O Selo Vertigo Está De Volta.

A DC Comics anunciou oficialmente o retorno do selo Vertigo durante a New York Comic-Con em outubro de 2024. Conhecido por suas histórias maduras e temáticas adultas, o Vertigo está de volta após quatro anos de hiato, e seu retorno promete o lançamento de novos títulos que seguem a tradição de narrativas complexas e provocativas.

A Vertigo Comics foi um selo da DC Comics criado em 1993, com o objetivo de explorar temas mais adultos, experimentais e ousados, distantes do mainstream dos super-heróis que dominavam as bancas de quadrinhos. Sob a liderança editorial de Karen Berger, o selo rapidamente se tornou sinônimo de narrativas maduras, abordando temas como violência, sexualidade, política, religião, e psicologia, muitas vezes com um tom sombrio e surreal. A notícia da volta da Vertigo representa um marco significativo não apenas para os fãs nostálgicos, mas também para o futuro da indústria de quadrinhos, que está em constante evolução.

A Era de Ouro da Vertigo

Durante sua primeira encarnação, a Vertigo foi lar de alguns dos títulos mais importantes e influentes da história dos quadrinhos. Esses títulos ajudaram a redefinir o que poderia ser feito na mídia dos quadrinhos e solidificaram o selo como uma potência criativa.

Sandman

Criado por Neil Gaiman, Sandman é talvez o título mais conhecido da Vertigo. A história de Morpheus, o Senhor dos Sonhos, misturava mitologia, folclore, história e fantasia em uma narrativa profunda e introspectiva. A abordagem de Gaiman transformou Sandman em um fenômeno cultural e literário, rompendo a barreira dos quadrinhos e sendo celebrado como uma obra de arte literária por críticos de todo o mundo.

Preacher

Escrita por Garth Ennis e ilustrada por Steve Dillon, Preacher foi uma série explosiva que misturava western, comédia, horror e crítica religiosa. Acompanhando a jornada de Jesse Custer, um pastor em busca de Deus para lhe pedir explicações, o quadrinho conquistou legiões de fãs com sua brutalidade, humor ácido e profunda reflexão filosófica sobre a fé.

Hellblazer

A série que trouxe ao mundo John Constantine, um anti-herói cínico, envolvido com o sobrenatural. Criado por Alan Moore em Swamp Thing, Constantine ganhou vida própria com Hellblazer, uma série cheia de mistério, magia e política. Foi um dos títulos mais duradouros da Vertigo e se destacou pela sua abordagem urbana e pessimista do ocultismo.

100 Bullets

Escrito por Brian Azzarello e ilustrado por Eduardo Risso, 100 Bullets é um noir contemporâneo que explora temas de poder, controle e vingança. A premissa gira em torno de pessoas comuns sendo oferecidas a oportunidade de se vingar de seus inimigos, com a promessa de que não haverá consequências legais. A narrativa complexa e os personagens moralmente ambíguos fizeram deste título um dos pilares do selo.

Y: The Last Man

Criado por Brian K. Vaughan e ilustrado por Pia Guerra, Y: The Last Man apresenta uma premissa inovadora: o que aconteceria se todos os homens do planeta morressem, exceto um? A série explora temas como gênero, sobrevivência e identidade, e foi aclamada por sua escrita inteligente e sua abordagem a questões sociais contemporâneas.

A Importância Cultural e Artística

A Vertigo foi pioneira ao tratar de temas que eram considerados tabu na indústria dos quadrinhos. O selo foi responsável por popularizar o conceito de graphic novels como uma forma de arte séria e respeitável, quebrando o estigma de que quadrinhos eram uma mídia voltada exclusivamente para crianças e adolescentes. Ao apostar em escritores e artistas dispostos a explorar limites criativos, a Vertigo permitiu que o gênero se expandisse e atingisse um público mais adulto e crítico.

Além disso, a Vertigo ajudou a redefinir os papéis das editoras e dos criadores dentro da indústria. O selo era famoso por oferecer maior liberdade criativa aos seus colaboradores, o que resultava em histórias mais arriscadas e inovadoras. Muitos dos quadrinistas que hoje são grandes nomes da indústria, como Warren Ellis, Grant Morrison, Peter Milligan e o próprio Neil Gaiman, tiveram grande parte de suas carreiras moldadas pela Vertigo.

O Fim do Selo e a Nova Geração

Com o passar dos anos, a popularidade da Vertigo começou a declinar. Em 2013, Karen Berger deixou o selo, e muitas de suas séries de maior sucesso haviam terminado. A DC Comics decidiu encerrar as atividades da Vertigo em 2020, integrando suas histórias ao selo DC Black Label, que, de certa forma, buscava manter viva a essência adulta e experimental da Vertigo.

