha. Foi destruído durante Guerras Secretas, mas continua influente.
  • Terra-928 (Marvel 2099): Ambientado no futuro, apresenta heróis como Miguel O’Hara, o Homem-Aranha 2099.
  • Terra-2149 (Zumbis Marvel): Explora um mundo onde heróis se tornam zumbis, visto em Quarteto Fantástico Ultimate #21 (2005).
  • Terra-838: Apresentada no MCU em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, é o lar dos Illuminati, incluindo variantes de Doutor Estranho e Professor Xavier.
  • Terra-311 (1602): Criada por Neil Gaiman, reimagina heróis Marvel no século XVII, como um Quarteto Fantástico da era das navegações.
  • Terra-199999 – UCM: Realidade conhecida por ser a dos filmes da Marvel.
  • Terra-92131 – Marvel Animada: Esse universo começou com a série animada X-Men (1992) e é o lar das histórias animadas da Marvel.
  • Terra-982 – MC2: Desde o lançamento dos quadrinhos que falam de mundos paralelos What If? vol. 2 #105 (1998), a maior parte das histórias deste universo se passa nos anos 90, com heróis originais como Garota-Aranha, Wild Thing e Quinteto Fantástico.
  • Terra-148611/Terra-555 – Novo Universo: Como homenagem aos 25 anos da Marvel, Jim Shooter criou este universo mais realista e parecido com o nosso. Em 2006, por alturas de seu 20º aniversário, Terra-148611 sofreu um reboot e se transformou em Terra-555.

O multiverso permite à Marvel reimaginar personagens e criar narrativas inovadoras, mas também gera desafios. Críticas apontam que a dependência excessiva de fan service e a complexidade das linhas temporais podem confundir o público, como destacado em discussões sobre variantes idênticas (como Thanos) versus variantes distintas (como Peter Parker interpretado por diferentes atores no cinema).

Loki e a Autioridade de Variância Temporal

A série Loki, lançada no Disney+ em 2021, é uma peça-chave na exploração do multiverso do Universo Cinematográfico da Marvel (MCU), conectando-se diretamente ao conceito de realidades paralelas e à Terra-616, o universo principal das HQs da Marvel. Aqui está como ela se encaixa:

Introdução da TVA e a Linha do Tempo Sagrada: Loki apresenta a Autoridade de Variância Temporal (TVA), uma organização que monitora e mantém uma única linha do tempo, chamada “Linha do Tempo Sagrada”, para evitar o surgimento de realidades paralelas. Essa linha corresponde, em essência, ao universo principal do MCU, que pode ser associado à Terra-616 das HQs, embora o MCU seja tecnicamente uma realidade distinta (Terra-199999). A TVA elimina “variantes” — versões alternativas de pessoas que desviam da linha planejada — e suas ações criam ramificações que poderiam formar novos universos.


Loki Variante e o Multiverso: O protagonista da série, uma variante de Loki de 2012 (interpretado por Tom Hiddleston), escapa dos eventos de Vingadores: Ultimato (2019) ao roubar o Tesseract, criando uma ramificação na linha do tempo. Capturado pela TVA, ele descobre a existência de outras variantes de si mesmo, como Sylvie (uma Loki feminina) e outros Lokis de realidades alternativas, evidenciando a existência de um multiverso reprimido pela TVA.

Ruptura do Multiverso: No final da primeira temporada, Loki e Sylvie encontram “Aquele que Permanece” (uma variante de Kang, o Conquistador), que revela ser o responsável por manter a Linha do Tempo Sagrada, evitando um multiverso caótico de guerras entre suas próprias variantes. Quando Sylvie mata Aquele que Permanece, a linha do tempo se fragmenta, liberando o multiverso. Isso resulta na criação de inúmeras realidades paralelas, conectando Loki a outros projetos do MCU que exploram o multiverso, como Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021) e Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022).

Segunda Temporada e o Tear Temporal: Na segunda temporada (2023), Loki tenta consertar o caos causado pela ruptura do multiverso. A TVA enfrenta problemas com o Tear Temporal, que gerencia as linhas do tempo, enquanto variantes de Kang ameaçam a estabilidade das realidades. Loki, ao final, assume um papel crucial ao se tornar o guardião do multiverso, mantendo todas as linhas do tempo unidas, o que reforça sua importância como uma figura central na narrativa do multiverso do MCU.

Conexão com a Terra-616 e o Multiverso das HQs: Embora o termo “Terra-616” seja usado em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura para designar o universo principal do MCU (gerando debate entre fãs, já que o MCU é Terra-199999 nas HQs), Loki estabelece a base para a exploração de realidades alternativas, ecoando o conceito de multiverso das HQs da Marvel, onde a Terra-616 é o núcleo narrativo. A série expande a ideia de David Thorpe, mencionada no artigo, de universos paralelos com versões alternativas de heróis, como visto com as variantes de Loki.

Vingadores: Doomsday

Vingadores: Doomsday, filme que está programado para ser lançado em 18 de dezembro de 2026 como parte da Fase Seis do MCU, tem o potencial de expandir significativamente o multiverso do MCU de várias maneiras.

