John Michael “Ozzy” Osbourne, conhecido mundialmente como o “Príncipe das Trevas”, faleceu na manhã de 22 de julho de 2025, aos 76 anos, cercado por sua família em Birmingham, Inglaterra. A notícia, confirmada por um comunicado oficial de sua esposa Sharon e seus filhos, abalou o mundo da música, encerrando a trajetória de um dos maiores ícones do rock e pioneiro do heavy metal. Embora a causa da morte não tenha sido oficialmente divulgada, Ozzy enfrentava sérios problemas de saúde, incluindo um diagnóstico de Mal de Parkinson em 2019 e complicações decorrentes de uma queda que o levaram a realizar uma cirurgia na coluna em 2022. Menos de três semanas antes de sua morte, em 5 de julho de 2025, ele subiu ao palco pela última vez ao lado do Black Sabbath, no festival beneficente Back to the Beginning, em sua cidade natal, marcando a despedida definitiva tanto da banda quanto de sua carreira ao vivo.
Uma Vida Marcada por Reinvenção e Resiliência
Nascido em 3 de dezembro de 1948, em Aston, Birmingham, Ozzy cresceu em uma família da classe trabalhadora, enfrentando uma infância marcada por pobreza, dislexia e abusos escolares. Antes de se tornar um ícone, trabalhou em empregos como afinador de buzinas de carros, em um abatedouro e até em um necrotério. Aos 17 anos, foi preso por pequenos furtos, passando seis semanas na prisão. Sua paixão pela música, inspirada pelos Beatles, o levou a formar a banda Polka Tulk Blues em 1968, que logo se tornaria Black Sabbath, ao lado de Tony Iommi (guitarra), Geezer Butler (baixo) e Bill Ward (bateria). O nome da banda, inspirado em um filme de terror de 1963, refletia a estética sombria que definiria o heavy metal.
O Black Sabbath e a Criação do Heavy Metal
Com o Black Sabbath, Ozzy Osbourne ajudou a moldar um gênero musical que capturava o desespero e a rebeldia de uma geração. O álbum de estreia, Black Sabbath (1970), trouxe uma sonoridade pesada e letras que exploravam temas sombrios, como apocalipse, guerra e insanidade, conectando-se com jovens que se sentiam marginalizados. Sucessos como “Paranoid”, “Iron Man” e “War Pigs” estabeleceram o padrão para o heavy metal, com riffs pesados e a voz inconfundível de Ozzy, descrita como um lamento melódico e visceral. A banda lançou álbuns icônicos como Paranoid (1970), Master of Reality (1971) e Sabbath Bloody Sabbath (1973), vendendo mais de 70 milhões de discos e influenciando gerações de músicos.

Ozzy foi demitido do Black Sabbath em 1979 devido a problemas com álcool e drogas, mas isso marcou o início de uma nova fase. Sua carreira solo começou com Blizzard of Ozz (1980), ao lado do talentoso guitarrista Randy Rhoads. O álbum, com hits como “Crazy Train” e “Mr. Crowley”, foi um sucesso instantâneo, vendendo 500 mil cópias em menos de 100 dias. Apesar da tragédia da morte de Rhoads em um acidente aéreo em 1982, Ozzy continuou a lançar álbuns como Diary of a Madman (1981), No More Tears (1991) e Patient Number 9 (2022), consolidando sua posição como uma força independente no rock.
A Morte de Randy Rhoads
A morte prematura de Randy Rhoads, aos 25 anos, em 19 de março de 1982, foi profundamente sentida por Ozzy Osbourne. Rhoads, o virtuoso guitarrista que impulsionou a carreira solo de Ozzy morreu em um trágico acidente aéreo quando o avião em que estava pilotando caiu em Leesburg, Flórida. Ozzy descreveu o evento como um dos momentos mais devastadores de sua vida, comparando a perda de Rhoads à de um irmão.
Em sua autobiografia, I Am Ozzy (2009), ele escreveu: “Randy era mais do que um guitarrista. Ele era meu parceiro, meu confidente, meu melhor amigo. Quando ele morreu, uma parte de mim morreu com ele.” Ozzy também destacou a genialidade musical de Rhoads, que trouxe uma abordagem clássica e técnica ao heavy metal, elevando canções como “Crazy Train” e “Mr. Crowley” a clássicos atemporais. A conexão pessoal entre os dois era forte; Ozzy admirava a dedicação de Rhoads à música e seu profissionalismo, contrastando com o próprio comportamento autodestrutivo na época, marcado por abusos de álcool e drogas.

Após o acidente, Ozzy entrou em um período de luto profundo e quase abandonou a carreira, mas decidiu continuar em homenagem a Rhoads. Ele lançou o álbum ao vivo Tribute (1987), dedicado ao guitarrista, com gravações de shows de 1981 que capturaram a energia de Rhoads no palco. Em entrevistas ao longo dos anos, como uma para a Rolling Stone em 2011, Ozzy reiterou que nunca superou completamente a perda: “Eu ainda penso no Randy todos os dias. Ele tinha um futuro brilhante, e foi tirado de nós cedo demais.” A ausência de Rhoads também impactou a trajetória musical de Ozzy. Ele enfrentou dificuldades para encontrar um substituto à altura, trabalhando com guitarristas como Jake E. Lee e Zakk Wylde, mas sempre reconheceu que Rhoads era único. A conexão emocional e profissional entre eles deixou uma marca indelével, e Ozzy frequentemente creditou a Rhoads o sucesso inicial de sua carreira solo.
Controvérsias e a Persona do “Príncipe das Trevas”
A carreira de Ozzy foi marcada por episódios polêmicos que reforçaram sua imagem de rebelde. O mais famoso ocorreu em 1982, quando, durante um show, ele mordeu a cabeça de um morcego jogado no palco por um fã, acreditando ser um objeto de plástico. O incidente, que o levou a tomar vacinas antirrábicas, tornou-se um marco de sua carreira e alimentou a reputação de “comedor de morcegos satanista”. Apesar disso, Ozzy sempre afirmou que sua persona era uma performance teatral, rejeitando acusações de envolvimento com ocultismo. Em 1985, no Rock in Rio, ele expressou frustração com a insistência da imprensa em associá-lo ao satanismo, dizendo: “A minha transa com o demônio não é transa nenhuma. Faço música para divertir as pessoas.”

