Chegou a hora dos mortais darem o troco nos seus predadores noturnos. Organizados, ou nem tanto, em grupos militares armados até os dentes coordenados pelos governos locais ou por membros da santa igreja católica a Segunda Inquisição (SI) é formada por um grande número de agências nacionais que conseguiram algumas vitórias importantes na luta contra os sugadores de sangue desde que se tornaram cientes da existência destas criaturas a partir do início deste século, como a queda do Principado de Londres, a destruição da Capela Tremere em Viena e o desmantelamento da SchrekNet dos Nosferatu, fazendo os cainitas recuarem para as sombras e agirem de maneira mais comedida, apreensivos que suas ações chamem a atenção de seus inimigos humanos.
O suplemento Second Inquisition para Vampiro: A Máscara 5ª ed., publicado pela Renegade Game Studios e pela Paradox, tem 166 páginas dividido em 5 capítulos e é um guia para a criação de grupos de caçadores de vampiros onde o narrador poderá adicionar mais ação em suas crônicas, fazendo com que os personagens dos jogadores tenham um oponente a se temer. Antes de mais nada é preciso entender que os membros deste grupo não se denominam Segunda Inquisição, título usado na verdade pelos vampiros, preferindo usar o termo “coalizão”, já que eles entendem que há uma cooperação entre a Sociedade Leopoldo, o Vaticano, com os grupos militarizados da FIRSTLIGHT dos EUA, BOES do Brasil, JTRG do Reino Unido e GRU da Rússia, além de vários grupos e agencias nacionais de países aliados, como França, Israel, Japão, entre outros.
A Segunda Inquisição já nos foi apresentada no livro básico de Vampiro: A Máscara 5ª ed, publicado no Brasil pela Galápagos Jogos, e no suplemento da Camarilla, que explicou os acontecimentos que levaram a formação do grupo a partir de uma força tarefa surgida nos EUA criada para investigar possíveis grupos terroristas e criminosos existentes em território americano. Este livro expande um pouco mais nosso conhecimento sobre ela. Vamos dar uma olhada e ver o que este suplemento adiciona ao cenário do jogo.
HUNTERS KILLERS
No primeiro capítulo encontramos um apanhado de arquétipos de NPCs humanos, feiticeiros, sangue-ralos, carniçais, que podem ser usados instantaneamente pelo narrador para colocar um adversário em sua história. Eles são mostrados de maneira rápida, com suas estatísticas vindo de maneira resumida e um detalhe especial sobre o arquétipo, sendo divididos em grupos baseados no seu modus operandi. O primeiro grupo é formado por personagens que trabalham disfarçados se infiltrando no meio dos vampiros, parecendo serem colaboradores, informantes ou políticos que negociam com os cainitas e fazem parte do grupo que usam habilidades sociais como principal característica. O segundo grupo é formado por personagens que usam mais suas habilidades mentais, como médicos forenses, hackers, técnicos em segurança, trabalhando como apoio técnico da SI. O terceiro grupo é formado por soldados, atiradores de elite, mercenários, lobos solitários e todos os que usam as habilidades físicas como sua característica predominante. O quarto grupo, que na minha opinião é o mais interessante, é formado por feiticeiros, médiuns e clérigos, que utilizam habilidades especiais e fé verdadeira para combater os sangue-sugas, adicionando algo interessante no cenário que são os poderes arcanos que esses personagens podem usar. Depois temos os vira-casacas, formado por sangue-ralos, carniçais e humanos que serviam aos vampiros e agora ajudam a SI a combater seus desafetos. Dá até pra criar um personagem no estilo Blade, um Daywalker que caça vampiros. Nem todos os membros da SI aceitam esse tipo de coligação, mas acabam permitindo a entrada deles no grupo procurando usá-los para seus propósitos.
Ainda neste capítulo encontramos as regras para construção de uma OPFOR, ou Opositor Force (Força Opositora), ou seja uma equipe de membros da SI que caçam os personagens vampiros dos jogadores. Começa se definindo o alcance da equipe, que pode variar de local até global, e o escopo do time, que pode ser legal, ilegal ou formado por seres sobrenaturais, para depois definir seu tipo, que pode ser um cenáculo de membros do Vaticano, guardiões que protegem uma área, ou protegem pessoas importantes, forças tarefas encarregadas de limpar uma área de vampiros, etc. Além disso trás também exemplos de táticas preferidas por estes grupos em ação e nove páginas com história de personagens que podem ser usados na campanha.
O primeiro capítulo é uma delicia de ler e acredito que um narrador empolgado em usar a SI em sua campanha ficará folheando e lendo as primeiras páginas várias vezes antes de avançar no livro.
SPECIAL WEAPONS
Esse capítulo é endereçado pra galera que gosta de ficar escolhendo o equipamento que irá usar durante a aventura. São 20 páginas com lista de armas de fogo, armas brancas, veículos, equipamentos tecnológicos e artefatos arcanos. Há várias armas de combate pesadas, coletes e armaduras que protegem de ataques de vampiro, equipamentos tecnológicos que auxiliam a detectar vampiros que querem se manter fora da visão humana, veículos que vão desde carros da polícia até helicópteros de combate e alguns itens arcanos que ajudam a burlar a feitiçaria de sangue dos Tremere e outros poderes vampíricos. Um capítulo que se não é imprescindível tem seus méritos.