Com Robert Downey Jr. interpretando Victor von Doom, o filme pode explorar uma versão de Doutor Destino de uma realidade alternativa, possivelmente ligada à morte de Tony Stark em Endgame. Isso poderia introduzir um vilão que manipula o multiverso para seus próprios fins, como visto em quadrinhos como Guerras Secretas (2015), onde Doutor Destino cria o Battleworld. A narrativa pode mostrar Doutor Destino tentando evitar incursões (colisões entre universos) ou usá-las para consolidar poder, adicionando uma nova camada de ameaça multiversal.

Rumores sugerem que Doomsday pode abordar diretamente as incursões, um conceito já apresentado em “Doutor Estranho no Multiverso da Loucura”. O filme poderia escalar esse conflito, mostrando o colapso de várias realidades e preparando o terreno para Vingadores: Guerras Secretas, onde um novo mundo (como Battleworld) poderia ser formado. Isso aprofundaria a mecânica do multiverso, mostrando suas fragilidades e a necessidade de intervenção heroica.


Com a confirmação de atores de filmes da Fox (X-Men) e do elenco de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, Doomsday pode unir Vingadores, X-Men, Quarteto Fantástico e outros grupos de diferentes universos (como Terra-838 ou Terra-828). Isso expandiria o mapa do multiverso, conectando timelines distintas e explorando como essas equipes colaboram ou competem em um cenário multiversal caótico.

Loki, que se tornou o “guardião do multiverso” em sua série, pode ter um papel pivotal, possivelmente como um “McGuffin” disputado por Doutor Destino e os Vingadores. Por exemplo:

Importância simbólica: Como guardião, Loki não é apenas um personagem, mas uma chave para o equilíbrio do multiverso, tornando-o um “objeto” cobiçado, mesmo que sua história pessoal seja secundária ao conflito maior.

Motivação da trama: Doutor Destino pode querer controlar ou manipular Loki para dominar o multiverso, enquanto os Vingadores tentam protegê-lo ou libertá-lo para preservar a estabilidade das realidades. Isso poderia detalhar ainda mais as regras do multiverso, como a influência da Autoridade de Variância de Tempo (TVA) e os efeitos de alterações temporais.

Um McGuffin é um termo usado em narrativas, especialmente em filmes, séries e livros, para descrever um objeto, pessoa ou evento que serve como motivação central para a trama, impulsionando a história e os conflitos, mas que, em si, não precisa ter uma explicação detalhada ou relevância intrínseca. O termo foi popularizado pelo cineasta Alfred Hitchcock e é comumente usado em histórias de aventura, suspense e ação.

Dado o histórico de Endgame e os desafios da Fase 4 e 5, Doomsday pode servir como um ponto de inflexão, redefinindo o status quo do MCU. Rumores de um final “letal” ou de um reset sugerem que o filme pode matar personagens importantes ou fundir realidades, preparando uma nova era pós-Guerras Secretas.

Marvel Multiverse Role-Playing Game

O Marvel Multiverse Role-Playing Game (MMRPG) é um jogo de RPG de mesa ambientado no vasto Multiverso Marvel, onde jogadores podem assumir o papel de super-heróis icônicos como Homem-Aranha, Capitão América e Wolverine, ou criar seus próprios heróis para enfrentar vilões em realidades paralelas. Lançado oficialmente em 2023, após um Playtest Rulebook em 2022, o jogo utiliza o sistema d616 (pegaram a referência?), que emprega três dados de seis lados (um marcado como “Marvel die”) para resolução de ações, combinando atributos como Força, Agilidade e Ego, e oferecendo mecânicas acessíveis para novatos e veteranos. O Core Rulebook, escrito por Matt Forbeck, inclui regras para criação rápida de personagens, combates dinâmicos e mais de 300 poderes, além de perfis detalhados de heróis e vilões, permitindo aventuras em universos como a Terra-616 ou realidades alternativas. Expansões como X-Men Expansion, Spider-Verse Expansion e The Cataclysm of Kang (2023) aprofundam o multiverso com novos personagens, regras para itens icônicos (como o escudo do Capitão América) e campanhas que exploram desde as ruas de Nova York até batalhas cósmicas contra Kang, o Conquistador.


O MMRPG destaca-se por sua conexão direta com o conceito de multiverso da Marvel, permitindo que jogadores criem histórias em diferentes linhas temporais e realidades, como as vistas em What If? ou na Terra-616, o coração das HQs. As expansões, como a Avengers Expansion, introduzem mecânicas para combates em grande escala e novos locais, como a Torre dos Vingadores, além de aventuras temáticas, como Revenge of the Super-Skrull no Roll20, que exploram o caos de universos paralelos. Apesar de críticas mistas, com elogios à simplicidade e imersão para fãs da Marvel, mas ressalvas sobre a rigidez de algumas regras, o jogo oferece uma plataforma vibrante para narrativas criativas no Multiverso Marvel, capturando a essência de suas infinitas possibilidades.

O meu grupo de jogo já teve a oportunidade de experimentar uma visão alternativa da Guerra Civil, quando jogamos uma mini-campanha com este tema com um resultado diferente dos quadrinhos e do cinema.

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