As Polêmicas Da 5ª Edição De Werewolf: The Apocalipse.

Este mês de outubro foi escolhido pela Paradox, editora detentora dos direitos do Mundo das Trevas, como o Mês das Trevas, onde todos os dias de outubro são reveladas novidades e surpresas do cenário, assim como material gratuito para ser baixado pela comunidade do jogo.

Entre as novidades estão as noticias sobre o lançamento em breve da 5ª edição de Werewolf: The Apocalipse, já chamada de W5, que pretende modernizar o cenário e o sistema de regras do jogo como foi feito com Vampiro: A Máscara, o famoso V5. Mas o que seriam as boas novas acabou se transformado em polêmica e descontentamento por parte da comunidade de jogadores devido alguns detalhes divulgados pela empresa.

Para começar foi deixado claro que o W5 não é uma continuação do jogo, mas toda uma reformulação no cenário e nas regras, como escrito no site oficial:

Se você é um jogador familiarizado com edições anteriores de Lobisomem, este é um aviso para esperar algumas mudanças notáveis ​​no sistema e na configuração. W5 não é uma continuação dessas edições anteriores, é uma re-imaginação de Lobisomem construída sobre os temas centrais do jogo original.”

Até aí, tudo bem porque se esperava algo do tipo, mas outras informações deixaram os jogadores preocupados, como o fato dos Garou não lutarem mais contra o Apocalipse, estando preocupados apenas em sobreviver. Gaia, o espírito da Terra, está morrendo ou talvez já esteja morto, e não há mais o que seus antigos campeões possam fazer.

Em seguida foi mostrado algumas modificações nas tribos, seus renomes e patronos espirituais, como mostrado abaixo.

Se você sentiu falta de algumas tribos eu explico. Para respeitar as comunidades nativas americanas os nomes Uktena e Wendigo foram substituidos por Galestalkers e Ghost Concil respectivamente. Isso faz parte de um movimento que surgiu nos EUA nos ultimos anos atendendo o apelo das comunidades nativas para que símbolos e nomes que digam respeito a sua cultura não sejam apropriados pelos homens brancos. Isso já fez com o time de futebol americano Washington Redskins mudassem o nome para Commanders e o time de basebal do Cleveland Indians mudassem o nome para Guardians, assim como sua logo com o famoso índio “Chief Wahoo”.

Quanto aos Crias de Fenris eles passam agora a ser antagonistas não jogáveis, da mesma maneira que aconteceu com o Sabá no V5.

Para entender a mudança fiz uma pergunta no grupo de jogadores, já que não sou tão conhecedor do cenário do Apocalipse, preferindo Os Destituídos, e obtive a seguinte resposta:

Toda a simbologia dos Crias de Fenris é um aceno a cultura nórdica. Só que muitos grupos supremacistas empregam a mesma simbologia em sua identidade. Dá pra argumentar que nem todo nórdico é um supremacista, mas o problema é que toda a cultura da tribo age de forma parecida. Crias de Fenris, no estereótipo, são descritos como belicosos, expansivos, apoiam tudo que é coisa errada que a Nação Garou já fez. O próprio glifo da Tribo é uma alusão a uma suástica.”

Isso não quer dizer que a comunidade gostou muito da novidade e foram para as redes sociais reclamar deste mudança. Mas nenhuma delas atraiu tanto a ira do que mudança com as Fúrias Negras.

Originalmente a tribo era formada apenas por mulheres, mas a partir de agora não terá mais esta restrição, sendo composta tanto por mulheres quanto por homens. Uma nova enxurrada de críticas inundaram os posts alusivos a mudança publicado nas contas do cenário.

A edição #1 da revista Crimson Thaw, publicada pela Vault Comics, que aborda o cenário do Mundo das Trevas, trazendo material de apoio para uso nas campanhas do cenário, nos deu uma pequena mostra do que será das tribos de Garou daqui pra frente. Vejam o que foi escrito na revista:

O que dizer das Tribos?

As tribos de Garou tem existido desde antes da humanidade, e hoje em dia, seus celebrados heróis recontam histórias com seus próprios significados. insistindo que o Apocalipse está por vir e será uma batalha gloriosa, ou que os Garous já lutaram e venceram! Outros lamentam a inexorável espoliação de Gaia, sucumbindo a desesperança, levada ao desesperdo como eles.

Até recentemente uma frágil unidade uniam as tribos, mas esta unidade foi quebrada. A Nação Garou está despedaçada, e a Litânia está sendo questionada. Para que servem os pactos e promessas quando a Mãe que existia para protegê-los dá seus ultimos suspiros?

