Bem Vindo A Arkham – Adaptando O Cenário De Derry Para Chamado de Cthulhu.


Quando terminei de converter It – A Coisa, o eterno pesadelo de Stephen King, para as regras de Chamado de Cthulhu 7ª edição, fiquei imaginando se, em vez de Derry, o palhaço dançante escolhesse Arkham como seu esconderijo. Não seria apenas trocar uma cidade por outra. Seria condenar a mais icônica metrópole do Mythos a tornar-se o ninho perfeito para Pennywise. Arkham já respira o ar pesado de portais entreabertos, já carrega nas veias o veneno do Necronomicon, os sussurros de Keziah Mason e os ecos de horrores que nunca deveriam ter atravessado o véu. Aqui, o medo infantil não seria apenas uma presa fácil: seria um banquete servido em prato de prata cósmica. A Coisa — essa entidade primordial que não é um Grande Antigo, mas algo pior: uma fome consciente vinda do vazio entre as estrelas, talvez um irmão perdido dos servos de Yog-Sothoth ou um Shoggoth que aprendeu a sonhar — encontraria em Arkham o solo mais fértil possível. Porque, em Arkham, as crianças já crescem ouvindo histórias que não deveriam existir.
Porque, em Arkham, o medo nunca está sozinho.
Porque, em Arkham, quando um balão vermelho flutua contra o vento… ninguém mais acha estranho. Em Derry era um acidente.
Arkham seria um lar. E foi assim que Pennywise veio morar na cidade onde até os deuses têm medo de pisar.

Chegada em Arkham

A Coisa chegou na cidade através de um portal sob o Witch House vindo do Macroverso, um lugar fora do espaço-tempo como conseguimos compreender. A Witch House é uma pensão decrépita que se localiza em uma das partes mais antigas e miseráveis de Arkham, próxima à Universidade Miskatonic. A casa foi o lar de Keziah Mason, uma bruxa que fugiu da Prisão de Salem em 1692. Keziah era diferente das bruxas comuns: ela havia feito um pacto com Nyarlathotep (o Caos Rastejante) e obtido conhecimento da geometria não-euclidiana e dos portais dimensionais. A característica mais assustadora da casa são seus ângulos e estruturas não-euclidianos no sótão. Eles não seguem as regras do nosso espaço e tempo, permitindo que criaturas viajem entre dimensões. O sótão da Witch House é o local de entrada primário de A Coisa para o nosso mundo (em vez de um meteorito caindo). Os ângulos esquisitos do sótão representam os mesmos pontos fracos dimensionais que A Coisa explorou para chegar a Derry. Agora ela dorme em um “ovo gosmento” nos esgotos sob a biblioteca da Universidade Miskatonic, despertando a cada 27 anos (ciclo lunar, como no livro de Stephen King).


Casos de Violência Através do Anos

Assim como aconteceu tragédias periódicas na cidade de Derry, devido a presença da Coisa, em Arkham não será diferente. Essa é a parte que une o medo mundano de Stephen King com a loucura cósmica de H.P. Lovecraft. Os eventos em Arkham não seriam apenas brutais, mas também envolveriam uma quebra na sanidade coletiva, forçando os adultos a aceitarem a realidade através da negação.

Aqui estão três eventos trágicos fundamentais associados à presença de A Coisa (It) na cidade de Arkham, completando o ciclo de 27 anos:

O Fogo da Biblioteca Proibida (1891)

— O Desaparecimento da Razão Cósmica

O mal de Arkham se manifesta frequentemente através do conhecimento excessivo. Este evento marca o fim de um ciclo de alimentação e a consolidação do controle da Coisa sobre a Universidade Miskatonic.

  • Contexto: Um grupo de 17 (o número de “sacrifício” de A Coisa) estudantes e professores obcecados tentavam traduzir uma nova aquisição proibida: os Fragmentos do Códice R’lyeh. Eles estavam trabalhando no sótão da Biblioteca da Universidade, em uma área conhecida por seus ângulos “desconfortáveis” e não-euclidianos.
  • O Evento: Um “Fogo Frio” e silencioso irrompe. Em vez de queimar, ele dissolve a matéria. Testemunhas relatam ter visto as chamas com cores que “não existem no espectro solar”. O fogo consome o grupo de acadêmicos.
  • A Coisa: A Coisa se manifestou como “O Guardião da Loucura” — Luzes laranjas sem forma flutuando no ar com cheiro de ozônio e ferrugem. Sua alimentação foi o conhecimento esotérico dos estudiosos, sugando sua sanidade e deixando seus corpos como cascas vaporizadas.
  • O Encobrimento: O reitor da Universidade (secretamente influenciado pela Coisa) declara o evento como um “Incidente de Combustão Química Espontânea”, mas a área é reconstruída com uma nova ala. Os boatos sussurram que a nova ala tem uma geometria errada e que os livros lá dentro parecem estar escritos por alguém que “conhece o vazio”.

