Masks: A Nova Geração – Um RPG De Super-Heróis Adolescentes.

Masks: A Nova Geração é um RPG de mesa baseado no premiado sistema Powered by the Apocalypse (PbtA) desenvolvido por Vincent Baker e usado em Apocalypse World, Monsterhearts, Dungeon World e muito mais. É um sistema leve de regras que alimenta algumas das melhores inovações em jogos nos últimos dez anos. Masks foi construído desde o início para incorporar tudo o que tem de melhor sobre os jogos PbtA.

Masks foi lançado originalmente em 2017 pela Magpie Games, nos Estados Unidos, após uma campanha de Kickstarter que arrecadou mais de US$ 107 mil, o jogo chegou ao Brasil em 2021 pela Editora Circuito Camaleão – uma editora que nasceu justamente para trazer essa obra ao público brasileiro. O financiamento coletivo no Catarse foi um sucesso, refletindo o hype que Masks já gerava em comunidades online brasileiras, mesmo com o material em inglês. Apesar de não ser um RPG de supers muito comentado, Masks é indicado para grupos que buscam emoção, drama e poderes épicos, mas com um foco no coração adolescente dos heróis. Neste artigo, vou abordar o que torna Masks especial e por que ele se destaca em um mar de RPGs de super-heróis.


A Essência de Masks: Heróis, Sentimentos e o Peso da Máscara

Masks é um RPG de super-heróis jovens, com forte ênfase em enredos pessoais e emocionais. O foco não está apenas em batalhas ou combates épicos, mas também no “quem você é por trás da máscara”, nas relações com amigos, mentores e expectativas externas. Você e seu grupo interpretam uma equipe de jovens heróis em Pacatópolis (ou Halcyon City, na original), uma metrópole vibrante e perigosa onde gerações de supers existem: os heróis dourados da Era de Ouro, os vigilantes sombrios da Era de Bronze, os filhos e discípulos da Geração de Prata, chamdos de Geração de Bronze, que surgiram em um mundo já repleto de superpoderes, e agora vocês, a “Nova Geração”, cheios de potencial, mas também cheios de inseguranças, amizades tóxicas e crises de identidade. As inspirações são claras: séries como Justiça Jovem, Jovens Titãs, Jovens Vingadores, ou qualquer narrativa que mistura super-heróis com dramas adolescentes.

O jogo é explicitamente sobre crescimento. Seus personagens começam como adolescentes (ou equivalentes) lidando com poderes que surgiram do nada – talvez um acidente radioativo, um legado familiar ou um experimento corporativo. Mas o verdadeiro vilão muitas vezes é interno: a pressão para ser perfeito, o medo de falhar com os amigos, ou a tentação de abraçar o lado sombrio. Masks força os jogadores a confrontar isso, transformando sessões em arcos emocionais profundos, onde uma vitória contra um robô gigante pode custar uma amizade.

O Poder do PbtA em Ação

Masks utiliza mecânicas que combinam as façanhas heroicas de jovens super-heróis com a incerteza de ser jovem e descobrir quem você é ao longo do caminho. Quando você finalmente entende o suficiente sobre si mesmo para se tornar um super-herói, seu personagem “se aposenta” do jogo, pois já concluiu essa fase da vida e “se formou”. Os tipos de personagens são baseados em temas amplos, então é bom entrar no jogo sem uma ideia muito definida do que fazer. Ou, pelo menos, sem uma ideia extremamente específica antes de consultar os arquétipos. No livro principal de Masks, você encontra:

O Farol (The Beacon) – A citação dos Jovens Vingadores no início deste artigo exemplifica o Farol. Eles são cheios de entusiasmo ilimitado, querem experimentar tudo e seus poderes geralmente são baseados em equipamentos, como Kate Bishop. Eles têm uma lista de experiências que desejam vivenciar e recebem bônus mecânicos por isso.

O Bruto (The Bull) – O anti-herói introspectivo, o Bruto é uma bola de demolição, capaz de destruir qualquer coisa. No fundo, porém, ele tem uma paixão intensa por um personagem e um ódio fervoroso por outro. Eles recebem bônus para interagir com ambos. Pense em X-23, dos X-Men.

O Delinquente (The Delinquent) – Esses garotos rebeldes querem se revoltar, mas, acima de tudo, querem ser vistos se rebelando, caso contrário, não tem valor. Pense no Kid Ômega, um mutante rebelde dos X-Men, conhecido por sua atitude desafiadora, desejo de se destacar e comportamento provocador, sempre querendo ser notado por suas ações subversivas.

O Condenado (The Doomed) – Uma classe de personagem mais mística e estranha. Eles podem realizar grandes façanhas, mas cada uma os aproxima da morte, de se tornarem malignos ou de se transformarem em monstros. Trágicos e angustiados. Ravena dos Jovens Titãs é um exemplo.

O Janus (The Janus) – Inspirado no Besouro Azul e no Homem-Aranha Miles Morales, a identidade secreta do Janus define quem ele é como herói, e sua vida real pode atrapalhar mais do que a dos outros heróis.

O Legado (The Legacy) – Parte de uma linhagem de heróis, o Legado tem antecessores que deixaram grandes expectativas a serem cumpridas. Capitão Marvel Jr., Kid Flash e vários Lanternas Verdes já estiveram nesse papel.

