Entrevista Com Daniel Braga, Um Dos Autores De Hunter: The Reckoning 5E.

Pouca gente sabe mas um dos autores do recém lançado Hunter: The Reckoning 5E pela Renegade Games Studio é o brasileiro Daniel Braga, responsável pelo grupo de LARP do Rio V5, que tem uma longa história com o cenário de Vampiro: A Máscara. Agora com o lançamento do novo livro tive a oportunidade de bater um papo com ele e a entrevista eu reproduzo abaixo.

CARREIRA

Carioca, Daniel Braga é ator e escritor, já tendo trabalho como diretor, ensaiador, produtor, roterista, jornalista e editor de imagem. Daniel é um geek apaixonado por mitologia, quadrinhos e RPG, e um dos precursores do LARP (Live Action Role Playing) brasileiro. Daniel é neto por parte de pai dos jornalistas e escritores Rubem Braga, Zora Seljan, Antonio Olinto e por parte de mãe do socio-fundador da TV Globo, o general Lauro Augusto de Medeiros, primeiro diretor técnico da emissora.

Com uma longa carreira como artista, atuou em diversos espetáculos teatrais, leituras dramatizadas, filmes, novelas, audiobooks, seriados e publicidades. Dirigiu e produziu algumas leituras, peças, programas de tv e um curta metragem. Preparou também o elenco de algumas peças e filmes.

Trabalhou em stands da Abril Jovem lançando o AD&D em português e diversos stands em bienais do livro e eventos da Devir como mestre de RPG, tradutor para ilustradores, autores, juiz de campeonatos de Magic, etc. Foi um dos fundadores do CLAN ( criadores de Live Action nacionais) e é co-criador do Rio by Night do projeto Brazil by Night / One World by Night, também se tornando diretor dos Antagonistas, viajando o Brasil jogando LARPS de Vampiro. Ao se desligar do Brazil by Night criou seu próprio grupo, o Best Shot Live Action, onde produziu diversos lives “one shot”. Teve uma carta sua escolhida para ser lida no WOD Berlim. Criou o Rio V5 Vampire LARP em direito diálogo com as novidade da edição do jogo, o qual foi encerrado durante a pandemia. Recentemente foi convidado por Justin Achilli como escritor em inglês de Hunter the Reckoning 5E do World of Darkness/ Paradox Interactive.

A ENTREVISTA

Velhinho: Daniel de onde surgiu a ideia de escrever Hunter: The Reckoning?

Daniel: Hunter: The Reckoning 5E (ou H5) amplia o Mundo das Trevas atual, além de trazer uma versão completamente diferente das edições anteriores. Apresentar o Mundo das Trevas por inteiro na sua quinta edição parece desafiador quando visto pela sequência de jogos tradicionais das suas edições, na ordem: Vampiro: A Máscara, Lobisomem: O Apocalipse, Mago: A Ascensão, etc. Antecipar o Hunter com essa roupagem nova, e com o tom mais contemporâneo, com as grandes corporações e governos do Mundo das Trevas se unindo aos clássicos grupos de caçadores místicos e religiosos, foi uma decisão que abre um leque de possibilidades não só dessas criaturas já conhecidas, como outras e como o cidadão comum que precisa “tomar a noite de volta” em um “acerto de contas”.

Velhinho: A parceria com Justin Achilli como aconteceu? Vcs já se conheciam?

Daniel: Eu envio mensagens para o Justin como fã desde que ele se tornou o editor da terceira edição do Vampiro: A Máscara, o V3, por causa do LARP Brasil By Night que ajudei a criar, e acabei trocando e-mails com alguns autores de livros e sempre fiz elogios para o Justin pelo trabalho. Anos depois fui um dos primeiros brasileiros a participar do crowdfunding do V20: companion, na época que você colocava o nome de personagem em vez do seu nos agradecimentos, e coloquei o nome de um NPC Sabbat de LARP antigo meu, o Gangrel Urbano Priscus Seljan. A partir de então começamos a trocar mensagens, e quando soube que o V5 iria ser editado sem sua participação lamentei o fato, o que acho que foi onde passamos a conversar constantemente sobre como era o Mundo das Trevas antes e como seria agora, pelas novidades que recebíamos e ao lermos os livros. Lembro que celebrei quando ele foi convidado para escrever o livro do Sabbat e logo depois se tornou o Creative Lead do World of Darkness. Ele já conhecia meu blog do Rio V5 e sabia que eu gostava de escrever, foi então que ele me convidou para participar de um projeto secreto. Foi incrível a força dos amigos e familiares, em especial o Tomás Ribeiro, a Bea Benjamin e o Marco André Mezzasalma, além da minha mãe Ana Augusta de Medeiros, que me inspiraram muito a me jogar nessa empreitada com um grupo muito variado de escritores do livro.

