Nesta segunda parte do artigo onde pretendo apresentar um pouco mais sobre o RPG Chamado de Chulhu, publicado no Brasil pela New Order Editora, ao público em geral irei contar um pouco mais sobre a vida e as obras de H.P. Lovecraft, escritor que influencia o cenário do jogo e que é refência para as histórias que podem ser contadas com este RPG. Suas obras e seu estilo literário, definido como Horror Cósmico, é a fonte de inspiração para as aventuras deste que é considerado por muitos como o melhorRPG para contar histórias de horror clássicas.
H.P. Lovecraft
Howard Philips Lovecraft nasceu na cidade de Providence, localizada no estado de Rhode Island, em 20 de agosto de 1890, filho único do casal Winfield Scott Lovecraft e Sarah Susan Phillips. Seu pai era comerciante de jóias e sua mãe dona de casa de uma influente família local. Quando tinha apenas três anos, seu pai sofreu um colapso nervoso e veio morrer alguns anos depois. Sem o pai, Lovecraft passa a ser criado pela mãe, com ajuda das tias e do avô Whipple Van Buren Phillips. Desde cedo Lovecraft mostrou gosto pela leitura, começando a escrever seus primeiros poemas com apenas seis anos de idade. Seu avó materno se incumbiu de ampliar seu gosto pela leitura lhe apresentando vários livros de literatura gótica de horror, além de livros clássico. Seu avó morreu quando ele tinha 14 anos, deixando a família com sérias dificuldades finaceiras. Infelizmente devido a constantes problemas de saúde Lovecraft não frequentava escola com regularidade, fazendo com que tivesse uma infância e adolescência triste. Seus problemas de saúde o impediram de conseguir pegar seu diploma do ensino médio, e com isso frequentar faculdade.
Apesar de gostar de escrever e recitar poesias desde criança Lovecraft somente começaria escrever profissionalmente com a idade de 27 anos, mas só com 33 anos teve seu primeiro conto publicado na revista Weird Tales em 1917. Chamado Dagon, o conto era sobre uma divindade do mundo dos sonhos (Dreamlands) que anos depois influenciou muito seu trabalho. Após a publicação deste conto ele passou a trabalhar como ghostwriter para a revista. Durante este período escreveu o conto Sob as Pirâmides (Under the Pyramids), um dos seus trabalhos mais famosos mas que foi publicado como sendo do mágico Houdini. Trabalhou também como jornalista durante um tempo e após alguns anos morando em Nova York voltou para Providence e começou a se corresponder com vários escritores da época, entre eles Robert E. Howard, escritor de Conan, O Bárbaro, com quem criou um grande laço de amizade.
Neste perído escreveu e publicou dois dos seus maiores sucessos: Nas Montanhas da Loucura e O Caso de Charles Dexter Ward, seu único romance. Lovecraft foi diagnosticado com câncer de intestino em 1936, pouco tempo depois de saber que seu amigo, Robert E. Howard havia cometido suicídio, fato que o abalou bastante. Em março de 1937 viu-se obrigado a internar-se no Hospital Memorial Jane Brown, onde morreria no dia 15. Lovecraft foi enterrado no dia 18 de março de 1937, no cemitério Swan Point, em Providence. Seu túmulo é o mais visitado do local, e nele há uma lápide feita por fãs onde está escrito “Eu sou Providence”, frase tirada de um dos seus contos.
