Devo Ou Não Devo Trocar de Edição?

mestre

Recentemente foi lançado mundialmente a 5ª Edição de Vampiro: A Máscara, pela editora White Wolf, e com ele veio aquele velho dilema que acomete narradores e jogadores toda vez que um cenário ou sistema é atualizado com uma nova edição: Devo comprar a nova edição ou não? O que faço com minha edição antiga?

A nova edição de um RPG icônico.

Isso aconteceu quando foram lançadas as várias edições de D&D, com as edições de Shadowrun e GURPS, quando foi anunciado a 7ª edição de Call of Cthulhu logo depois que foi lançada a 6ª edição no Brasil, e mais recentemente com a 2ª edição dos livros das Crônicas das Trevas (O Réquiem, O Despertar, Os Destituídos, Os Perdidos, etc), apenas para citar alguns exemplos. Os jogadores ficaram indecisos sobre adquirir a nova edição ou permanecer com a antiga, recorrendo a fóruns e páginas de fãs dos jogos, no Facebook ou na internet, para perguntar o que fazer diante do lançamento de uma atualização de seu jogo preferido.

Para responder essa pergunta, e tentar acalmar a angústia que toma conta de alguns jogadores e narradores por conta disso, vamos analisar algumas circunstâncias em relação as novas edições dos livros de RPG.

O RPG É UMA INDÚSTRIA

A industria de RPG vive da publicação de livros e de novos jogadores. Daí vem a necessidade de vez em quando de se lançar novos livros, alguns com uma roupagem totalmente nova, outros apenas com algumas poucas atualizações, com o objetivo de atrair novos jogadores e fazer os antigos gastarem dinheiro novamente, comprando novas edições. Sem essa renovação a industria já teria morrido há tempos, e não teríamos nossos jogos preferidos nas prateleiras das lojas ou nas estantes virtuais. Os designers de jogos, e as empresas para qual eles trabalham, sobrevivem dessa forma, então é natural que atualizações sejam feitas para fomentar a industria e fazer todo mundo manter seus empregos.

O RPG É MUTÁVEL

O RPG não é estático, está sempre em movimento, se atualizando, se reinventando e sendo reinventado pelos designers. Os tempos mudam, as pessoas mudam e com isso as regras também mudam, ou se adequam aos novos tempos, aos novos jogadores, e as inovações que surgem no meio. E essas novidades precisam ser colocadas em novas edições para que o RPG possa continuar sendo atual. Sem elas o interesse pelo hobby provavelmente já teria morrido e não teríamos novos jogos sendo lançados. A mudança é benéfica para o RPG e ela deve acontecer de tempos em tempos para renovar sua prática.

O RPG É FEITO DE IMAGINAÇÃO

Por ser um jogo de imaginação, onde tudo é possível, pessoas em épocas diferentes imaginam coisas novas para aquele cenário, ou sistema, que já estava sendo jogado há tempos. A imaginação permite criar novos desafios, novas respostas para um problema que acontecia nas edições anteriores, novas maneiras de se usar poderes, magias, ou qualquer coisa que exista naquele cenário, necessitando portanto de uma atualização do livro original. Manter tudo do jeito que sempre foi é pura falta de imaginação, e portanto foge a proposta do RPG. Repare que você mesmo, e seu grupo, já criou house rules para seus jogos de mesa, seja RPG ou Boardgame. É a imaginação que nos faz querer que mudemos algumas coisas que nos desagradam em determinada regra ou situação de jogo. As vezes essas mudanças são tantas que é necessário uma nova edição.

MUDANÇAS SÃO BOAS

As vezes jogar o mesmo cenário sempre da mesma maneira enjoa, e uma nova edição, com uma atualização das regras, ou principalmente do cenário, cria uma excitação que as vezes pode ter se perdido no seu grupo. Eu mesmo depois de muitos anos sem jogar o cenário do Mundo das Trevas fiquei empolgado com as revisões de cenário que resultou nas Crônicas das Trevas, voltando a narrar este cenário. Assim como acredito que a 5ª edição de Vampiro: A Máscara trouxe novamente um interesse de narradores e jogadores sobre o cenário.

