O Predador Para A Bandeira Do Elefante E Da Arara.

Foi lançado recentente a prequel da fraquia O Predador chamada Prey, intitulada no Brasil como “O Predador: A Caçada”, dirigida por David Trachtenberg e estrelado por Amber Midthunder e já disponível no canal de streaming Star+. O filme conta a história de uma jovem indígena na nação Comanche, Naru, vivendo com sua tribo na região das Grandes Plánices dos EUA no século XVIII. Ela deseja ser uma caçadora, mas é sempre menosprezada pelos caçadores da sua tribo que acham que ela não consegue caçar, e por sua mãe que deseja que ela faça outras tarefas. Até que um Predador chega a região em sua missão de caçar presas que sejam desafiadoras e um conflito entre os dois adversários se estabelece.

O diretor Trachtenberg disse que a ideia era mostrar os primeiros Predadores que chegaram ao nosso planeta, e como isso ocorre há 300 anos atrás a tecnologia deles, apesar de avançada para nós, não seria tão moderna como vemos nos outros filmes da franquia. Por isso uma das armas icônicas do personagem, o canhão de plasma, não aparece no filme, assim como a bomba de auto-destruição.

Só porque parecia ser um botão de vitória rápida. Eu queria ter certeza de que a luta seria o mais emocionante possível sem abrir mão de nenhuma vantagem, mas ele terá dispositivos novos e incríveis que todos poderção ver.”

Trachtenberg queria focar em uma história nos caçadores nativos americanos, fazendo uma espécie de faroeste sem cowboys, onde as armas não fizessem tanta diferença quanto a habilidade da caçada.

PREDADOR NA ABEA

Depois de ter visto o filme, que aliás gostei bastante, fiquei imaginando se não seria possível colocar o Predador nas matas brasileiras, ou na floresta amazônica, usando o RPG A Bandeira do Elefante e da Arara, já que o cenário seria quase o mesmo do filme. O Predador teria vindo para cá interessado em caçar alguns dos mais temíveis predadores de nossa fauna: uma onça pintada, um jacaré-açu ou talvez uma surucucu-pico-de-jaca. Podemos até mesmo diminuir um pouco mais o poder de fogo do Predador, como fez o diretor Trachtenberg em seu filme, já que a aventura ocorreria no século XVI, 200 anos antes do Predador que enfrenta a guerreira Comanche da história. Vamos então dar uma olhada nas estatísticas da criatura para usar em uma aventura em nossas matas.

Predador

Tamanho: K (Um pouco maior do que um urso pardo)

Movimento: 6

Habitat: matas, manguezais, pântanos

Habilidades: Corrida 2, Força Física 2, Rastreamento 3,

Especial: Camuflagem (em nossa versão ao invés da tecnologia de ficar invisível o Predador teria a mesma habilidade de um camaleão, o de ficar camuflado na mata caso fique imóvel. Se o narador preferir pode usar a invisibilidade mesmo.)

Ataques Físicos: Golpear 2 (dano 2), Atacar com as garras 3 (dano 4), Armas de Arremesso 3 (dano 4), Armas Exóticas 3 (dano 4), Arma Mecânica 3 (dano 4), Luta Livre 3 (dano 4)

Resistência: 25

Defesa Passiva: 2

Defesa Ativa: 3

Escolha entre as armas disponíveis para uso do Predador Lança e Machado de arremesso para simular as armas de arremesso do Predador; Alabarda e Espada de Lâmina Larga para as Armas Exóticas, mas as descreva com propriedades diferentes, como cabo retrátil, ponta que se desprende do cabo e volta, etc. Use uma Besta como Arma Mecânica arremessando de flechas de aço.

AS HISTÓRIAS

O Caçador Caçado: Podemos inicalmente pegar a mesma premissa do filme e colocar um grupo de jovens nativos que estão passando por um rito de passagem tendo que caçar nas matas um grande predador animal e acabam atraindo o Predador para enfrentá-los. Os jovens caçadores estão no meio da mata sozinhos e precisam juntos escapar do monstro, que eles acrediram ser alguma criatua das lendas e mitos indígenas, como o Caipora, Capelobo, ou Ipupiara. Podemos usar também os conflitos entre as tribos nativas que habitam o Brasil antes da chegada dos europeus como um motivo para chamar a atenção do Predador, que está nas matas interessado em caçar adversários valorosos. As guerras entre os Caetés, Potiguares e Tupinambás pode ser usado nesse tipo de aventura onde os nativos dessas tribos estão em conflito no meio da mata quando o Predador aparece.

Guerra nas Matas: Após capturarem e devorarem Dom Pedro Fernandes Sardinha, bispo do Brasil, os Caetés, tribo nativa pertencente ao ramo Tupi, se tornam inimigos dos portugueses. Por causa disso o Governador Geral do Brasil, Mem de Sá, envia tropas para retaliar o ataque dos indígenas contra os sobreviventes da embarcação portuguesa que levava o bispo e naufragou no rio Coruripe, em Alagoas.

As tropas enviadas para a região começam a perseguir, matar e escravizar os Caetés, que revidam e uma guerra se estabelece na região de mata da Capitania de Pernambuco. Devido a belicosidade da tribo, que era acostumada a guerrear contra outros povos da região, como os Potiguares e os Tupinambás, os soldados enviados precisam usar de todo seu poderio para derrotar os Caetés, acostumados a lutar dentro da mata. Por isso o uso de armas de fogo se torna intenso por parte das tropas enviadas pelos portugueses. O que nem um grupo nem outro esperava é que a guerra entre os dois grupos irá chamar a atenção de um Predador que está nas matas da região.