Após sua morte seus contos e cartas passaram a ser admirados pelo grande público sendo hoje considerado um dos autores mais importantes do século XX nos gêneros de horror e ficção estranha. O RPG Chamdo de Cthulhu se inspira nas histórias de ficção pulp do início do século XX bem no estilo de seus contos, assim como em reinterpretações e expansões modernas dos Cthulhu Mythos e todos os Deuses estranhos imaginados por Lovecraft
O Horror Cósmico e os Mitos de Cthulhu
Boa parte das obras de Lovecraft vieram dos pesadelos constantes que ele tinha, e por isso seu trabalho possui muitos simbolismos e uma atmosfera assustadora. Seu estilo de horror procura incomodar o leitor, começando a narrativa com algo normal para depois surpreendê-lo com uma descoberta pertubadora. O cenário de suas histórias é sempre um ambiente hostil, cheio de criaturas fantásticas, quase divinas, com algumas delas vindo do espaço, mostrando que a humanidade está sujeita a forças cósmicas muito mais poderosa do que a nossa espécie. Nessas histórias o protagonista descobre um segredo que desafia a lógica, que revela um mistério que ninguém deveria saber, e com isso vai perdendo sua sanidade. A mente humana não é capaz de entender e conter a verdade cósmica e ao mesmo tempo mantere a sanidade, e por isso a simples exposição a essas verdades levaria um ser humano ao suicídio ou a loucura completa.
Este estilo literário chamado de Horror Cósmico, ou Cosmicismo, tem a ideia que a humanidade é insiginificante perante os mistérios do universo. O horror que vem do espaço cria um forte contraste com a impotência do personagem humano diante daquilo do que acontece a sua volta. Com isso Lovecraft acabou criando para suas histórias seres extra-dimensionais tão poderosos que podiam ser comparados a deuses, fazendo surgir toda uma mitologia sobre esses seres que acabou sendo chamando de Mitos do Chutlhu, termo que foi usado pelo escritor August Derleth para identificar cenários, criaturas, e tradições criadas por Lovecraft. O nome faz referência ao monstro Cthulhu, um deus antigo com aparência de um polvo com asas de morcego de tamanho colossal que possui um culto dedicado a trazê-lo de volta ao nosso mundo e que apareceu pela primeira vez no conto O Chamado de Cthulhu, que dá nome ao RPG, e que foi publicado na revista Weird Tales em fevereiro de 1928. Cthulhu é um dos líderes dos Grandes Antigos, tipo um Alto Sacerdote, responsável pelo ressurgimento de todos os outros quando as estrelas estiverm devidamente alinhadas.
Algumas dessas criaturas teriam reinado na Terra milhares de anos antes da existência da humanidade, e alguns deles até seriam responsáveis pela criação da raça humana, enquanto outros teriam uma intervenção direta na história do universo. Eles foram criados por Lovecraft para contrapor a insiginificância da humanidade, mostrados quase que como forças da natureza, impossíveis de serem derrotados.
Esssas entidades divinas são classificadas em quatro espécies:
Grandes Antigos (Great Old Ones); criaturas antigas e poderosas adoradas por cultos humanos, considerados como entidades extraterrestres extremamente avançadas. Eles não são feitos a partir de matéria conhecida pelos seres humanos e não estão vinculados às leis da natureza.
Deuses Exteriores (Outer God); dominam o universo e pouco se relacionam com a humanidade por serem desinteressados e supremamente indiferentes ao que acontece com criaturas inferiores.
Anciôes (Elder Gods); esse termo se refere a uma raça de deuses neutros que se opõem aos Deuses Exteriores e os Grandes Antigos. Esses seres não se preocupam com as noções humanas de moralidade e não parecem representar perigo para a humanidade.
Os Grandes (Great Ones); Os chamados “deuses” das Terras dos Sonhos, os Grandes não são tão poderosos quanto os Grandes Antigos e nem são tão inteligentes quanto a maioria dos humanos. Eles foram expulsos das montanhas mais baixas pela expansão da humanidade até que tiveram que deixar a Terra. Agora governam de sua fortaleza escondida de Kadath, cuja localização no tempo e no espaço é desconhecida.
Em um próximo artigo irei falar mais detalhadamente sobre cada um deles e sobre alguns especifícamente.
Necronomicon
Lovecraft também foi responsável pela criação de um dos artefatos mais conhecidos das histórias de horror: O Necronomicon. A primeira citação sobre sua existência foi em 1921 no conto “A cidade sem nome“, mas primeira aparição de verdade foi no conto “O Cão de Caça”, escrito em 1922 mas publicado somente em 1924. Sua capa, segundo a descrição de Lovecraft, foi confeccionada com pele humana e teria suas páginaas escrito com sangue, ao invés de tinta.
