O Halloween está chegando e, junto com ele, aquela vontade irresistível de mergulhar em histórias assustadoras, cheias de mistério, horror e tensão. Se você é fã de RPG, sabe que poucas experiências combinam tanto com o clima de outubro quanto uma boa mesa de terror. Reunir os amigos, apagar as luzes, acender algumas velas e deixar a imaginação tomar conta é quase um ritual.
O papel do RPG no Halloween vai muito além de apenas jogar. É sobre criar juntos uma narrativa viva, sentir o arrepio na pele quando o personagem escuta um barulho estranho no escuro, ou quando o grupo descobre que algo muito maior está em jogo. Neste artigo, vamos explorar os melhores RPGs para jogar nessa semana de Halloween — sistemas que mergulham fundo no medo, na insanidade e no sobrenatural.
Vou tentar dar ideias de histórias para você curtir com seu grupo uma noite de halloween com muita diversão e um pouco de medo.
Por que Jogar RPGs de Terror no Halloween?
O Halloween é, por natureza, uma celebração do medo — mas também da imaginação. É a época do ano em que todos se permitem explorar o lado sombrio da fantasia, e nada combina mais com isso do que uma boa sessão de RPG de terror. Jogar um RPG nesse período é como assistir a um filme de horror, mas com um detalhe essencial: você é o protagonista da história.
A beleza do RPG está na imersão total. Em vez de apenas observar o desenrolar dos acontecimentos, você os vive. Cada escolha tem peso, cada decisão pode salvar ou condenar seu personagem — e talvez até o mundo. No Halloween, isso se intensifica, pois o clima já está no ar: abóboras, decoração, trilhas sonoras macabras e uma energia quase ritualística que convida a se perder entre o real e o imaginário.
Além disso, o RPG é uma experiência coletiva. O medo é compartilhado, o que o torna mais suportável e divertido. Um susto vivido em grupo é lembrado com risadas depois, mas, no momento, o coração dispara de verdade. O jogo também permite explorar medos pessoais — escuridão, isolamento, loucura — de forma segura, quase catártica.
Por fim, o Halloween é o momento ideal para experimentar sistemas novos ou narrativas curtas de terror. Mesmo grupos acostumados a campanhas longas podem se aventurar em uma one-shot temática e vivenciar algo diferente. Em resumo, jogar RPG no Halloween é uma forma de viver o medo, não apenas assisti-lo.
O Que Eu Jogo?
Ano passado eu dei ideias para algumas aventuras, que você pode relembrar clicando AQUI, e para este ano trouxe ideias para Lobisomem: O Apocalipse 5ª edição, Caçador: A Revanche, Cultos Inomináveis e Tales From de Loop.
Lobisomem: O Apocalipse – 5ª Edição
Em Lobisomem: O Apocalipse 5ª edição, os jogadores interpretam Garous, guerreiros espirituais que lutam contra a Wyrm – a força da corrupção e destruição do mundo. Divididos entre o mundo físico (Gaia) e o espiritual (Umbra), os Garou enfrentam corporações sombrias, espíritos corrompidos e a própria perda de sua humanidade. O Halloween é justamente um dia de celebração dos mortos, dos seus espíritos, e alguns espíritos vingativos podem usar a data para realizar seus planos diabólicos.
Aventura: “A Noite em que a Umbra Sangrou”
Na noite de Halloween, o véu entre os mundos se enfraquece, tornando a Umbra mais agitada e perigosamente acessível. Os personagens sabem que esta é uma data crítica: espíritos sombrios e entidades corrompidas procuram qualquer brecha para atravessar e se manifestar em nosso mundo.
Eles recebem um alerta espiritual de que algo está perturbando profundamente os Reinos Umbrais. Um grupo de espíritos malditos, liderados por um poderoso Nexorreptante, prepara-se para abrir um portal definitivo para o mundo físico. Esses espíritos contam com o apoio de um grupo de Fomoris vinculados a uma subsidiária do Pentex Group.

Naquela noite, a empresa planeja liberar uma enorme quantidade de gás tóxico na atmosfera. Esse gás irá dizimar a vida selvagem local — animais e plantas serão corrompidos ou mortos, alimentando um ritual profano cuja energia de sofrimento e decadência permitirá a abertura da passagem entre os mundos. Se o ritual for concluído, os malditos invadirão a Terra, iniciando uma nova era de corrupção e desespero.
Caçador: A Revanche
Caçador: A Revanche coloca pessoas comuns em confronto contra o sobrenatural. Diferente de outros RPGs do Mundo das Trevas, os caçadores são humanos com consciência de que há monstros entre nós — e precisam decidir como agir: destruir, expor, estudar ou negociar. A noite de Halloween é uma data especialmente propícia para que algumas dessas criaturas possam agir escondendo-se da vista dos humanos acreditando que estão fantasiados. Ao mesmo tempo muitas crianças na rua atrás de doces, e sem a supervisão de adultos, podem ser vítimas em potencial.
