Jogando De Mortal No V5.

Foi lançado recentemente o Vampire: The Masquerade Companion para o V5 (clique AQUI para saber mais) e entre tantas novidades trazidas por esta edição especial de apenas 65 páginas temos o capítulo que possibilita criar personagens humanos jogáveis. Na minha humilde opinião mais importante do que trazer de volta três clãs para o jogo a criação de personagens humanos, sejam mortais normais ou carniçais, é pra mim a grande sacada do suplemento. Isso porque nas edições anteriores de Vampire jogar de humano era somente uma opção se fosse de caçador. O próprio livro básico do V5 trás estatísticas de humanos na seção de Antagonistas, mas não de personagem jogável.

V5 - Vampire the Masquerade - Session Fifty - The Messiah Complex (Part  Two) : WhiteWolfRPG


Para narradores, como eu, que gostam de traçar um passado para os personagens na mesa, mais do que no background escrito pelos jogadores, e que curte campanhas que avançam lentamente, essa opção para criação de personagens que no futuro se tornam vampiros é excelente. Imagine o narrador fazendo toda a primeira parte da campanha com jogadores mortais que experimentam prazeres simples como almoçar com amigos, poder ver o nascer do sol em uma praia com uma pessoa amada, viajar para qualquer lugar e então na segunda parte da campanha isso tudo é tirado deles. E mais, agora devem experimentar a sensação de matar para saciar sua fome. Isso trás grandes possibilidades para uma campanha de V5. Vamos então falar um pouco mais sobre jogar como humano no cenário.

POR QUÊ JOGAR DE MORTAL?

Eu gosto de pensar que construir a história do personagem enquanto mortal durante uma campanha e descobrir porque um vampiro se aproximou dele e o transformou é uma possibilidade narrativa sensacional. Isso é muito melhor do que o jogador descrever de maneira romântica sua transformação. O personagem poderia trabalhar para os vampiros sem saber, ou até mesmo sabendo, e vê-lo fazendo coisas questionáveis, ou se negando a fazê-las para os Membros, dá vários gatilhos para sessões de jogo. Assim como os vampiros os mortais também começam com humanidade 7 e podem ir perdendo pontos durante a campanha. Um mortal que reduziu sua Humanidade para 3 ou menos está sujeito a uma Compulsão que surge sempre que ele falha em um teste e que não pode ser ignorado através da Força de Vontade. Quando chega a 0 o jogador perde o personagem, que passa a ser um NPC.

Os mortais tem seus Touchstones próprios. Pra quem não está familiarizado com o sistema do V5, Touchstones são pessoas especiais para os personagens, como amigos próximos, familiares ou amores, que os prendem à Humanidade. Mesmo que eles não tenham a Besta, os humanos são tão vulneráveis ​​a perder suas convicções e regras morais quanto os Membros. 


E aí que está a graça de jogar com um mortal. Vê-lo lutando para manter sua humanidade ou se entregando para a escuridão. As duas maneiras podem fazer um vampiro se interessar pelo personagem e querer transformá-lo. Vê-lo tentar proteger suas touchstones. ou suas convicções, passa a ser o elemento que o narrador irá usar para criar desafios para o jogador. O mortal pode ser também um touchstone de um vampiro, não sabendo quem seu protetor é na verdade, ou então sendo um carniçal que conscientemente serve a um mestre vampiro, e que graças a vitae dada por ele tem acesso a poderes que ele nunca imaginou, além de desejar se tornar um dia também um vampiro. Ou então ele pode odiar servir a um vampiro, mas temendo por sua vida, ou de seus trouchstones, faz tudo que é ordenado mas sonha um dia se livrar dessa maldição. Tudo isso são enormes possibilidades para uma narrativa de horror pessoal.

CRIANDO UM MORTAL

A criação de um personagem mortal segue um script muito parecido com a criação de um vampiro, com poucas diferenças. Começa escolhendo-se um Conceito, independente se o personagem sabe ou não da existência dos vampiros. Alguns exemplos listados no Companion são:

  • Um filho que acredita que seu pai foi morto por um vampiro e é movido por vingança;
  • Cônjuge de luto atrás seu parceiro desaparecimento;
  • Ex-segurança que agora trabalha para os membros;
  • Estudante universitário desavisado;
  • Viciado em adrenalina;
  • Hacktivista experiente em tecnologia;
  • Uma Blood Doll que se diverte sendo alimentada por vampiros;

Depois escolhe-se suas Ambições e Desejos normalmente e distribui-se seus pontos de personagem começando pelos Atributos.

  • Melhor Atributo 4 Pontos
  • Três Atributos 3 Pontos
  • Quatro Atributos 2 Pontos
  • Pior Atributo 1 Ponto

Vitalidade e Força de Vontade como normal também, e em seguida a escolha das Perícias que é idêntica aos dos vampiros:

  • JACK ALL TRADES: Uma habilidade em 3; oito Habilidades em 2; dez habilidades em 1;
  • EQUILIBRADO: Três habilidades em 3; cinco habilidades em 2; sete habilidades em 1;
  • ESPECIALISTA: Uma habilidade em 4; três habilidades em 3; três Habilidades em 2; três habilidades em 1.