A Tragédia da Gala de Walpurgis (1939)

— O Massacre Ritualístico e o Nascimento do Familiar

Este evento liga diretamente A Coisa aos cultos de bruxaria e rituais de Lovecraft. A Noite de Walpurgis (30 de abril/1º de maio) é um momento de poder para Keziah Mason e as forças exteriores.

  • Contexto: Um grande baile de gala para caridade é realizada em um antigo casarão vitoriano que, sem o conhecimento da elite de Arkham, foi construído sobre o local de um antigo círculo de pedras druídico e de um ritual de bruxaria em 1692.
  • O Evento: Durante a noite, 15 crianças dos serviçais e de famílias menores, que brincavam no jardim isolado, desaparecem em meio a uma névoa espessa e a sons que pareciam “gritos infantis distorcidos e risadas de cabra”.
  • A Coisa: A Coisa aparece como um Palhaço amigável e grotesco, com balões vermelhos e risada ecoante que parecia ter sido contratado para entreter as crianças durante o baile de gala. A Coisa não apenas se alimenta das crianças, mas as usa como sacrifício para chamar a atenção de entidades maiores no Vazio Exterior, misturando o cheiro de sangue com o cheiro de incenso profano.
  • O Encobrimento: O prefeito e os jornais da cidade (o Arkham Advertiser) afirmam que as crianças caíram no Rio Miskatonic e foram levadas pela correnteza. A comunidade aceita a explicação, mas passa a ter um medo irracional de bailes de galas e evita jardins à noite, uma amnésia seletiva ditada pelo medo cósmico de Lovecraft.

O Incidente do Asilo Arkham (1966)

— A Colheita da Loucura Coletiva

Este evento acontece um ano antes da batalha principal do Clube dos Perdedores (como no livro de King, onde a tragédia de Georgie acontece em 1957 e o confronto em 1958). A Coisa ataca onde a sanidade já é fraca.

  • Contexto: Um blecaute noturno atinge o Asilo de Arkham (que lida com a insanidade induzida por visões cósmicas). Entre os pacientes, estão várias vítimas de encontros anteriores com A Coisa que não conseguiram esquecer.
  • O Evento: No meio da escuridão, todos os 27 pacientes do andar mais baixo — o andar que abrigava aqueles com “delírios de Cthulhu” — desaparecem, junto com três enfermeiros. As celas estão vazias, e nas paredes encontram-se apenas marcas de unhas arranhando a tinta em padrões geométricos impossíveis.
  • A Coisa: A Coisa se manifesta na mente de cada paciente como uma Aranha gigante com olhos luminosos, presas e pernas mutantes. Sua visão cria terror total, e em seguida ele aparece aterrissando no pátio como um palhaço com um sorriso que distorce o espaço ao redor. A Coisa está colhendo não o medo, mas a sanidade já corrompida, que é um alimento mais potente.
  • O Encobrimento: O Asilo Arkham é rapidamente fechado pelo Estado de Massachusetts. A história oficial é de uma fuga em massa, mas as famílias dos pacientes são informadas em segredo que seus entes “nunca existiram” e que seus arquivos foram “contaminados”. Este silêncio é o que instiga um novo Clube dos Perdedores a investigar, pois eles se lembram de um paciente (talvez um parente) que estava “dizendo a verdade” sobre o palhaço.

Espero que tenham gostado do artigo. Se quiserem comentar ou sugerir ideias para novos artigos, fiquem à vontade para escrever abaixo. Aproveito para pedir que me sigam nas redes sociais.

Facebook: https://www.facebook.com/velhinhodorpg

Instagramhttps://www.instagram.com/velhinhodorpg

Tik Tok: https://www.tiktok.com/@velhinhodorpg

Deixe um comentário