
Logo no seu início Vampiro: A Máscara concentrava a descrição de seus cenários apenas em cidades americanas, pouco ou nada falando de cidades mundo afora. Com a popularização do jogo a nível mundial, a White Wolf, editora do jogo, sentiu a necessidade de lançar alguns suplementos explicando como os vampiros se organizavam em outras cidades do mundo, devido ao interesse dos jogadores em saber como seria a dominação vampírica na região onde viviam, querendo jogar aventuras em suas próprias cidades. Vários grupos de jogos passaram a fazer uma versão by night de sua cidade. No Brasil a revista Dragão Brasil chegou a lançar uma edição especial, Temporada de Caça, trazendo uma versão de São Paulo do Mundo das Trevas por falta de um material oficial do jogo.
A White Wolf decidiu então publicar alguns livros sobre cidades fora dos EUA, como Berlin by Night, Cairo by Night, Montreal by Night, Mexico City by Night, e um sourcebook chamado A World of Darkness que abordava algumas áreas do mundo não cobertas pelos livros by night, tentando compensar essa falha.
A primeira edição de A World of Darkness, lançado em 1992, dava detalhes sobre a Europa, em especial a cidade de Londres e as Ilhas Britânicas, Jordânia, Hong-Kong (quando se falou dos Gakis pela primeira vez) e Haiti, mas nada abordando a América do Sul ou o Brasil. Já na segunda edição, publicada em 1997, o livro ampliou seu leque de regiões e deu mais detalhes sobre o Egito, Austrália, África, Caribe e a América do Sul e Central, explicando um pouco sobre o Brasil e nossos vizinhos, mas ainda sem dar um grande destaque a região ou ao nosso país.
A partir da edição de 20 anos de Vampiro: A Máscara, do Diário de Beckett e agora na 5ª edição de Vampiro: A Máscara, a White Wolf procura compensar a falta de informações mais detalhadas das edições anteriores sobre a América do Sul e a região ganha um pouco mais de destaque, assim como o Brasil. Como acho interessante jogarmos em cenários nacionais sempre que possível, e procurando incentivar narradores a criar histórias usando como palco nossas cidades, esse artigo irá tentar reunir o máximo de informações possível sobre o Brasil, suas cidades, e nossos vizinhos, contida nos livros A World of Darkness 2ª edição, Vampiro: A Máscara Edição de 20 anos, Diario de Beckett, Vampiro: A Máscara 5ª edição, Camarilla Sourcebook e Anarch Sourcebook, Dread Names: Red List para dar suporte aos narradores que queiram usar nosso país em suas crônicas. Lembrando que se esqueci de alguma coisa convido aos fãs do cenário para comentarem abaixo. Toda contribuição é bem vinda.
A AMÉRICA DO SUL E OS VAMPIROS AMERÍNDIOS
A White Wolf não dá muitos detalhes sobre a América do Sul antes da chegada dos Europeus ao continente. O que se sabe é que a Camarilla e o Sabá lutam pelo controle da região desde o momento que começaram a migrar para cá, enquanto Setitas e Giovanni procuram controlar áreas nas quais as duas seitas não possuam influência. A região é considerada cheia de oportunidades para vampiros Ancillae e Neófitos, já que por aqui não há Anciões em abundância como na América do Norte e Europa. No entanto há um lado negativo, já que a região é repleta de perigos, vampíricos ou não, que colocam até o mais experiente dos Membros em risco, e nos lugares onde domínio das seitas não é predominante um vampiro em apuros não tem como recorrer à proteção de um príncipe, arcebispo, arconte ou algo do gênero.
Apesar do Diário de Beckett comentar sobre o Legado dos Afogados essa informação é pouco explorada nos livros anteriores, a exceção recente do livro da Camarilla do V5 que faz uma menção direta a eles. Os Legados dos Afogados são vampiros nativos da América do Sul que dizem ser uma variante dos cainitas assim como são os Laibon da África, enquanto outros veem neles um fenômeno semelhante ao Kuei-jin, da Ásia. Eles possuem a capacidade de se disfarçarem como Membros escondendo sua verdadeira origem, infiltrando-se na sociedade dos cainitas, camuflados por sua própria Máscara, esperando o momento certo para se revelarem.