Adicione especialidades gratuitas a Academics, Craft, Performance, e habilidades científicas. Pegue mais uma especialidade de graça. As especialidades podem ser aplicadas apenas a habilidades com pelo menos um nível.

Mortais tem direito a 7 pontos de Vantagens e devem ter 2 pontos em Desvantagens, não sendo permitido pegar Vantagens exclusivas de vampiros ou carniçais, embora sejam possível usar Loresheets exclusivas de Membros, apesar de não ganharem os benefícios de jogo por isso, sendo algo que deve ser trabalhado junto ao Narrador apenas para dar vida a narrativa e construção do personagem. Por fim devem escolher de 1 a 3 convicções e o mesmo número de touchstones. Se o Narrador permitir o personagem pode começar a sessão com humanidade acima de 7.

SENDO UM CARNIÇAL

Acho a ideia de se jogar com um Carniçal tão boa quanto de jogar com um Mortal comum. Inclusive já fiz uma campanha com minhas filhas onde elas eram filhas de Carniçais do Sabá sendo preparadas para um dia substituírem os pais nos deveres aos seus Mestres. As implicações em uma campanha assim são fantásticas, e embora eu ache os Carniçais do Sabá mais interessantes, principalmente por conta da história das famílias de carniçais que servem aos vampiros há séculos, vejo com bons olhos a ideia de se criar personagens carniçais para servir a Camarilla ou aos Anarquistas.

Vampire: The Masquerade Companion Review | TheGamer


Se quiser saber um pouco mais sobre os Carniçais do Sabá para a 3º edição clique AQUI. Para saber um pouco mais sobre minha campanha com esses personagens com minhas filhas (lembrando que na época elas eram adolescentes, por isso seus personagens também eram adolescentes) cliquem AQUI.

A criação de personagem Carniçal é igual a mostrada acima para Mortais comuns, com apenas duas diferenças: o personagem pode pegar um ponto em uma disciplina possuída por seu Mestre e se curam no dobro da velocidade de um Mortal comum.

Jogar com um carniçal é interessante porque coloca os personagens em situações como agir durante o dia fazendo o serviço sujo que os vampiros não podem fazer. Além disso precisam manter a Máscara e participar da sociedade de predadores temendo a qualquer momento virar vítima de um deles. Podem ser usados como Guarda-Costas de seus senhores ou como infiltrados em posições de poder mundano na cidade. Além disso podem ter disputas com carniçais de outros vampiros ou serem enviados para confrontar vampiros de outros clãs ou seitas. A degradação moral a que está sujeita um Carniçal é bem maior que um Mortal comum, por isso sua humanidade pode cair rapidamente facilmente, o que fará o Carniçal a questionar suas ações (ou então o jogador perde seu personagem), criando sutuações de jogo bem interessantes.

SUJESTÕES DE AVENTURAS COM MORTAIS

Os jogadores são estudantes universitários bolsistas trabalhando para um professor de história antiga que é na verdade um Carniçal de um vampiro que deseja encontrar relatos antigos, perdidos, da história dos vampiros. Eles passam horas analisando textos antigos que acreditam ser apócrifos. Aos poucos eles vão sabendo mais sobre os vampiros e sobre a existência deles. Um grupo de vampiros contrários ao vampiro que controla o professor quer o conhecimento que eles estão descobrindo e isso cria um conflito de interesse.

Os jogadores são Carniçais que servem a vampiros poderosos da cidade, entretanto um ataque da SI elimina esses vampiros. Eles agora estão por sua própria conta. Eles irão se unir a outro vampiro da cidade? Qual vampiro eles irão procurar? Este vampiro irá querer que eles trabalhem pra ele ou irá exigir algo em troca antes? Eles se tornarão vampiros independentes (página 55 do Companion)? Ou será que o ódio que os outros vampiros da cidade nutriam por seus senhores fará com que sejam caçados? Irão eles se unir aos Anarquistas ou tentar de alguma maneira sua admissão na Camarilla outra vez?

UM ADMIRÁVEL MUNDO NOVO

Como disse antes acredito que a possibilidade de jogar com Mortais ou Carniçais tenha sido a grande novidade do Companion. Já tem muito clãs no cenário e mais três pra mim não é tão sensacional assim. Começar toda uma campanha, desde a sessão zero, com personagens mortais é bem legal, e possibilita para Narradores mais experientes explorar bastante o horror pessoal que o cenário exige. Eu estou tão empolgado que já propus pras minhas filhas fazer novamente um cenário com elas de Mortais comuns ou carniçais no V5, o que elas toparam prontamente. Assim que tiver novidades sobre essa campanha eu compartilho com vcs.

Se você não baixou ainda o Companion vai lá e baixa logo, porque o suplemento tá bem legal.

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