ENTÃO ATUALIZAÇÃO É UMA COISA BOA?

A capa da 7ª edição de Call of Cthulhu.

Sim. Pensando nisso tudo a atualização de um jogo de RPG com uma nova edição é algo que deve acontecer de vez em quando e é benéfica para o hobby. Mas a pergunta que realmente devemos fazer é: Mas eu preciso comprar a nova edição?

Para esta pergunta temos também que considerar algumas circunstâncias que estão por trás da prática do hobby. Vejamos:

O RPG NÃO É SOFTWARE

Não é porque foi lançada uma atualização do RPG que você costuma jogar que você tem que adquirir a nova edição. Seu jogo ainda funciona, sua campanha ainda roda e a aquisição de uma nova edição deve vir acompanhada de outras circunstâncias além de somente uma necessidade auto-imposta de compra-la. Muitas vezes as modificações trazidas pelo novo cenário contradizem sua campanha atual, ou a maneira que você e seu grupo imaginam o cenário. Dessa forma comprar a nova edição não parece ser algo interessante para seu grupo.

CONHEÇA ANTES

Lembro bem a decepção que alguns jogadores e mestres do D&D tiveram com a 4ª edição. A decepção foi tanta que vários jogadores que estavam vendendo, ou tinha vendido a edição anterior, chamada de 3.5, desistiram de se desfazer da antiga. Por isso é importante conhecer a nova versão para ver se você vai gostar das mudanças, seja na regra ou na ambientação. Procure saber se tem um quickstart do jogo para que você e seu grupo possam testar antes de adquirir a nova edição. Sair comprando só porque saiu uma nova edição, sem saber se as novas regras estão coerentes e divertidas pra você e seu grupo, não é a melhor ideia. Teste, experimente, e caso aprove então compre-a.

NEM SEMPRE O QUE É VELHO É PIOR

Ficar jogando com a edição anterior não faz do seu jogo, ou da sua campanha, pior nem melhor. As vezes por uma questão de gosto narradores preferem ficar com o sistema antigo ao da atualização. Seja porque não curtiram a nova versão, seja por falta de acesso a compra do novo material, seja porque já investiu muito na edição antiga pra ter que se desfazer de tudo e comprar a nova edição. Existem grupos que fazem vaquinhas para compras de livros, e dependendo do cenário há vários suplementos que muitas vezes nem foram jogados em sua totalidade pelo grupo. Por quê se desfazer dos livros agora? Use-os bastante primeiro, e se depois o grupo achar que a nova versão é melhor, compre a nova versão. E não é porque todo mundo está comprando ou jogando a nova edição que você precisa comprar ou jogar a nova edição. Lembre-se o que sua mãe sempre dizia pra você: “Você não é todo mundo”.

QUESTÃO FINANCEIRA

Outra questão que deve ser levada em conta é o fator financeiro. Com o real cada vez mais desvalorizado, tem ficado caro manter nosso hobby diante de tanto lançamento e de atualizações de sistemas. Por isso o jogador, ou o grupo, deve ser criterioso na compra dos seus livros. Seria muito legal se os praticantes do hobby puderem apoiar nossa industria e comprar os jogos que estão sendo lançados, mas se a questão financeira é um entrave não vá fazer loucura somente porque foi lançado uma nova edição. Vender tudo o que já tem e comprar tudo novo pode acabar doendo no bolso.

ENTÃO…

Comprar ou não uma nova edição do seu RPG ou Boardgame favorito deve levar em conta essas questões, deixando de lado um pouco a empolgação inicial de se comprar uma nova edição. As vezes você pode apenas pegar uma inovação que seu grupo achou interessante e adaptar para a sua campanha já em andamento. Adaptações de regras são tão interessantes quando a criação de novas regras para nossos jogos. Além disso tudo uma boa conversa com seu grupo de jogo deve ser levado em conta, afinal o RPG é uma atividade compartilhada com os amigos, e um consenso sobre a escolha da edição do jogo deve ser compartilhada também.

Dito isso tudo, reúna seus amigos e, independente da edição, viajem na imaginação que só o RPG proporciona e divirtam-se! Um abraço a todos.

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