O melhor para a história seria se o narrador não contasse para os jogadores que eles vão enfrentar o Predador. Comece contando a história do naufrágio e a convocação feita por Mem de Sá para retaliar contra os nativos. Em seguida narre a viagem, a chegada em Pernambuco e a ida até a área de conflito. Crie alguns conflitos primeiro, com os PCs enfrentando alguns de Caetés nas matas e entendendo a dificuldade que os aguarda nesta batalha. Pode ser narrada uma situação na qual eles acreditam que vão ser mortos pelos indígenas, quando somente os PCs sobram do grupo que entram na mata, para em um passe de mágica os nativos sumirem sem deixar rastro.

Eles depois descobrem os corpos dos portugueses e dos Caetés estripados e sem as cabeças em uma árvore, pendurados pelos pés. Os nativos de outras tribos que podem estar na região falam de “Curupira“, entidade que protege as matas, enquanto os africanos falam em “Asanbosam“, um vampiro que vive nas árvores, emboscando pessoas do alto (para saber sobre isso e outros mitos africanos que podem ser usados em ABEA clique AQUI).

Eles podem encontrar um sobrevivente que perdeu uma das mãos e não podiam segurar uma arma para atacar e que disse ter visto a criatura que se esconde entre as árvores e vegetação se camuflando, mas que não lhe atacou quando viu que ele era inofensivo.

Aos poucos os jogadores irão perceber que a criatura que está na mata caçando e estripando os guerreiros dos dois lados é um Predador. Sair apenas da região não vai funcionar, porque a autoridade local não os deixará sair até que derrotem os Caetés, e fugir os torna criminosos de guerra, punidos com a morte. Eles terão que planejar como derrotar a criatura e se manterem vivos. Será interessante se um dos personagens for do lado caeté, e portanto terão que fazer uma trégua para enfrentar um inimigo em comum. Se isso acontecer não se esqueça de narrar os acontecimentos da guerra dos dois lados, mostrando os dois pontos de vista dos grupos envolvidos no conflito. Até mesmo toda uma aventura do lado indígena seria interessante, com os caetés resistindo ao ataque dos portugueses e tendo que lidar com a chegada do Predador no meio do conflito.

A Cidade Perdida: Nessa história os personagens dos jogadores são aventureiros que estão entrando na mata em busca de ouro e riquezas que lendas contadas pelos índigenas dizem ter na região amazônica em uma cidade perdida. Eles podem estar fazendo isso a partir da Capitania do Maranhão, em direção a região inexplorada. O problema é que a região não pertence a Portugal e sim a Espanha, que também tem aventureiros do seu lado atrás da cidade feita de ouro.

Os dois grupos se encontram em uma área da região amazônica e começam um conflito armado, o que chamará a atenção do Predador. Ele fez da cidade perdida sua base, e entrar nos templos e construções do local pode ser uma sentença de morte, devido ao emaranhado de túneis e labirintos dentro deles, o que o Predador usará a seu favor.

Antes de chegar a cidade crie algumas cenas mostrando como a floresta é perigosa para as pessoas que entram sem respeitar seus habitantes, com os PCs tendo que escapar de um ataque de um poderoso e enorme jacaré-açu ou uma onça pintada. Depois eles encontram o mesmo animal estripado e sem cabeça pendurado de cabeça para baixo. Crie uma cena com um grupo de nativos atacando o grupo de aventureiros que está invadindo suas terras e eles escapam quando um Predador aparece camuflado no meio da batalha e mata gente dos dois lados (não esqueça de colocar alguns NPCs do lado dos jogadores para serem as primeiras vítimas da história, tanto do ataque dos animais descrita acima, quanto dos índios e do Predador, até que sobre somente os PCs para enfrentar diretamente a criatura).

Quando chegarem a cidade perdida eles precisarão enfrentar tanto os espanhóis quanto o Predador para sairem com vida. Lembrando que a tal cidade perdida nada mais é do que as ruínas de uma civilização antiga e nada tem de ouro.

O Quilombo: E que tal se o que atraisse o Predador fosse uma guerra entre grupos de africanos que teriam fugido de engenhos da Capitania de Pernambuco onde executavam trabalhos forçados e que escolheram a zona da mata da região como refúgio? Os ex-escravos formam uma fortaleza e travam uma batalha contra seus captores ao mesmo tempo que precisam enfrentar a ameaça do Predador que aparece atraído pelo conflito armado que se estabelece entre os dois grupos. Crie um dos personagens com Poderes de Ifá e use alguns mitos africanos como explicação para eles do que estão enfrentando.

USE E ABUSE

Se você for fã da franquia e já viu os filmes vai saber usar os vários elementos presentes em todos eles na narrativa que vai utilizar em A Bandeira do Elefante e da Arara porque de uma forma ou de outra eles se repetem. A única diferença é que agora o cenário é o Brasil Colonial, mas todo o demais pode e deve ser explorado na história que irá contar.

O Predador sempre irá usar a mata como uma maneira de se camuflar para atacar, mas ele não tem medo dos personagens e confia na sua habilidade de luta e suas armas que considera superior a dos personagens.

Antes de tudo uma aventura com o Predador é uma aventura de sobrevivência do mais inteligente, por isso usem táticas que previlegiem mais a esperteza do que a força contra ele. Boa caçada.

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