O Suplemento Tattered Façade trouxe de volta os Baali, uma das linhagens mais enigmáticas e temidas no universo de Vampiro: A Máscara, reimaginados para a 5ª edição (V5) do jogo. Esta linhagem, associada a práticas demoníacas e corrupção, evoluiu significativamente ao longo das edições do jogo. Nas edições antigas, os Baali eram antagonistas clássicos, usados como vilões em crônicas que exploravam temas de corrupção moral, tentação e horror. Eles não eram personagens jogáveis, sendo mais comuns como adversários manipuladores que desafiavam os jogadores a resistir à sedução do poder sombrio. Este artigo procura explicar quem são os Baali na visão antiga das edições anteriores e como eles foram reinterpretados na 5ª edição, com base nas informações fornecidas neste novo suplemento.
Os Baali nas Edições Antigas de Vampiro: A Máscara
Nas edições anteriores de Vampiro: A Máscara (1ª, 2ª, 3ª e Edição Revisada), os Baali eram apresentados como uma linhagem de vampiros profundamente ligada à demonologia e à corrupção sobrenatural, usando a adoração a demônios para obter poder adicional. Eram descritos como adoradores de entidades infernais, com o objetivo de trazer caos, destruição e a ascensão de seus mestres demoníacos ao mundo mortal. Sua origem remontava a tempos antigos, com lendas sugerindo que podiam ser uma linhagem dos Salubri, Capadócios ou Tzimisce, embora uma fonte anterior tenha sugerido que possam ser descendentes ou até mesmo predecessores da linhagem Gangrel. Eles também recrutam vampiros de outros clãs para se tornarem Baali por meio de uma iniciação taumatúrgica sombria, sendo os Lasombra os que eram mais atendiam a esse chamado, deixando a dúvida se podiam ser também uma seita ou culto.
Características Principais
Os Baali eram uma linhagem isolada, frequentemente vista como uma aberração pelos outros clãs. Eles se dedicavam a espalhar corrupção, manipular outros Membros e mortais, e realizar rituais sombrios para invocar demônios ou outras entidades sobrenaturais. Sua filosofia era centrada na destruição da ordem estabelecida, frequentemente colocando-os em conflito com os clãs dos Seguidores de Set (agora Ministério), Salubri e Assamitas (agora chamados de Banu Haqim).
A principal Disciplina dos Baali era Daimoinon, uma habilidade única que lhes permitia manipular emoções negativas, invocar poderes infernais e causar tormento psicológico e físico. Além disso, eles frequentemente possuíam Ofuscação (para se esconderem) e Presença (para manipular e seduzir). Daimoinon era o que os tornava únicos, com poderes como invocar chamas demoníacas, detectar fraquezas morais ou até mesmo canalizar a influência de entidades demoníacas.
Os Baali operavam em segredo, formando pequenos cultos ou ninhos (broods) que se infiltravam em cidades vampíricas. Eles eram mestres da manipulação, muitas vezes se passando por membros de outros clãs para evitar detecção. Sua presença era vista como uma ameaça existencial, tanto pela Camarilla quanto pelo Sabá, que, apesar de suas diferenças, frequentemente se uniam para caçar os Baali.
Os Baali tinham uma rivalidade particular com os Salubri, um clã associado à pureza e cura, que eles buscavam corromper ou destruir. Eles também eram alvos dos Tremere, devido à sua feitiçaria profana, e dos Assamitas, que os viam como uma abominação. Além disso, os Baali eram frequentemente associados à Gehenna, o apocalipse vampírico, sendo vistos como agentes que acelerariam o despertar dos Antediluvianos ou a destruição do mundo.
Por sua associação com demônios e práticas blasfemas, os Baali eram universalmente odiados e temidos. Mesmo entre os vampiros do Sabá, que abraçam a monstruosidade, os Baali eram vistos com desconfiança, pois sua lealdade parecia estar com forças além do próprio vampirismo.
Os Baali na 5ª Edição (V5)
Na 5ª edição os Baali são uma linhagem com origem nos tempos antigos da Suméria. Eles surgem quando feiticeiros de sangue vampírico tentam invocar e se comunicar com entidades sobrenaturais primordiais conhecidas como aapilum (“os que respondem”, em acadiano, uma língua semítica extinta, falada na antiga Mesopotâmia), que residem latentes no sangue dos vampiros. Eles representam uma ameaça à Máscara devido às exigências perigosas que fazem em troca de seus serviços. Eles aparecem de formas variadas, como chamas, névoas, sussurros, sombras ou até formas físicas. São invocados pelo sangue do feiticeiro. Oferecem Dons ou serviços, mas sempre a um custo, que pode ser manipulado por aapilum mais poderosos com base nas fraquezas e desejos do feiticeiro. Eles são apresentados em outro suplemento, Blood Sigils, nas pág. 128–130.
Aapilum são entidades no Sangue conectadas ao poder da linhagem do conjurador. A prática tem origem na Mesopotâmia, com os ashipu, que comungavam ou se assemelhavam aos deuses e anjos. Os Feiticeiros do Sangue da Suméria buscavam recapturar o poder de Enoque e seus ancestrais vampíricos invocando e comungando com os aapilum. Essas entidades sempre cobram um preço. Aqueles que permitem que eles tomem seus corpos são transformados em Baali.