Velhinho: Como vc tem visto essa transformação nos cenários do Mundo das Trevas, tornando-o popular novamente entre jogadores antigos e atraindo novos?

Daniel: Como fã e amante do universo do WoD fico muito feliz que isso esteja acontecendo e espero de verdade que o Hunter se torne uma janela para isso também. O WoD Pode conter tantas possibilidades de criaturas da noite que podem aparecer de forma mais realistas e contemporâneas, e acho que o Hunter pode ser um jogo que pode trazer isso com muita força.

Velhinho: Com o recuo da pandemia da Covid você tem planos para voltar com o Rio V5?

Daniel: O problema são à volta constante dos aumentos de casos de COVID-19, e principalmente o fato que fomos atingindos com muita força durante esses dois anos em coisas básicas, como cultura e lazer, que se tornaram artigos de luxo para muitos jogadores. Queríamos muito fechar essa parte da crônica, com uma sessão de epílogo e recomeçar uma nova, com novos personagens, mas ainda precisamos de logística e principalmente de um projeto de apoio e aumentar o numero de narradores.

Velhinho: Vamos fazer um Ping-Pong:

Velhinho: Uma seita? Daniel: Inconnu. Gosto da mitica e do mistério, posso usá-la como narrador do jeito que quiser.

Velhinho: Um Clã? Daniel: Não consigo escolher um só. Gosto dos Clãs mais místicos, que tem mais material escrito e que tiveram curvas dramáticas mais intensas desde o V1 até o V5: Tremere, Hecata, Tzimisce e Banu Haqim, nessa ordem. Para mim são os clãs com o material mais extenso. Mas se só pode escolher um, o primeiro, porque me apaixonei por eles no seu local de origem, Ars Magica, e pela má fama que tiveram por todas as edições, sua ligação com os Sinais da Gehenna e agora por seu momento mais aquebrantado. Ainda queria jogar com um Tremere Carna Anarch com algum/a narrador/a que deixasse eu brincar de recitar feitiços obscuros com nomes de “daemon” e outros espíritos das trevas, de descrever rituais e etc.

Velhinho: Um personagem icônico do Mundo das Trevas? Daniel: Acho que é ainda mais difícil eleger só um. Hoje vou de Irad, o forte, a terceira cria de Caim. Sempre me fascinei por esses personagens que tem pouca coisa escrita de fato, e ele é o Segunda Geração que menos se fala, mas com um nome e título que sugerem tanta coisa, e de repente você lê em alguns livros que existe uma seita secreta de vampiros que matam outros, em direta oposição a Tradição da Destruição, chamada Servidores de Irad, que procuram seguir seus atos e ensinamentos práticos, e o buscam. Pronto, um texto curto e uma chance de você criar uma história inteira sobre isso, Não é fascinante ? Recentemente em Cults of the Blood Gods saiu uma “descrição” de como ele fora um general soberbo e como teria se virado contra a própria Segunda Geração quando percebeu o ataque da Terceira Geração aos seus iguais. Achei super interessante, pois ainda assim não descreve muito, e deixa ainda mais aberto seu passado e serve de inspiração para esse Culto que agora serve de Loresheet para os Cainitas de V5.

Velhinho: Se existissem de verdade vc estaria do lado dos vampiros ou dos hunters? Daniel: Acho que estaria do lado dos Hunters pela temática, motivação e principalmente porque adoro o sol. O que não quer dizer que não poderia fazer uma trégua com um Cainita menos violento contra um mal maior…

Velhinho: LARP ou RPG de Mesa? Daniel: LARP, porque mesmo amando o tabletop o LARP proporciona uma imersão no jogo que poucas vezes vi em jogos de mesa, e descubro atores amadores entre meus amigos e colegas de jogo em alguns momentos sublimes onde estão todos comprometidos em viver uma história de horror pessoal e político naquele momento. É divino.

Quem quiser conhecer o blog do Rio V5 LARP clique AQUI e leiam os artigos. Tem muita coisa interessante que pode ser utilizada em suas crônicas. Quem ainda não leu a resenha de Hunter clique AQUI para saber o que ele traz de novidades.


2 pensamentos sobre “Entrevista Com Daniel Braga, Um Dos Autores De Hunter: The Reckoning 5E.

  1. Só uma perguntinha: Os caçadores voltaram a ser humanos normais, como eram em Caçadores Caçados, ou serão apelões como os do Reckoning da 3ª edição?

    • Depende. Terá os humanos normais e tem os que usam poderes como feitiçaria, por exemplo. Dá uma lida na resenha do livro, que eu postei tem pouco tempo, e veja as opções que irá encontrar. Grande abraço.

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