Uma das tribos abandonou os outros inteiramente, tão convencida de que eles estão certos em sua causa e a falta de ação dos outros Lobisomens. Outra tribo tem perdido a fé nos Garou e se retirou em busca de novos aliados na luta contra os inimigos dos Garou. Agora o único grupo que um Lobisomem pode confirmar é sua própria alcatéia.

Ainda assim os Garou continuam lutando em honra de sua Mãe, para tomar de volta o que foi perdido, e para invocar o fogo de sua Fúria, como um farol, uma fogueira, uma confragração contra as trevas.

Você irá atender ao chamado?

Que histórias dos Garou irão contar sobre você?

Neste trecho podemos ver confirmados alguns rumores sobre mudanças no cenário e sobre algumas tribos. A grande verdade é que devemos aguardar um pouco para saber mais detalhes sobre essas mudanças. A Paradox promete para o número 2 da revista Crimson Thaw mostrar a primeira visão de como serão os Lobisomens em W5. Então é segurar a curiosidade e aguardar.

19 pensamentos sobre “As Polêmicas Da 5ª Edição De Werewolf: The Apocalipse.

  1. Eu sempre achei Lobisomem um dos piores jogos do antigo mundo das trevas, um dos mais preconceituosos, e os jogadores são os maiores passadores de pano que você pode reconhecer por aí, o que é complicado é que o tema lobisomem é muito interessante, daí minha alegria ao ler os destituídos, pitelzinho todo. Basicamente o que fizeram foi tentar fugir de várias temas espinhosos e no meio do percurso dá um chute em vários jogadores da antigos, ao mesmo tempo gerando um jogo com pouco apelo para jogadores novos. Fico com meu destituídos e boa sorte para quem quer encarar…

    • Acho completamente errado combater o tal preconceito simplesmente fingindo que ele existe. Eu particulamente prefiro o enredo de lobisomem o apocalipse, que apesar dos defeitos, é uma história muito melhor contada q destituídos. Como eu disse nos grupos de facebook, eles começaram a corrigir os problemas com os crias de fenris já no terceira edição, e poderiam muito bem ter continuado com isso ao invés de fazer com que a tribo se perdesse. Utilizar inclusive essas mudanças pra exercitar sobre o que foi o nazismo e o que é o neonazismo hoje seria muito melhor do que foi feito. Como deixei claro com meu grupo, caso me interesse pelo novo sistema, adaptarei ele para o cenário antigo caso eles queiram voltar a jogar.

  2. Quem acha que todo Cria é nazista, sinceramente precisa ler os livros de tribo. Pessoas que argumental tal falsidade mostram ignorância. Todo Garou pode ser transformado em totalitário, fascista, nazista, até mesmo os Filhos de Gaia; pela amor de Gaia os Garras Vermelhas ainda assim tem o verbo “purge” neles mesmo com a nova configuração tribal. Os Crias passaram por esse episódio macabro deles, definitivamente exterminaram essa parte da tribo no final do segundo livro de tribo deles, enquanto outras tribos toleram suas partes pútridas.

    O jogo tá lembrando os Destituídos em muitos aspectos, isso não é ruim, gosto de Destituídos também ainda que prefira Apocalipse. No entanto quando vou jogar Apocalipse quero jogar Apocalipse, não Destituídos.

    • Só ler o Guia dos Jogadores Segunda Edição. Não lembra? Peraí… “Desde a segunda Grande Guerra, os Crias estão enfrentando dissensões sérias em suas fileiras. Alguns ainda afirmam que Hitler teve a idéia certa: exterminar os mais fracos e poupá-los de um sofrimento inevitável. Apesar desses extremistas não acharem que a idéia é sólida, a grande maioria não tolera o conceito de genocídio – está é a linha de ação da Wyrm e o caminho dos humanos tolos, de quem não se pode esperar mais do que isso. Mas os supremacistas ainda estão por aí dizendo que somente os Crias e seus Parentes têm o direito de sobreviver.”

      Para bom entendedor…

  3. Pois é, sempre achei a história de apocalipse muito ruim, especialmente a parte de Gaia e os outros. Mas sempre gostei do tema de Lobisomem. A quinta edição é um reboot, tentando fazer com que as inúmeras cagadas das edições antigas fossem varridas para debaixo do tapete. Sinceramente, não é para mim esse tipo de jogo…

  4. Acho que aqui encaixa muito bem aquilo que esta escrito no livro do Vampiro5: “Lembre-se: jogar com um personagem cujas opiniões se opõem às suas pode ser um bom modo de compreender como as ideias supremacistas funcionam e como detecta-las e confrontá-las no mundo real. … Se as pessoas em sua mesa começarem a expressar pontos de vista de direita alternativa, nós o encorajamos a
    der um basta nesse papo-furado.”.
    Aí está, a própria editora deixa bem claro como lidar com essas coisas sem maiores problemas. O estranho é que ela só relaciona esse ponto à “extrema direita” ou “direita alternativa”. Se o problema for uma “extrema-esquerda” ou “esquerda alternativa”, pesadas como uma revolução cubana ou chinesa, aí pode, beautiful people..rs.. Eles deviam rever esses pontos e indicar “posições extremas” ao invés de só olhar para um lado, pois os loucos são iguais em ambos. É a parábola da ferradura.