Fala-se pouco também sobre os a linhagem de sangue Tlacique, dos Setitas (agora chamado de Ministério), que ao invés de adorarem Set veneram Tezcatlipoca, o deus das trevas e da feitiçaria asteca. Quando os vampiros europeus chegaram ao México, encontraram os Tlacique dominando abertamente os astecas, incas e outras civilizações como deuses sanguinários que exigiam sacrifícios humanos. A princípio os Tlacique deram boas-vindas aos recém-chegados, mas isso se transformou em ressentimento quando os Membros destruíram as civilizações nativas. Acostumado a dominar os mortais, os Tlacique não conseguiam entender porque a Camarilla não fazia o mesmo. Eles se aliaram ao Sabá, trabalhando juntos para expulsar a Camarilla do México. Mas, embora o Sabá tenha adotado com prazer os elementos mais sangrentos do ritual de Tlacique, eles não possuíam as mesmas crenças espirituais que Tlacique. Logo o Sabá se voltou contra eles também.
Nas noites modernas, acreditava-se que os Tlacique estivessem extintos pelos poucos Membros que ainda existem. No entanto alguns sobreviventes existem à margem da sociedade dos vampiros, espalhados pelas selvas e montanhas da América do Sul, e até nas cidades. Eles abraçam exclusivamente nativos americanos, ainda ressentindo-se com a destruição européia de suas pátrias. Ao que parece, eles estão formando uma aliança com os necromantes Pisanob, uma linhagem de sangue dos Hecate. Para saber mais sobre os Tlacique, e até criar um personagem jogável, eu aconselho a baixarem o livro da linhagem Tlacique feito pela equipe do Brasil in the Darkness, grupo especializado em criar conteúdo para o Mundo das Trevas usando a cultura e a história do Brasil e da África. O livro pode ser encontrado no site Storytellers Vault clicando AQUI pelo valor de $3,99. Curtam a página deles no Facebook também clicando AQUI.

Os Pisanob originaram-se de necromantes astecas que foram abraçados por Giovannis espanhóis durante o século XVI, a fim de preservar suas tradições únicas da extinção pelos colonizadores europeus. Embora a maioria de seus refúgios no interior mexicano permaneçam seguros, muitos lugares foram comprometidos recentemente por contra de uma guerra com os Harbingers of Skulls, o que resultou na morte do seu líder, Pochtli. Mesmo com seu número diminuído, eles foram reconhecidos como uma linhagem dentro dos Hecata na Reunião de Família que ocorreu em Veneza após os ataques da Segunda Inquisição e formou o novo Clã da Morte. Os Pinasob podem ser encontrados em todas as partes da América do Sul nas noites atuais, principalmente no Brasil.

NOSSOS VIZINHOS
Sobre os países vizinhos ao Brasil temos algumas informações espalhadas em vários livros e sites oficiais, mas que juntando dá para ter um panorama, mesmo que reduzido, do continente sul-americano.
Sobre a Argentina descobrimos, através do sourcebook da Camarilla, que Ricardo Lucero, um Ancião da cidade de Buenos Aires, que durante anos se passou por um Tremere, é na verdade um Kalku. Os Kalku são uma linhagem dos Legados dos Afogados nativos da Argentina e do Chile, possuidores de uma disciplina que permite controle sobre o sangue de suas vítimas, manipulando-o de acordo com sua vontade. Ele substitui a Matusalém Toredor de 4ª geração, Callisti y Castillo, conhecida pelo nome de Alexandria, como Governador de Buenos Aires (título equivalente a Príncipe), com a concordância dos demais Membros da cidade que não pareceram surpresos com a revelação, e acharam que nas noites atuais, onde a Segunda Inquisição é uma ameaça a sociedade vampírica, Lucero por ser um dos vampiros mais antigos da cidade era a melhor escolha. Além dos Kalku existem no país outro Legados dos Afogados, chamados Karai Pyrahe, também nativos do Peru. Eles possuem os poderes de imitar os sons de qualquer criatura, andar sem emitir nenhum som ou deixar rastro, e contorcer seu corpo passando por espaços impossivelmente pequenos. Quando caem em Rötschreck eles fogem até encontrar um espaço totalmente fechado. São acusados também de serem responsáveis pela criação de vários Sangue-Fracos nas noites atuais.