A Nova (The Nova) – Uma fonte inesgotável de energia, mas também de destruição. A Nova tem uma ampla gama de poderes com várias oportunidades de fortalecê-los. O problema é que isso pode ir longe demais. Quanto mais golpes narrativos recebem, mais poderosos se tornam, tornando-os uma arma de vidro. Jean Grey e Wiccano certamente se encaixam aqui.

O Forasteiro (The Outsider) – Eles não são daqui, trazendo muita tecnologia e conhecimento para ajudar. Às vezes, seus costumes podem ser confusos, e os humanos também podem confundi-los. Estelar é definitivamente uma Forasteira, assim como Hulkling.

O Discípulo (The Protégé) – Diferente do Legado, o discipulo é ambicioso e busca se tornar o ajudante de um herói, talvez até superá-lo com o tempo. Este é o arquétipo do “Robin”, com um mentor ativo para aconselhar e contra quem se rebelar.

O Transformado (The Transformed) – Eles começaram como uma pessoa comum, com coração, emoções e intelecto humanos, mas algo terrível aconteceu, e muitas pessoas não conseguem ver além da aparência monstruosa. Pode ser o Fera ou Ciborgue.

Sendo um jogo PbtA, Masks utiliza atributos temáticos que refletem o gênero de super-heróis jovens. Aqui, os atributos são chamados de Rótulos, representando como seu personagem se enxerga no mundo. Esses Rótulos são dinâmicos, podendo mudar ao longo da narrativa, o que os torna únicos. Pense neles como se começassem com um “Eu Sou” implícito. Seu personagem pode se ver como Perigo (um agente de força e destruição), Aberração (alguém estranho ou diferente), Salvador (um protetor altruísta), Superior (confiante em sua inteligência ou habilidade) ou Mundano (conectado à vida cotidiana e às emoções humanas).

Todos os personagens têm acesso a Movimentos Básicos, que definem o que você pode fazer por padrão no jogo. Eles capturam a essência de ser um jovem herói, cheio de potencial, mas ainda aprendendo a controlar seus poderes e emoções:

  • Perfurar a Máscara: Permite olhar além da fachada de heróis ou vilões, descobrindo quem eles são por trás da máscara, revelando motivações e verdades ocultas.
  • Liberar seus Poderes: Você canaliza seus poderes no mundo, mas, como jovem herói, ainda não tem total controle. Isso pode resultar em feitos impressionantes, como destruir obstáculos, ou em ataques desajeitados sem a finesse necessária.
  • Defender Alguém: Porque, no fundo, você é um herói! Este movimento permite proteger aliados ou inocentes, colocando-se na linha de frente.
  • Avaliar uma Situação: Analise o ambiente ao seu redor para descobrir detalhes cruciais, como perigos iminentes ou oportunidades táticas.
  • Provocar Alguém: Use palavras ou ações para incitar uma reação, seja convencendo alguém a fazer o que você quer ou desestabilizando-o emocionalmente.
  • Confortar ou Apoiar: Ofereça suporte emocional a outro personagem, ajudando-o a lidar com suas inseguranças. Esse movimento também concede Influência, permitindo que você afete as ações de outros no futuro.
  • Engajar Diretamente uma Ameaça: Confronte um inimigo de frente, trocando golpes. Se rolar bem, você pode evitar sofrer dano; caso contrário, tanto você quanto seu alvo sentirão o impacto.

Em Masks, o “dano” não é apenas físico — ele é emocional, refletido por Condições. Cada personagem jogador tem cinco Condições: Medo, Raiva, Culpa, Desesperança e Insegurança. Vilões também possuem Condições, mas a quantidade varia conforme seu nível de ameaça. Essas Condições representam o estado emocional do seu personagem e afetam diretamente seus Movimentos:

  • Medo prejudica sua habilidade de Engajar Diretamente uma Ameaça. Para superá-lo, você pode fugir de algo perigoso, refletindo a necessidade de enfrentar seus medos de forma narrativa.
  • Cada Condição tem uma ação associada para ser removida. Por exemplo, ceder à Raiva pode significar explodir em um momento impulsivo, mas isso também ajuda a limpar sua mente para a próxima cena.
  • Se todas as suas Condições estiverem marcadas, seu personagem é retirado da ação, sobrecarregado emocionalmente e incapaz de continuar até se recuperar.

Esse sistema permite que personagens tão diferentes quanto o poderoso Superboy e o astuto Robin coexistam no mesmo jogo. A invulnerabilidade de um herói pode oferecer vantagens narrativas, como evitar golpes físicos, mas todos estão sujeitos às mesmas vulnerabilidades emocionais. As Condições garantem que o drama adolescente e as inseguranças pessoais sejam tão centrais quanto as batalhas épicas, criando uma experiência rica e equilibrada.

Masks é a escolha perfeita para fãs de jogos Powered by the Apocalypse (PbtA) que adoram histórias de super-heróis, mas preferem criar seus próprios mundos e personagens em vez de usar cenários pré-existentes, como os da DC ou Marvel. Logicamente nada impede que os jogadores criem seus persoangens dentro desses universos, como criar uma nova Tropa Titã, ou um novo grupo de Jovens Vingadores, etc. Mesmo havendo algumas informações que são cânone do cenário, há muito espaço criativo para criar seus próprios vilões e heróis das gerações anteriores do persoangens dos jogadores, criando uma história original apenas para seu grupo.

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