Aventura: “O Culto do Doce ou Treta”
Na noite de Halloween, desaparecimentos em série chamam atenção dos caçadores. Crianças fantasiadas estão sendo atraídas para uma casa abandonada por uma figura mascarada que oferece doces “especiais”. Esses doces contêm fragmentos de um espírito faminto, que se fortalece consumindo a energia vital das vítimas. A cada criança devorada espiritualmente, o espírito assume forma física mais poderosa. Os caçadores devem rastrear o padrão dos desaparecimentos e invadir a casa amaldiçoada, enfrentando ilusões e ecos de traumas das vítimas já consumidas. A cada minuto o espírito cresce — se não for detido até a meia-noite, ele renascerá permanentemente no mundo físico.
A aventura pode funcionar quase como uma Dungeon, com os jogadores explorando cada cômodo da casa em busca do espírito e tendo que enfrentar perigos e desafios, que podem ser físicos ou mentais, em cada um deles antes de enfrentar o grande inimigo da história.
Cultos Inomináveis
Cultos Inomináveis é um RPG de horror lovecraftiano em que os personagens são membros de cultos que buscam despertar entidades cósmicas ou obter fragmentos proibidos de poder. É um jogo de risco, insanidade e revelações profanas.
Aventura: “O Despertar do Lodo de Samhain”
O culto dos jogadores pretende executar um ritual na noite de Halloween para ganhar conhecimento arcano, como ensinado em um livro muito antigo trazido por um dos novos membros do grupo. Mas algo dá errado. Em vez do previsto, o ritual desperta uma entidade acéfala feita de lodo negro que começa a “absorver” todas as identidades humanas do culto antes de avançar para cidade. Pessoas perdem memórias, nomes, rostos — tornando-se cascas vazias. A cidade está isolada, como se o mundo exterior tivesse esquecido de sua existência. Os cultistas devem decidir: sacrificar a cidade inteira para alimentar a entidade e ganhar poder ao servi-la ou tentar contê-la, sabendo que isso pode destruir o culto e levar seus mebros à loucura.
Talvez o membro do grupo que trouxe o livro sabia do resultado, e usou o culto para atingir seu objetivo de invocar a criatura, ou ele apenas é um grande inocente e não sabia dos perigos do ritual. Fica a cargo do narrador definir esta situação ou criar um grande suspense em relação a verdadeira intenção dele.
Tales from the Loop
Ambientado nos anos 80 que nunca existiram, Tales from the Loop coloca crianças como protagonistas em um mundo onde tecnologia futurista e fenômenos estranhos são parte do cotidiano. A inocência infantil contrasta com mistérios científicos e ameaças ocultas. A noite de Halloween é uma data onde as crianças adoram se fantasiar e sair pelas ruas atrás de doces e guloseimas, sendo um cenário perfeito para uma aventura de Tales Froom The Loop.
Aventura: “O Halloween que Nunca Terminou”
Os personagens acordam no dia 31 de outubro… novamente. E novamente. A cidade está presa em um loop temporal. Cada vez que a noite cai, criaturas mecânicas disfarçadas de decoração de Halloween ganham vida e começam a caçar pessoas. Os adultos não percebem nada — eles repetem ações como robôs programados. Conforme as crianças exploram, descobrem que o acelerador de partíulas que existe abaixo da cidade ativou acidentalmente um campo de dobra temporal ao tentar acessar dimensões paralelas.
Os personagens dos jogadores não foram atingidos pelo campo de dobra temporal porque no exato momento do ocorrido eles estavam em uma cabana fora dos arredores da cidade buscando coisas para colocar em suas fantasias. Para quebrar o loop temporal os personagens precisam invadir o laboratório subterrâneo, enfrentar autômatos e convencer uma versão alternativa de um cientista criança (que também está preso no loop) a ajudá-los, antes que a realidade comece a se corroer.
Espero que tenham gostado do artigo. Se quiserem comentar ou sugerir ideias para futuros artigos, fiquem à vontade para escrever abaixo. Aproveito para pedir que me sigam nas redes sociais.
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No lugar de Lobisomem e Caçador, eu colocaria Monstro da Semana e Cthulhu Dark!
São ótimas opções também, mas como era Mês das Trevas dos jogos do Mundo das Trevas optei por colocar estes. Cthulhu Dark dá até pra fazer uma aventura com o início das celebrações do Halloween, pegando a lendda original do Jack O’Lantern.