Quando essa comunhão se transforma em possessão, o abaalu (reflexo, em acadiano) e a entidade original se fundem, criando um Baali. Esse processo deixa pouco do vampiro original, exceto talvez um resquício torturado, agora habitado por uma entidade primordial que controla o corpo e o sangue. Como os Baali são resultado de possessão, eles têm todas as habilidades e Disciplinas dos Membros que possuiram.
Os Baali são considerados por alguns estudiosos omo uma forma de wight (um vampiro consumido pela Besta), mas com intelecto aparentemente intacto. Eles não sofrem Frenesi de Terror ou Fúria, nem falhas bestiais, pois sua Besta parece ter sido sublimada ou dissolvida no sangue. No entanto, eles ainda podem sofrer Frenesi de Fome e falhas críticas descontroladas. O sangue dos Baali é gelado, exigindo duas Checagem de Sangue para ativar o Rubor de Vida (a habilidade de parecer humano). Eles sofrem danos normais do sol, mas recebem 1 ponto a menos de dano por fogo, devido ao frio profundo em seu sangue.
Características Principais na V5
Os Baali da V5 não são mais uma linhagem com uma Disciplina única (Daimoinon), mas sim vampiros transformados por uma fusão com uma entidade primordial presente em seu sangue. Nas edições antigas, os Baali eram explicitamente ligados a demônios e pactos infernais. Na V5, sua origem é mais ambígua, o que os torna menos “demoníacos” no sentido clássico e mais conectados à mitologia interna dos Kindred.
Os Baali da V5 não possuem Daimoinon, mas são mestres em Feitiçaria de Sangue no nível 4 ou superior, combinada com outras Disciplinas do clã original do vampiro possuído. Eles têm uma Potência de Sangue de 6 ou mais, refletindo seu poder sobrenatural. A substituição de Daimoinon por Feitiçaria do Sangue no V5 reflete uma abordagem mais integrada às regras do sistema, alinhando os Baali com as Disciplinas padrão, mas com um foco intenso em feitiçaria. Isso os torna mais versáteis, mas menos únicos em termos de poderes exclusivos.
Três arquétipos são apresentados em Tattered Façade:
- Baali Manipulador: Focado em Auspício (para ler mentes e prever), Presença (para manipular emoções) e Feitiçaria do Sangue com rituais como Bloodwalk e Truth in Blood.
- Baali Feiticeiro: Especializado em Feitiçaria do Sangue avançada, com rituais como Dagon’s Call e Defense of the Sacred Haven, além de Dominação, Ofuscação, Oblivion e Proteanismo.
- Baali Ladrão: Combina Feitiçaria do Sangue com Ofuscação e Presença, usando rituais como Craft Bloodstone e habilidades de furtividade para infiltrar e manipular.
Os Baali também possuem uma habilidade única de ler alvos (usando Percepção contra Compostura + Subterfúgio), ganhando vantagens em testes futuros contra esses alvos. Feiticeiros que conhecem o nome verdadeiro do aapilu de um Baali podem criar proteções específicas contra ele. Os Baali da V5 são manipuladores que buscam poder pessoal ou político, frequentemente agindo contra os Sabbat e os Salubri. Eles promovem os interesses dos vampiros às custas da humanidade, envolvendo-se em profecias noddistas e feitiçaria de sangue. Eles têm um rancor especial contra os Banu Haqim e Salubri, além de cobiçar Sangue Ralos e Malkavianos que afirmam ouvir os Antediluvianos. Evitam política direta, exceto quando podem elevar um dos seus para intensificar o domínio do sangue em uma cidade. No V5, os Baali são usados como antagonistas sutis ou mistérios a serem desvendados. Eles podem aparecer como conspiradores que realizam rituais complexos ou como tentadores que oferecem poder em troca de favores perigosos. Sua presença é frequentemente ligada a segredos arcanos e à manipulação de outros vampiros, criando dilemas morais para os jogadores.
Nas edições antigas, os Baali eram vilões quase caricatos, usados para representar o mal absoluto. No V5, eles são mais misteriosos, funcionando como manipuladores que exploram as fraquezas dos outros vampiros, com motivações que podem variar de acordo com o indivíduo. O V5 dá aos Baali um papel mais ativo nas intrigas vampíricas, com ênfase em sua manipulação de outros clãs e sua conexão com profecias noddistas. Eles são menos uma força externa de destruição e mais uma ameaça interna que corrompe a sociedade Kindred.
Tanto nas edições antigas quanto na 5ª edição, os Baali permanecem como uma força de corrupção e mistério no universo de Vampiro: A Máscara. Nas edições anteriores, eles eram definidos por sua Disciplina única (Daimoinon) e sua associação explícita com demônios, servindo como antagonistas clássicos de horror sobrenatural. No V5, os Baali foram reimaginados como vampiros possuídos por entidades primordiais, com um foco maior em feitiçaria e manipulação sutil, integrando-se mais profundamente ao sistema de regras e à narrativa política do jogo. Essa evolução reflete a abordagem da V5 de tornar o cenário mais coeso e focado em conflitos internos, mantendo o terror e a tentação que tornam os Baali tão fascinantes e perigosos.
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