Da Venezuela ficamos sabendo que o famoso vampiro Xavier de Cincao, um Tremere de 4ª Geração, membro do Círculo Interno que vivia em Barcelona, e era responsável pela Península Ibérica, foi transferido para este país para supervisionar o continente sul-americano, bem como o México e Caribe, até ser destruído em sua capela em 2005. Alguns vampiros vinculam seu assassinato ao ressurgimento dos Legados dos Afogados no continente. Xavier de Cincao sentia que existia algo ameaçador nas florestas tropicais da Amazônia, e defendia a limpeza da floresta com fogo. Abordaremos essa história mais tarde, em outro artigo, quando explicarmos sobre cidades brasileiras. A cidade de Caracas é governada atualmente pelo príncipe Tomás Marcello, que inicialmente era um carniçal dos Giovanni até ser abraçado por Xavier de Cincao, como uma provocação ao necromantes. Depois que Marcello assumiu sua posição como príncipe da cidade, sua primeira medida foi banir todos os membros dos Giovanni da cidade. Ele se dedicou a fortalecer uma aliança com os Toreador, o que permitiu à Camarilla colocar protetorados na Guiana, Suriname e Guiana Francesa. Alguns boatos tentam prejudicar sua reputação afirmando ainda ser ligado à membros da família Giovanni, ou que possui ligações com o Sabá, mas esses rumores não conseguem abalar sua condução nos assuntos da cidade. A Venezuela também tem os Cipactli, um Legado dos Afogados que são uma linhagem antiga de predadores reptilianos que se espalharam do México para a Venezuela. Eles exibem características de crocodilo, semelhantes à afinidade ofídica dos Setitas, e geralmente têm cultos a deuses com forma de crocodilo onde fazem sacrifícios em massa.
Na Bolívia o Sabá fez várias tentativas de tomar o poder no país, sempre sendo derrotada por Xavier de Cincao e seus aliados sobrenaturais. Diziam que Xavier de Cincao havia feito pacto com várias criaturas sobrenaturais, entre elas Fadas e Metamorfos, para lutar contra a seita.
Já nosso vizinho Uruguai é controlado pelos Hecata, que tem os Giovanni como líderes. Além deles os Toreador são encontrados em abundância no país. Os Membros pertencentes a Camarilla parecerem não se opor ao controle do Clã da Morte, que governa de forma benevolente e por isso não encontram oposição. Ele controla boa parte das industrias do pais, provavelmente através dos Dunsirn, uma família rica de banqueiros que é uma linhagem de sangue dos Giovanni.
Sobre o Chile se sabe muito pouco. Apenas que além dos Kalku, um dos Legados dos Afogados, serem originários do país, que a Matusalém Toreador Callisti y Castillo, que foi Príncipe de Buenos Aires, controla seus cassinos. No Chile também encontramos os Capacocha, os Imortais de Múmia: A Ressurreição da América do Sul.
[Editado] Sobre o Peru soubemos que além de ser local do surgimento dos Legados dos Afogados Karai Pyrahe que a Príncipe de Lima se chama Carmelita Marie Santo, mas sem sabermos clã ou geração. Sabemos também que o Príncipe de Arequipa é um Ventrue que é controlado pelos anciões da Cidade, além de manipulado pelo Ministério e Giovanni, e que sua cidade tem um grande número de Anarquistas. Um ancião de nome Nuñez é muito influente por lá.
Sobre a Colômbia sabemos apenas que o Legados dos Afogados, Lostundo, vivem por lá, e existem rumores de que eles se infiltraram nos cartéis de drogas de Cáli e Medellín. Os Lostundo podem assumir as características e a aparência daqueles de quem se alimentam, usando essa capacidade para atrair suas presas para fora da segurança de suas casas. Eles não podem usar nenhuma de suas habilidades de mortos-vivos enquanto estiverem em casa ou no refúgio de outros, a menos que consumam o sangue do proprietário. Um estudioso Caitiff, chamado Solomon Gray, menciona uma linhagem conhecida como Pasdoranitas como sendo nativa da Colômbia e que pode ser também do Legados dos Afogados, mas por ser Caitiff dão pouca importância ao seu estudo. [Editado] Após a conclusão desse artigo recebi a informação que o Príncipe de Bogotá se chama Marcos Belegrad, um Toreador de geração desconhecida.
