Nórdicos – Um Tipo Diferente de Herói.

Por Ivan Gágulich

Saudações meus queridos amigos e parceiros de jogo. A pedido do meu grande amigo André Cruz, o “Velhinho do RPG”, estou aqui publicando meu primeiro artigo, e quem sabe, o primeiro de muitos.

Eu jogo RPG a mais de 11 anos, e já passei por todo tipo de sistema, gênero e cenário, mas sempre me vejo voltando a boa e velha fantasia medieval. Desde criança as histórias sobre reis, cavaleiros e dragões são minhas favoritas e acredito que a mitologia é e sempre será o hobbie favorito dos RPGistas. Hoje quero falar sobre uma mitologia em especial: A mitologia nórdica.

Os guerreiros nórdicos.

Quando citamos o termo nórdico, a primeira coisa que surge em nossa mente é a palavra viking, os famigerados bárbaros assassinos, loucos, impiedosos, com capacetes chifrudos e que vem do mar para saquear e matar, mas a história nos conta outra coisa.

O que pouca gente sabe é que a palavra viking é na verdade um termo usado para se referir ao ato de pirataria e não ao povo em si, os vikings eram não só guerreiro e piratas, mas também comerciantes. Esses povos que se originam da região onde atualmente ficam países como Dinamarca, Finlândia e Noruega tinham uma cultura baseada no comércio e na guerra e eram os detentores da segunda melhor tecnologia de navegação do mundo.

Ao contrário do estereótipo moderno, os nórdicos não eram maníacos assassinos e descontrolados, pelo contrário, foi sua técnica superior em combate e táticas avançadas de guerra que os tornaram o terror que foram durante os séculos VIII a XI, e seus princípios de honra, glória, coragem e companheirismo os tornavam verdadeiros heróis para seu povo.

Navio viking.

Muitos dos elementos que usamos nos cenários medievais de RPG são tirados do imaginário nórdico, como gigantes que devoram gente, Trolls que se escondem na floresta, raças diferentes de Elfos, o conceito de anões mineradores, ferreiros e joalheiros, dragões que escondem tesouros em cavernas, Druidas que tiram seus poderes da floresta, todos esses clichês básicos de uma aventura de RPG são na verdade elementos retirados da mitologia nórdica.

Entretanto, por influência de autores como J. R. R. Tolkien esses elementos foram misturados com ideais heroicos mais europeus como o cavaleiro de armadura brilhante, o nobre duelista e o clérigo com poderes divinos, e o guerreiro nórdico acabou sendo pintado como vilão cruel do bom herói cristão. Em outras palavras, podemos dizer que a mitologia nórdica é o alicerce do RPG como o conhecemos.

O Herói nórdico se diferencia do que estamos acostumados nos cenários mais comuns de RPG, por sua forma diferente de encarar o mundo a sua volta e a influência dos Deuses em sua vida. Normalmente em um RPG o herói é diferente dos demais por sua coragem para enfrentar aventuras, mas para um nórdico, enfrentar o perigo é dever de qualquer homem que se preze.

Guerreiro nórdico e sua vítima.

Para os nórdicos, aqueles que demonstravam valor em combate, quando morriam no campo de batalha, eram levados até o Valhalla, onde festejariam ao lado dos Deuses, e este é uma das grandes diferenças, os nórdicos não temem a morte, e companheiros mortos eram tratados como heróis que alcançaram seu destino.

Outra grande diferença está na relação entre os nórdicos e seus deuses, que para eles não eram governantes onipresentes que se comunicavam por efeitos especiais e solicitavam missões em seu nome, se um Deus tinha um problema, ele mesmo resolvia e se um humano se deparasse com a oportunidade de auxiliá-lo, ele o ajudaria não por dever, mas pelo prazer de partilhar da glória de uma aventura ao lado de um Deus. O herói nórdico não se curvava diante de Deus, seu maior objetivo era que seus feitos o permitissem olha-lo nos olhos.

O perfil de um herói nórdico é completamente diferente do que se observa do estereótipo do cavaleiro europeu. Não se trata do jovem nobre, lindo e virtuoso, mas do homem de cicatrizes, que sorri diante da morte; Não se trata do filho do rei em busca de autoafirmação, se trata do camponês que ao saber do perigo transforma a ferramenta em arma para honrar seus ancestrais; Não se trata de um herói que surge por acaso ou predestinado desde o berço, mas um homem comum que sempre esteve preparado para responder ao chamado da batalha.

Bom, espero que tenham gostado deste primeiro artigo. Até o próximo!

5 pensamentos sobre “Nórdicos – Um Tipo Diferente de Herói.

  1. Opa Ivan. Só catando piolhos: além das lendas nórdicas, a literatura e mitologia grega (e povos correlatos :P) são muito mais o alicerce do RPG, com o conceito heroico superando as grandes batalhas de exércitos dos wargames, além da maioria das criaturas fantásticas.

    Dito isto, os nórdicos poderiam mesmo ser chamados de heróis, mas muito mais no conceito de pessoas que deixam seu nome na história por conta dos seus feitos (de batalha) do que seres cheios de ideais como estamos acostumados a pensar quando se fala da palavra “herói”. Eles eram muito mais gananciosos e guiados pela prata, o que rendeu sua fama de terríveis (afinal, os registros eram sempre os dos saxões que sofriam os ataques :P). Sei que você escreveu o post com isso em mente, mas eu queria complementar com essa constatação.

    Pra todos que querem saber mais sobre os escandinavos (e ter contato com excelentes histórias no processo), recomendo a série Vikings do History Channel, os livros das Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell e o excelentíssimo Devoradores de Mortos, de Michael Crichton. 😀

    PS.: embora contemporâneos, os druidas eram mais puxados pros celtas, gálatas, gauleses, etc. 😛

  2. Otimo artigo, gostei bastante.
    Apesar de me deliciar com a mitologia grega, tenho vindo a interessar-me cada vez mais com a nórdica e me fez até escrever uma shor storie sobre o tema no meu blog http://pensamento-indescoberto.blogspot.pt/2014/01/folkvang-o-palacio-de-freya-parte-i.html se quiserem visitar, lá exploro a Fantasia como escape à realidade. Na minha pesquisa descobri que os guerreiros caídos não iam parar apenas a Valhalla como também a Volkvang o palácio da deusa Freya.
    Outra coisa engraçada, (esta já o sabia a algum tempo) é que embora imaginemos sempre os Vikings com capacetes com chifres, isso não passava de um mito, pois não tinham qualquer funcionalidade bélica.
    Recomendo também a todos seguirem a série, “Vikings” do canal Historia e verem o filme Thor 2 The Dark World que supera em muito o primeiro, uma mescla entre a Marvel e mitologia.

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