DANGEROUS GAMES
Esse capítulo na minha opinião é a alma do suplemento. Ele descreve como as inúmeras equipes da SI agem e bolam suas estratégias de ação antes de atacaram ou agirem contra os vampiros. Ele descreve os procedimentos de operação básicos, as táticas investigativas para descobrir os vampiros através de análise de padrões de caça, usando agentes infiltrados nos rebanhos, uso de vigilância eletrônica, ataques diretos, sequestro, extorsão, tortura e várias outras ideias para serem usadas pela equipe de caçadores.
Além disso ele vem com várias dicas para que o Narrador possa conduzir uma aventura sem muitos rolamentos de dados, mantendo a ação e o senso de perigo constante para os jogadores durante a sessão de jogo. Os exemplos usados no texto servem muito bem como sementes para aventuras ou para uso em campanhas já em curso.
FIRE TEAMS
Este capítulo detalha os grupos que dão suporte a SI nos EUA, Reino Unido, Rússia e Brasil. Aqui se explica um pouco mais sobre a atuação do BOES no Brasil, por exemplo, e sua relação com o Vaticano e a Sociedade de Leopoldo. Como atuam e a quem respondem as agencias americanas da FIRSTLIGHT, IAO, FBI, DEA, CDC, entre outras, no combate ao vampiros. Aqui aprendemos um pouco mais sobre o Vaticano e sobre La Entità, um grupo dentro do Vaticano composto por nove homens desconhecidos e misteriosos selecionados de dentro da Igreja Católica e que coordenam as atividades de extermínio de criaturas sobrenaturais pela Inquisição. É explicado também sobre a Sociedade de Leopoldo, grupo criado no século IX por Leopoldo de Murnay e o Papa Gregório durante a Primeira Inquisição, e seus diversos grupos internos, como: as Crianças de Lazarus da França; os Irmãos Humildes de São Roque, conhecidos como “ratos de Veneza”, preocupados com a restauração da cidade eliminando a influência dos vampiros nela; a Gladius Dei, braço armado da Sociedade Leopoldo; e a Ordem de São Paulo, baseada na cidade de SP, que recrutam seus membros entre ex-membros do BOES e possuem alguns dos mais perigosos artefatos arcanos de posse da Igreja Católica, tendo também ligação direta com La Entità.
Este capitulo descreve também algumas organizações parceiras da coalizão, composta por grupos do Egito, França, Israel, Polônia, Suécia e Japão. Este último inclusive é citado em uma parte do capitulo desta forma:
"Por muito tempo considerado um lugar relativamente seguro para os Membros conduzirem negócios, o Japão viu um influxo de vampiros procurando um porto seguro para enfrentar a Segunda Inquisição. Embora a superlotação tenha dificultado a alimentação, foi apenas o assassinato brutal do príncipe de Tóquio por caçadores amadores do “D-Club” fortemente armados que alertou os Membros que a Máscara do Japão não estava mais intacta. Enquanto vários Membros agora afirmam governar a cidade, a corte está ansiosa para coroar qualquer um que lide com os caçadores como o legítimo Príncipe."
Ou seja, nada de Vampiros do Oriente por enquanto para a 5ª ed. São os cainitas que mandam também nos países do oriente.
Neste capítulo há uma parte dedicada a descrever como atuam as forças policiais locais, já que por ser uma “organização” secreta a SI não atinge todas as forças de segurança e a polícia pode ter seu próprio grupo de caça a vampiros devido a quantidade de crimes que estes policiais investigam provocado pelos cainitas em sua cidade ou região. Além deles é descrito clubes de caça amadores, formado por pessoas comuns que querem dar o troco nos vampiros por algo que eles fizeram diretamente ou não contra eles. Explica como o crime organizado lida e negocia com os vampiros e o papel dos teóricos da conspiração nisso tudo, já que eles podem ajudar ou atrapalhar a máscara. Assim como no primeiro capítulo são descritos NPCs genéricos, com estatísticas resumidas, um breve histórico e uma habilidade especial caso o personagem tenha.
MIRROR MAZES
O quinto e último capitulo é dedicado a capacitar o narrador a criar suas campanhas e aventuras usando a SI. São sugestões de estruturas e elementos de campanha, dando várias ideias usando exemplos simples e diretos. As ideias vão desde investigação até ocupação da cidade e extermínio dos vampiros pelas forças da coalizão. Um capítulo essencial para uso deste suplemento e que fecha com chave de ouro o livro.
AVALIAÇÃO
Eu gostei bastante do livro pelas informações que trás e pelas possibilidades de ideias para uso em campanha. Dentro da nova maneira de se abordar as informações passadas para os leitores na 5ª edição achei o livro bem direto, sem muita firula. Lembrei do antigo suplemento Inquisition para 2ª edição, se não me engano, e achei o material bem superior ao antigo. Principalmente porque não fica preocupado em longas explicações sobre a história e a origem dos grupos, ficando centrado apenas na sua organização atual e modo de atuar. Alguns podem reclamar que um livro desse não poderia ter apenas 166 páginas, como já vi alguns reclamando, mas eu penso que para um livro que vai servir de apoio para criação de inimigos e aventuras tá de bom tamanho.













Rapaz, foi por causa do teu blog que eu comecei a me interessar por V5. Estou lendo as suas resenhas dos suplementos e acho que, em breve, vou comprar o livro básico e a HQ.
Fala, meu amigo. Muito feliz pelo seu comentário. É por isso mesmo que me disponho a escrever no blog e fico muito contente por saber que consigo ajudar a divulgar nosso hobby. Grande abraço.