O BRASIL
Para entendermos como se deu a ocupação do país pelos vampiros cainitas é preciso primeiro lembrar que o Brasil foi colonizado por portugueses, e espanhóis em menor parte, e portanto o suplemento Ibéria by Night, um suplemento de Dark Ages, nos ajuda a entender a história de Portugal e Espanha sobre o ponto de vista dos Membros. O Lasombra era o clã que dominava a Península Ibérica desde a Reconquista das Sombras, que foi o esforço de Christian Lasombra e seus aliados em acabar com o poder muçulmano na região, e por isso não é surpresa que tenham sidos os primeiros vampiros a viajarem para cá. Foram inclusive os Lasombra que financiaram a expedição de Gonçalo Coelho, navegador português que pertencia a uma família rica no norte de Portugal, que comandou duas expedições (1502 e 1504) que exploraram grande parte da costa brasileira. Entretanto foram os Toreador que financiaram a construção de boa parte das fortificações nas novas terras do continente, interessados em migrar para o país, fazendo surgir uma rixa entre os dois clãs ao se estabelecerem por aqui.
Apesar de Lasombra e Toreador serem os clãs que comandam a maior parte das cidades no Brasil são os Gangrel que possuem a maior população de Membros, a ponto de não se saber ao certo a quantidade de vampiros deste clã existentes no país, muito em parte devido a grande extensão de florestas encontradas por aqui o que torna a região muito popular entre os vampiros do clã. Além deles vários Giovanni, de origem espanhola e italiana, muito por conta da imigração italiana, podem ser encontrados no país, vivendo em domínios independentes. Muitos Ministros, que chegaram no país quando começaram a usar africanos como escravos, também são encontrados em grande quantidade, assim como vampiros Laibon pelos mesmos motivos.
Poucas são as cidades brasileiras abordadas nos livros de Vampiro: A Máscara, sendo Rio de Janeiro, São Paulo, Manaus, Natal, Vitória e Brasilia as que possuímos mais informações. No próximo artigo irei comentar sobre essas cidades e o que sabemos sobre elas.
O BOES
Outra adição interessante ao cenário da 5ª edição é a participação de um grupo militar brasileiro na Segunda Inquisição. A origem deste grupo começa nos anos 80 no Rio de Janeiro quando foi formado um esquadrão de elite da polícia com agentes imunes a corrupção para combater o crime organizado. Eles tinham também como objetivo desvendar casos de pessoas desaparecidas, raptadas e vitimizadas, sem saber inicialmente que esses crimes tinham ligações com os vampiros. O grupo era financiado com dinheiro apreendido dos chefões do crime organizado e foi batizado de BOES (Batalhão de Operações Especiais). Quando a Sociedade de São Leopoldo se juntou a Segunda Inquisição, ela se aproximou do BOES e os trouxe para combater os vampiros. O grupo espalhou agentes de sua confiança nos comandos dos principais grupos de operações especiais das polícias militar em São Paulo (ROTA – Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar), Belo Horizonte (BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais), Rio de Janeiro (BOPE – Batalhão de Operações Policiais Especiais) e Vitória (BME – Batalhão de Missões Especiais).
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O BOES se tornou uma ameaça significativa para as atividades dos cainitas, por conta de seu treinamento especializado, com décadas de experiência de caça, e é considerado entre os vampiros a força humana mais ameaçadora do planeta. Os agentes mais veteranos do BOES chamam as unidades de combate de “Sagradas“, mostrando toda sua fé e ódio contra os seus inimigos sobrenaturais. Com apoio militar e financeiro dos EUA, via IAO (Information Awareness Office), foi questão de tempo até o BOES expandir suas operações fora do Brasil. É possível saber de ações coordenadas de esquadrões do BOES em Caracas, Bogotá e até Luanda.
No livro básico do V5 foi descrito que a queda da Capela Tremere em Viena contou com a ajuda inestimável do BOES com um grupo de experientes caçadores de vampiros no ataque terrestre, enquanto a SOCOM (Comando de Operações Especiais, americana) fazia ataques com drones e a Sociedade de São Leopoldo ajudava com artefatos místicos.
NO PRÓXIMO
Esperam que tenham curtido as informações e que elas ajudem a narradores e jogadores e imaginar o cenário de Vampiro: A Máscara no território sul-americano. No próximo artigo irei comentar sobre as cidades brasileiras, alguns de seus personagens famosos e dar ideias de campanhas no Brasil. Até lá.









Eu lembro de ter feito um Araruama by Night. A galera curtiu e os narradores seguintes continuaram as sessões no cenário.