O Necronomicon – chamado de “Al Azif“, em árabe – é um livro que teria sido escrito em Damasco por volta de 730 d.C. por Abdul Alhazred, um poeta nascido no Iémen. Ele visitou as ruínas de Babilônia e os subterrâneos de Memphis, passando dez anos sozinho no grande deserto do sul da Arábia—o Roba el Khaliyeh ou “Espaço Vazio” – e o deserto “Rubro” ou “Dahna”, que é conhecido por ser habitado por espíritos protetores e monstros da morte. É dito que Alhazred foi devorado vivo em plena luz do dia por demônios invisíveis na frente de várias testemunhas incrédulas.
Em 950 d.C. o Necronomicon foi clandestinamente transportado para Constantinopla e traduzido para o grego por Theodorus Philetas. Ele circulou pelas mãos de curiosos até que foi queimado a mando do Patriarca Michael, da Igreja Ortodoxa. Mas em 1228 Olaus Wormius conseguiu uma cópia perdida do livro fez sua tradução para o latim na Alemanha, fazendo que anos mais tarde circulasse pela Europa.
Segundo Lovecraft, azif é o nome usado pelos árabes para designar o barulho noturno, produzido pelos insetos, que dizem ser o uivo dos demônios. Já Necronomicon é o nome dado ao livro em grego, onde a tradução mais comumente utilizada é “Livro dos Nomes Mortos“.
Sua mitologia conta que o livro contém fórmulas mágicas ligadas à magia negra, com encantamentos capaz de trazer de volta os mortos, além de conhecimento sobre as divindades dos Mitos de Cthlhu. O diretor Sam Raimi usou a mitologia do livro na trilogia Evil Dead – chamado no Brasil de “Uma Noite Alucinante” – onde o livro teria feitiços capazes de abrir um portal para o mundo dos mortos e trazer um exército de demônios para nossa realidade.
Lovecraft misturou dados fictícios com dados reais para criar toda uma mitologia sobre o livro. Por exemplo, Lovecraft determinou que um dos exemplares do Necronomicon estaria guardado na biblioteca da Universidade de Miskatonic, localizada em Arkhan, cidade fictícia criada por Lovecraft. Mas também determinou que existiriam mais três exemplares conhecidos no mundo, um guardado no Museu Britânico, em Londres, outro na Biblioteca Nacional, em Paris, e uma edição do século XVII na Widener Library, em Harvard. Outro dado interessante foi ele ter determinado que o Necronimicon foi banido pelo Papa Gregório IX em 1232, logo após a sua tradução para o latim.
Os detalhes que Lovecraft criou para o Necronomicon foram tão críveis que muitos dos seus fãs acreditaram que o livro realmente existiu. Lovecraft chegou a receber cartas dos seus fãs pedindo detalhes do livro e se ele tinha uma cópia do mesmo.
Na página 230 do livro básico de Chamado de Cthulhu, publicado em português, encontramos a descrição do Necronomicon no capítulo onze que fala sobre “Tomos de Conhecimento Arcano“. Ali são descritos cinco versões do Necronomicon: o original, cahamdo Al Azif, o Manuscrito de Sussex, traduzido do árabe pelo Barão Frederic em 1597, a versão em grego traduzido por Theodoras Philetas, a versão traduzida de Olaus Wormius em latim, e a versão em inglês traduzida por John Dee. Cada um deles traz informações diferentes para os personagens e causam perda de sanidade diferenciada também.
Espero que tenham gostado da série de artigos sobre Chamado de Cthulhu, e se quiserem fazer comentários ou perguntas podem fazer abaixo. Aproveito para pedir que me sigam nas redes sociais.
Facebook: https://www.facebook.com/velhinhodorpg
Instagram: https://www.instagram.com/velhinhodorpg