Entretanto, para muitos fãs e críticos, o fechamento da Vertigo deixou um vazio na indústria. O legado de títulos icônicos e a ousadia criativa que o selo representava eram elementos difíceis de replicar. Isso abriu caminho para editoras independentes, como Image Comics e Boom! Studios, que assumiram o papel de publicadoras de quadrinhos experimentais e para adultos.

O Retorno da Vertigo: O Que Podemos Esperar?

A notícia do retorno da Vertigo reacende a chama da esperança para muitos fãs de quadrinhos que ansiavam por mais narrativas audaciosas. Esse retorno pode significar um ressurgimento da abordagem que popularizou o selo nos anos 90 e 2000, mas também pode refletir a evolução do mercado de quadrinhos, adaptando-se às novas tendências e demandas do público.

Especula-se que o retorno da Vertigo pode estar ligado ao sucesso de adaptações televisivas e cinematográficas de antigos títulos do selo, como Sandman e Y: The Last Man. As plataformas de streaming estão constantemente em busca de conteúdo com apelo narrativo e personagens complexos, e os títulos da Vertigo se encaixam perfeitamente nesse molde.

O impacto dessa volta pode ser tão significativo quanto foi o lançamento original do selo. Num momento em que questões sociais e políticas estão no centro das atenções, os quadrinhos têm o potencial de servir como um espelho da sociedade, explorando temas contemporâneos com profundidade e reflexão. Se a nova Vertigo seguir a tradição de liberdade criativa e narrativa adulta que a definiu, ela poderá retomar seu lugar como uma força transformadora dentro da indústria.

O primeiro título a ser lançado sob o novo selo Vertigo é The Nice House by the Sea, escrito por James Tynion IV e ilustrado por Alvaro Martínez Bueno. Originalmente publicado sob o selo DC Black Label, este quadrinho será reimpresso e continuará sua publicação como parte do Vertigo. A série é descrita como uma história de horror psicológico, explorando os segredos obscuros de uma pequena comunidade costeira.

Próximos Lançamentos

Além de The Nice House by the Sea, a DC Comics confirmou que outros títulos estão em desenvolvimento para o selo Vertigo, incluindo novas séries e reimpressões de clássicos. Embora detalhes específicos sobre esses projetos ainda não tenham sido divulgados, a expectativa é de que sejam anunciados em breve, possivelmente explorando temas e personagens que fizeram do Vertigo um selo tão influente no passado.


O retorno do Vertigo representa uma oportunidade para a DC Comics revitalizar seu catálogo com histórias que desafiam as normas estabelecidas e oferecem perspectivas únicas, reafirmando o compromisso do selo com a criatividade e a narrativa adulta.

Em uma época em que o conteúdo mainstream muitas vezes prioriza fórmulas seguras, a volta da Vertigo pode ser o impulso criativo que os quadrinhos precisam para evoluir e manter sua relevância. O legado do selo e sua contribuição para a forma como os quadrinhos são vistos hoje não podem ser subestimados, e sua volta traz consigo grandes expectativas de que as histórias ousadas e profundas que marcaram a Vertigo no passado continuarão a inspirar e desafiar os leitores no futuro.

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4 pensamentos sobre “O Selo Vertigo Está De Volta.

  1. No final da sua (primeira) vida a Vertigo estava atulhada de HQs que pareciam meras atitudes desesperadas de gerar algo que rendesse adaptação para o audiovisual. Infelizmente, diante das escolhas editorias da DC Comics nos últimos anos não enxergo como essa segunda chance pro selo deva esperar algo criativamente interessante. Engessada como a editora se encontra, não duvido que essa iniciativa seja apenas uma tentativa picareta de pegar o trem do hype da nostalgia, que é a febre do momento na cultura pop-nerd-geek.

  2. Buenas! Descobri esse blog recentemente, catando reviews da edição V de Vampiro A Máscara, que gosto pela edição original ter artistas dos comics americanos que aprecio muito, e então achei um vale da prática quase extinta da boa e velha escrita.

    Eu vi alguns comentários pelos “tubões-Br- desesperados-por-grana-fácil-e-likes” sobre esta volta do selo Vertigo, assim como um colega acima citou, espero que não se prendam em focar em produtos visando adaptações, a editora Image que pegou o lugar da Vertigo bem antes de sua extinção segue por esse caminho, o que acho de certa forma entediante..

    Depois cavocarei mais aqui pelo blog, vi vários textos interessantes!

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