Além da música, Ozzy alcançou fama global com o reality show The Osbournes (2002-2005), que revelou seu lado humano e disfuncionalmente carismático como pai e marido. O programa, exibido pela MTV, transformou-o em um ícone pop, mostrando sua vida ao lado de Sharon e dos filhos Kelly e Jack. Ele também lançou o festival Ozzfest em 1996, que se tornou uma plataforma essencial para bandas de metal.
A Importância de Ozzy para o Heavy Metal
Ozzy Osbourne é amplamente reconhecido como um dos pais do heavy metal. Sua voz, combinada com os riffs de Tony Iommi, criou uma sonoridade que definiu o gênero, influenciando bandas como Metallica, Judas Priest e Iron Maiden. Ele foi introduzido duas vezes no Rock and Roll Hall of Fame (com o Black Sabbath em 2006 e como artista solo em 2024), recebeu cinco prêmios Grammy e foi homenageado com estrelas na Calçada da Fama de Hollywood e em Birmingham. Sua habilidade de se reinventar, tanto com o Black Sabbath quanto em sua carreira solo, demonstrou uma resiliência rara, enquanto sua presença de palco carismática inspirou vocalistas a adotarem performances intensas e teatrais.
A Conexão de Ozzy Osbourne com o RPG
Embora Ozzy Osbourne não tenha uma ligação direta com jogos de RPG (Role-Playing Games) no sentido clássico, como Dungeons & Dragons, sua música e estética tiveram um impacto significativo na cultura que envolve o gênero, especialmente durante os anos 1980. O heavy metal, com suas temáticas de fantasia, horror e mitologia, compartilha um terreno comum com o RPG, que frequentemente explora mundos de magia, monstros e narrativas épicas. As letras do Black Sabbath, como “The Wizard” e “Black Sabbath”, evocam imagens de feiticeiros, escuridão e sobrenatural, ressoando com a imaginação dos jogadores de RPG que criam histórias em universos fantásticos.Na década de 1980, durante o chamado “Satanic Panic” nos Estados Unidos, tanto o heavy metal quanto o RPG foram alvos de críticas por supostamente promoverem ocultismo. Ozzy, com sua persona de “Príncipe das Trevas”, e jogos como Dungeons & Dragons foram frequentemente citados em debates moralistas, apesar de ambos serem formas de expressão artística e criativa.
Essa controvérsia acabou unindo as duas subculturas, com fãs de metal frequentemente se envolvendo com RPGs, atraídos pela estética sombria e pela narrativa rebelde que ambos compartilhavam. Bandas como Black Sabbath inspiraram campanhas de RPG com ambientações góticas e apocalípticas, e a música de Ozzy, com sua intensidade emocional, tornou-se trilha sonora não oficial para muitas sessões de jogos.Além disso, a própria vida de Ozzy pode ser vista como uma narrativa de RPG: um herói improvável, vindo de origens humildes, enfrentando adversidades (pobreza, prisão, vícios) e se reinventando como uma lenda. Sua jornada, marcada por tragédias como a perda de Randy Rhoads e sua luta contra o Parkinson, reflete a resiliência de um personagem de RPG que enfrenta desafios épicos para alcançar a imortalidade cultural.
O Último Ato e o Legado Eterno
O show de despedida de Ozzy em 5 de julho de 2025, no festival Back to the Beginning, foi um momento histórico. Sentado em um trono devido às limitações impostas pelo Parkinson, ele se apresentou ao lado dos membros originais do Black Sabbath, com participações de bandas como Metallica e Guns N’ Roses. “Estou de cama há seis anos, e vocês não têm ideia de como me sinto. Obrigado do fundo do meu coração”, disse ele à multidão de 45 mil pessoas em Birmingham, com outros 150 mil assistindo online. O evento arrecadou US$ 190 milhões para a pesquisa do Mal de Parkinson, refletindo o impacto humanitário de sua última performance.
A morte de Ozzy Osbourne marca o fim de uma era, mas seu legado permanece imortal. Ele não foi apenas um músico, mas um símbolo de rebeldia, autenticidade e superação. Como disse Lars Ulrich, do Metallica, sobre Ozzy: “Ele era um mensageiro, transmitindo palavras que conectavam as pessoas.”
Particularmente pra mim Ozzy teve um grande impacto no meu gosto musical. Quando comecei a ouvir heavy metal, no início dos anos 80, gostava de ouvir os solos de guitarras e o peso das músicas. Mas foi Ozzy que começou a me chamar a atenção para o vocal nas músicas. Sua maneira única de cantar, sua voz inconfundível e suas performances no palco era algo diferente. Costumo dizer que ele era o vocalista que menos se movimentava na frente de um microfone no palco a fazer uma plateia inteira hipnotizada pelo seu carisma.
Sua música continuará a inspirar fãs, músicos e, quem sabe, mestres de RPG que criarão mundos sombrios ao som de “Paranoid” ou “Crazy Train”. Birmingham, o berço do heavy metal, jamais esquecerá seu filho mais ilustre. Descanse em paz, Príncipe das Trevas. God bless you.
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