    • Pseudo-fã, sabe aquele fanboi que leu o livro rapidamente e deve mestrar porcamente as suas partidas? Esse comentário é um exemplo bem claro disso. Em nenhum lugar do V5 o livro dá margem para extrema-esquerda, não se fala de comunismo ou socialismo, até mesmo o anarquismo vampírico NADA tem haver com o comunismo dos livros de história.

      Esse é o famoso biscoiteiro que não estudou história e mal conhece a lore do WoD.

  5. Vampiro era cheio de racismo. Negros eram bandidos, o livro de ciganos era tão preconceituoso que a WW pediu desculpas e passou a fingir que não existia. O antigo Lobisomem tinha uma história interessante e abordou de uma forma brilhante espiritualidade e paganismo, mas ficou complicado demais e a criação de conflitos X contra Y, A contra B, etc foi se perdendo e ficando uma bagunça, fora uma lista enorme de poderes sem graça. Junte a isso um monte de clichês e um sistema burocrático e lento. Se você for criar um cenário com um Caern como a Lore propõe é trabalhoso e inútil.

    • Os jogos da WW sempre foram focados no horror pessoal, em você lidar com aquilo que te incomoda, te causa repulsa e as vezes usar isso como motivo para fazer seu personagem sobreviver no jogo. Sim, os jogos era permeados de preconceito, mas isso era parte integrante da proposta do jogo. Pessoalmente você não é preconceituoso, mas seu personagem é ou ele tem que usar do preconceito para sobreviver. E aí, o que você faz? Como você se sente fazendo esse tipo de coisa dentro do jogo? Isso te causa desconforto mas te faz querer jogar? É isso que a ideia de horror pessoal propõe (e por esse motivo é recomendado para maiores e jogadores experientes). É muito mais fácil e interessante lidar com o contexto de fúria, como Lobisomem sempre propôs, usando essas questões do que uma luta nos moldes do Capitão Planeta. O contexto ambientalista de Lobisomem nunca colou no meu imaginário. Era algo muito “bicho-grilo” para que isso realmente se encaixasse na selvageria do jogo. O espiritual, mesmo exagerado, era bem mais interessante e sempre era o foco das crônicas.
      Acredito que cabe a cada grupo de jogadores pesarem como o assunto preconceito é abordado e como dosá-los na história. E como eu coloquei no outro post, a editora deixa muito bem claro que é tudo um jogo de faz de conta e que o grupo corte as asas de quem extrapolar esse ponto.

      • Olha aí, tá vendo que quando eu falo de que a pessoa não conhece a lore do WoD, não estou mentindo. Dos principais títulos do WoD (veja a WW publicou vários cenários, como por exemplo Exalted que nem de terror é) SOMENTE VAMPIRO é focado no horror pessoal, Lobisomem é sobre horror selvagem e isso está em todos os CORERULE BOOKS de Lobisomem: O Apocalipse. Sem falar em Mago que não é sobre terror, nas palavras do próprio Phill, Mago é um jogo sobre a descoberta do “Eu” mágiko.

        É impressionante como a internet está cheio de opiniões de pessoas que mal leram os livros. Tem preconceito sim nos livros, mas dizer que o livro está permeado reflete a opinião de um analfabeto funcional.

  6. As minhas maiores críticas ao Lobisomem: O Apocalipse, desde que comecei a jogar, nunca foram sobre o modo que a lore do jogo se desenvolvia com o passar das suas atualizações. Todos os problemas que os Crias de Fenrir passaram fazem muito sentido e sua conclusão foi mais do que lógica, mas claro, impactante. E as Fúrias também não sairiam impune da mesma situação que atacou os Garras Vermelhas; a mistura com as criaturas que a tribo queriam distância. Com isso, o que mais me incomodava, é a jogabilidade e mecânica de transformação: não nenhuma dificuldade nas transformações, não há penalidade com o peso suficiente para a falha ao tentar virar Crinos! Entrar em frenesi?? AS VEZES É MAIS VANTAJOSO!! kkkk

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