Por Gustavo Tenório.

O livro básico.
Febre na década de 1990, o seriado Arquivo X nunca recebeu um RPG oficial, mas foi inspiração para pelo menos uma dezena de livros e suplementos dos mais variados sistemas. Um dos melhores (e que tenho sorte de ter em mãos) é Dark Matter, lançado pela TSR em 1999. Seguindo as regras de Alternity, cenário de ficção científica da editora estadunidense, chama a atenção pela qualidade do material e por seu conteúdo que permanece atual e pode servir de inspiração para várias aventuras de mistério, conspiração e horror.
Baseado no sistema D20, Dark Matter fez um relativo sucesso em seu lançamento e recebeu alguns suplementos. O mais interessante foi Xenoforms, um livro de criaturas com toques “científicos” que situava seres alienígenas e sobrenaturais em várias partes da Terra.
Dark Matter tem capa dura e 290 páginas de conteúdo. Tirando a introdução e explicação do funcionamento do sistema (que ficaram datados, em minha opinião, e não serão tratados nesta postagem) todo o restante do livro é muito útil e pode ser facilmente convertido para qualquer sistema. Seguindo a linha de sucesso do seriado Arquivo X, os jogadores assumem o papel de agentes do Instituto Hoffmann, combatendo uma conspiração alienígena e enfrentando seres que se encaixam no conceito de “monstro da semana”.

O suplemento “Xenoforms”.
De acordo com a história do cenário, duas civilizações alienígenas – os Greys e os Kinori, brigam por domínio da Terra desde a aurora da humanidade. Uma linha do tempo interessantíssima foi adicionada à publicação e trata desde o afundamento de Atlântida (motivada por este conflito entre os aliens) a passagens marcantes da História, como o surgimento das civilizações pré-Colombianas, as Grandes Guerras e o aparecimento dos seres sobrenaturais.
Além do conflito entre os seres espaciais e o surgimento de entidades sobrenaturais, Dark Matter tem forte pegada conspiratória, com um capítulo destinado aos vários grupos secretos que participam do processo de dominação mundial. Fazem parte da lista a Maçonaria, Rosa-cruzes, Ordem Secreta de São Gregório (a versão moderna Inquisição), Colégio Invisível, Cavaleiros de Malta (versão moderna dos Cruzados), Igreja Final (uma crítica fantástica ao fundamentalismo religioso dos televangelistas), Bilderbergers, governo dos EUA (com suas várias agências) e o próprio Instituto Hoffmann. Cada grupo tem sua história contada em detalhes e particularidades que podem ser encaixadas em várias aventuras.

Identificação do Instituto Hoffman.
Locais místicos e sobrenaturais também recebem tratamento especial e um capítulo a parte, com separação das localidades por continente de origem. Os oceanos, pólos norte e sul, e espaço sideral também foram considerados e apresentam ganchos para os mestres. Um capítulo sobre cryptozoologia traz 19 seres que podem ser confrontados pelos personagens, em clara inspiração ao seriado Arquivo X. O suplemento Xenoforms expande a lista com mais 48 criaturas.
Encerrando o livro, dicas de como conduzir uma aventura no universo de Dark Matter, uma aventura pronta para os jogadores e a possibilidade de interpretar um dos alienígenas infiltrados no planeta Terra.
Ainda me impressiono como um rpg como Dark Matter não tenha ganhado uma adaptação ou uma edição revitalizada. Apesar de contar com um sistema pouco amigável para os jogadores atuais (a ficha do jogo tinha três páginas), ele cairia como uma luva para a nova proposta de campanha interpretativa cooperativa. De qualquer forma, é uma das melhores transposições não-oficiais do seriado Arquivo X para as mesas de roleplaying game.









Joguei muito, assim como a versão do d20 modern. Agora eu adapto o cenário para o Hunter: The Vigil do Sotrytelling.