Powers é uma série de quadrinhos criada por Brian Michael Bendis (roteiro) e Michael Avon Oeming (arte), lançada originalmente em 2000 pela Image Comics. A série é uma mistura única de gêneros, combinando super-heróis, noir policial e drama policial, ambientada em um mundo onde super-heróis são uma realidade comum, mas frequentemente problemática.
Na série o termo “Powers” refere-se aos super-heróis (e super-vilões), indivíduos com superpoderes no universo da história. Eles são chamados assim pela sociedade, mídia e autoridades, refletindo sua condição de seres extraordinários. A divisão policial que investiga crimes envolvendo esses super-heróis é uma unidade especial de homicídios, frequentemente referida como a divisão de Powers (ou “Powers Division” em inglês), porque seu foco é lidar com casos relacionados a esses indivíduos superpoderosos. Abaixo, apresento um resumo sobre a série e ideias para adaptar para RPG.
Conceito e Premissa
Powers segue os detetives de homicídios Christian Walker, um ex-super-herói que perdeu seus poderes e se tornou detetive. Sua jornada pessoal, incluindo sua possível imortalidade, é um fio condutor importante, especialmente na graphic novel Powers: The Best Ever, e Deena Pilgrim, uma detetive durona e carismática, conhecida por sua atitude direta e habilidades investigativas. A série explora o impacto dos super-heróis na sociedade, vistos pelos olhos de policiais, mídia e cidadãos comuns, com uma abordagem realista e desglamourizada do gênero de super-heróis.
A história combina elementos de noir, com diálogos afiados, tramas complexas, e super-heroísmo, inspirando-se em obras como Watchmen e The Dark Knight Returns, mas com um toque de investigação policial, influenciado por séries como Homicide: A Year on the Killing Streets e filmes como Taxi Driver. A série nasceu da vontade de Bendis e Oeming de explorar super-heróis sob uma ótica diferente. O foco narrativo está nos personagens, suas lutas pessoais e na investigação de crimes, muitas vezes com desfechos psicológicos dramáticos ou centrados no desenvolvimento dos personagens, em vez de grandes finais explosivos. Com uma abordagem crua e realista, Powers tornou-se um marco dos quadrinhos independentes devido as tramas de mistério e uma estética visual única.
História da Publicação
A série começou no ano 2000 na Image Comics, com o primeiro volume abrangendo 37 edições. A história inicial, “Who Killed Retro Girl?”, apresenta a investigação do assassinato de uma super-heroína icônica, definindo o tom da série. Retro Girl é uma super-heroína cuja história é inspirada na vida de Janis Joplin.
Com o crescente sucesso de Bendis na Marvel, Powers migrou para o selo Icon da Marvel em 2004. Foram publicados mais três volumes (Vol. 2: 30 edições; Vol. 3: 11 edições; Powers Bureau: 12 edições; Vol. 4: 8 edições). Em 2018 Bendis levou a série para a DC Comics sob seu selo Jinxworld, que reimprimiu a série em grandes encadernados e publicou a graphic novel Powers: The Best Ever (2020), considerada um marco na história da série. Em 2021, a série passou para a Dark Horse Comics, que publicará Powers 25, uma nova série de 12 edições a ser lançada em setembro de 2025, celebrando o 25º aniversário da série.
Powers 25
Powers 25 é o mais recente projeto a ser lançado pela Dark Horse Comics, com roteiros de Bendis, arte de Oeming, cores de Nick Filardi e letras de Joshua Reed. A série introduz novos protagonistas:
- Detective Kutter: Filha de um detetive da série original, que teve um fim trágico (decaptitação capturada em vídeo), ela lida com um legado complicado enquanto investiga casos de super-heróis.
- Moebius Moon: O primeiro detetive com poderes a integrar a divisão de Powers, trazendo uma nova perspectiva sobre o papel dos super-heróis na aplicação da lei.
Na nova série, Deena Pilgrim é uma capitã, supervisionando os novos detetives. A série é projetada para ser acessível a novos leitores, mas também recompensa fãs antigos com referências à mitologia da série. Ela reflete mudanças culturais e tecnológicas dos últimos 25 anos, como a influência das redes sociais e a evolução do conceito de celebridade, mantendo o tom noir e a crítica social. Cada edição de Powers 25 terá capas variantes de artistas renomados, como Mike Mignola, Stan Sakai, David Mack, Scott Hepburn, Eric Powell, Jill Thompson e David Marquez.
Recepção e Impacto
Powers ganhou o Eisner Award de Melhor Série Nova em 2001 e é amplamente elogiada por redefinir narrativas de super-heróis, combinando realismo policial com fantasia. Críticas destacam a escrita afiada de Bendis, com diálogos no estilo de David Mamet, e a arte dinâmica de Oeming.
A série inspirou uma adaptação para TV no PlayStation Network em 2015, mas não alcançou o mesmo sucesso dos quadrinhos. Powers é considerada uma das séries independentes de maior longevidade, com uma base de fãs leais e impacto duradouro no gênero de super-heróis.
Powers em City of Mist
Powers é altamente adaptável para o RPG de mesa City of Mist, um RPG Powered by the Apocalypse e publicado no Brasil pela Retropunk, devido às semelhanças temáticas e narrativas entre a série e o sistema do jogo. City of Mist é um RPG narrativo de fantasia urbana que mistura o estilo noir policial com superpoderes míticos, ambientado em uma cidade cheia de criminosos. A atmosfera do jogo é inspirada em histórias em quadrinhos investigativas, com elementos do gênero Noir, e uma dualidade entre pessoas com superpoderes. O cenário é repleto de segredos e mistérios, com os personagens são “Rifts” (pessoas comuns com poderes ligados a mitos ou lendas) em busca da verdade em uma cidade coberta por brumas e mentiras. Use as Brumass, Rifts e mecânicas de investigação para recriar o clima da série, com tramas pessoais e críticas sociais. As Brumas em City of Mist é uma força sobrenatural que encobre a verdade sobre os poderes míticos (Mythos) na cidade, fazendo com que civis comuns (Dormentes) ignorem ou racionalizem eventos extraordinários envolvendo Rifts (pessoas com poderes). Ela mantém a realidade “normal”, escondendo a existência de magia e superpoderes, e cria desafios narrativos ao dificultar investigações e percepções sobre a verdadeira natureza dos acontecimentos.
A cidade sem nome de Powers pode ser a base, com as Brumas de City of Mist escondendo os poderes do público. Crie distritos como um centro de super-heróis famosos, bairros marginais com gangues superpoderosas e uma delegacia tensa entre policiais normais e a divisão de Powers. Use as Brumas para explicar por que crimes de super-heróis são encobertos.
Personagens como Christian Walker e Deena Pilgrim podem ser Rifts, com dualidades entre Logos (vida mundana) e Mythos (poderes). Vilões podem ser Rifts ou “Dormentes” com agendas perigosas. Crie arcos como investigar o assassinato de um super-herói (ex.: Star Girl), desvendar conspirações de Powers ou explorar tensões com detetives superpoderosos. Incorpore redes sociais e celebridade para um toque moderno. Use as Brumas para mistérios adicionais.
Mantenha diálogos afiados, moralidade cinzenta e foque em consequências pessoais e dilemas éticos. Equilibre investigação com ação para manter o ritmo. Ajuste a escala de poderes com fraquezas claras. Reconcilie as Brumas com a publicidade dos super-heróis de Powers (ex.: as Brumas afetam apenas civis). Mantenha o ritmo com ação, já que Powers é mais lento e focado em diálogos.
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