Arquivo81: A Série Com Gostinho De CoC e Kult Da Netflix.

Se você curte séries de suspense, com um pouco de terror, que te lembram muito alguns cenários de RPG, eu te recomendo Arquivo81 da Netflix. Quando a série foi lançada não me empolgaram muito as críticas postadas em sites especializados sobre ela, mas depois de ver toda a série não só acho que as críticas foram exageradas como entendi que os críticos que a assistiram acharam que iriam encontrar uma série de horror clássico, e não um suspense psicológico cheio de referência a cenários de RPG (pelo menos para nós jogadores e narradores) como Chamado de Cthulhu e Kult: Divindade Perdida.

Um dos motivos pode ser também pelo ritmo lento da narrativa, falando mais dos pernagens principais no início do que do terror propriamente dito, bem no estilo de Missa da Meia Noite e Chapelwaite, para deixar o suspense e o terror ir crescendo aos poucos até chegar a um final apoteótico. Talvez isso tenha levado as avaliações negativas, mas te digo que vai agradar a maioria da audência que curte esse tipo de história.

Como sempre gosto de dizer em artigos como esse, vem spoiler por aí, portanto se você deseja ver a série largue este artigo, assista e depois volta pra cá e deixe sua opinão abaixo nos comentários.

A série tem 8 episódios e na minha opinião não foi feita para ter 2ª temporada, por isso ignorem os sites que dizem que a série foi cancelada, simplesmente porque ela foi feita para terminar ao final do último episódio. Na história um restaurador de filmes e aficcionado por fitas VHS, Dan Turner, é contratado por um bilionário, Virgil Davenport, para recuperar à coleção de filmagens de Melody Pendras morta em um incêndio no prédio conhecido como The Visser, em Nova York, em 1994. Acontece que essas fitas mostram a existência de um culto que estava tentando realizar uma cerimônia para abrir um portal entre nosso mundo e o mundo de uma entidade chamada Kaelego, que promete poderes a seus fieis e unir o tempo e espaço, fazendo que possa se falar com entes queridos mortos mais uma vez.

O prêdio foi construido por cima de uma mansão de uma família aristocrática, os Vos, que no ano de 1924 havia tentando o mesmo ritual e dado errado, matando a todos e incendiando a mansão. A série toda é contada sobre a perspecitiva de Dan, nos dias atuais, e de Melody, em 94, quando Dan está assistindo suas fitas. A narrativa começa com um clima detetivesco, indo aos poucos para o mistério sobrenatural até chegar ao terror. Bruxaria, rituais profanos, um Deus de outro mundo, cultos secretos, realidades paralelas, fazem dessa série uma das melhores que assisti este ano, com muito tempero de RPG, e sua história podendo ser usada por narradores de maneira bem fácil, já que a trama não é nada absurda de entender e reproduzir.

MISTURANDO RPGs

Uma coisa legal que pensei e pretendo fazer em uma aventura com os jogadores é misturar RPGs para narrar essa história. Pode-se usar Chamado de Cthulhu para narrar os acontecimentos em 1924, Kult para os acontecimentos de 1994, Kult: Divindade Perdida para narrar os acontecimentos dos dias atuais e o storygame A Fita para os momentos quando Dan está assistindo as fitas de vídeo.

Na trama um grupo de ocultistas de 1924, liderados por Iris Vos, descobrem um livro que ensina como invocar uma entidade de outro mundo, Kaelego, quando um cometa, chamado de Caronte, está passando pelo planeta. Há milhares de anos quando passou próximo a Terra esse cometa desprendeu parte do seu volume e pedaços dele se chocaram no solo. Seus pedaços foram chamados de Caronitas e são consideradas pedras preciosas não só pelo valor, mas também pelo seu uso em rituais. A passagem do cometa, mais o ritual, teriam o poder de abrir as portas para outros mundos. Entretando há a necessidade da presença de uma bruxa da linhagem Baldung na cerimônia para usar uma chave em forma de Diapasão, o que é difícil de conseguir, porque além de raras elas se consideram protetoras do livro para impedir a entrada de Kaelego em nosso mundo.

O narrador pode começar contando a história em 1924 com Chamado de Cthulhu, mostrando de que maneira o ritual não deu certo. Os personagens podem ser gente da alta sociedade daquela época conhecidos ou amigos dos Vos que irão participar do ritual sem saberem e podem atrapalhar a realização do mesmo quando descobrirem do que se trata. Eles podem até mesmo ter ajudado a Iris a pegar o livro para depois descobrirem a verdade sobre ele. Algum deles podem ter jóias feitas de carotinas, ou suas esposas, e Iris deseja que participem do ritual por causa disso, para usar o poder das pedras preciosas no ritual pra atrair mais energia necessária para abertura do portal.

Depois em 1994 a história de Melody e do The Visser podem ser contadas usando A Fita. Como tenho a edição de Kult essa época, usarei os dois, mas se o narrador quiser pode usar Trevas, ou Cultos Inomináveis. Lembrando que ao final o ritual também dará errado e Melody fica presa no outro mundo. Os jogadores podem ser moradores do prédio alertados por Melody sobre o culto que existe ali e como eles mesmo não participando correm perigo e por isso devem ajudá-la a impedir que o ritual seja realizado. Melody sem saber é uma bruxa da linhagem Baldung e seu sangue, sem ser em sacrifício, é uma das chaves para o ritual funcionar.

Já nos dias atuais Dan depois de assistir as fitas pretende com ajuda de seus amigos trazer Melody de volta da prisão que foi imposta a ela, e terá que descobrir onde está o livro, como fazer o ritual e descobrir onde achar uma bruxa da linhagem Baldung. Aconselho o uso de Kult: Divindade Perdida, com os persoangens já tido algum contato com o sobrenatural e por isso a solução do mistério seria uma respostas aos seus medos e dúvidas. Davenport pode ser um servo dos Arcontes assegurando que a Ilusão permaneça inalterada e por isso contrata Dan para saber o que está nas fitas e o quanto elas comprotem a nossa prisão. Já a mãe da Melody, que eles precisam encontrar, é a bruxa Baldung que irá ajudá-los a abrir o portal e salvá-la. O livro é peça fundamental para realizar o ritual, e ele está guardado a sete chaves na seda da LMG, a empresa de Davenport. Os jogadores precisarão invádi-lo para roubar o livro, apenas para descobrir que partes dele ligam nosso mundo com partes de Metrópoles.

AVALIAÇÃO

Eu achei a série boa demais e dá muitas ideias para jogos de RPG, que no final é o que queremos de verdade. A série conta com a roteirista Rebecca Sonnenshine (The Vampire Diaries, Outcast, The Boys), produção executiva de James Wan (Sobrenatural, Invocação do Mal, Aquaman), e direção de Rebecca Thomas (A Fita Azul, Stranger Things), Haifaa Al-Mansour (Mary Shelley) e a dupla Justin Benson & Aaron Moorhead (Primavera, Synchronic). Ou seja, um timaço pra te proporcionar uma série envolvente e cheia de mistérios.

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