O Comércio De Sangue Em Vampiro: A Máscara.

Em um mundo moderno, onde câmeras de segurança estão em cada esquina, e a Segunda Inquisição está ciente do modus operandi dos Vampiros caçando os Membros em cada cidade, se alimentar pode ser um desafio para alguns vampiros, principalmente para os menos experientes. Por conta disso um comércio de sangue entre os Membros foi criado para garantir que a Besta não tome conta de um vampiro faminto, impedindo que ele quebre a Máscara e crie complicações para toda a sociedade vampírica.

Além disso todos os vampiros podem se beneficiar da Ressonância do Sangue: uma emoção humana particular que melhora as Disciplinas vampíricas. Essas ressonâncias são baseadas nos humores da vítima (sanguíneo, fleumático, colérico e melancólico). Por exemplo, o sangue colérico melhora a força, a potência e a intimidação do vampiro. Os mortais têm uma tendência a uma ressonância específica, que varia dependendo de seu estado mental – mas é difícil caçar o humano perfeito no momento perfeito. Um serviço que pudesse fornecer uma experiência de bebida personalizada seria muito popular entre os Membros que pudessem pagá-lo. Pra isso foi criado o Sistema Circulatório, uma rede internacional de tráfico humano que mantem fazendas humanas, hospeda eventos de degustação e garante um suprimento regular e seguro de sangue para todos que puderem pagar. Esse sangue é levado para locais específicos dentro de cada cidade dentro de vans blindadas com seguranças fortemente armados, para serem vendidos aos Membros. Ás vezes, aos invés de bolsas de sangue, vítimas especiais são levadas diretamente para os clientes, como um pedido mais personalizado, e mais caro, a critério de quem compra. Esse comércio foi descrito no livro básico do V5, página 386, sob o nome de The Circulatory System, sendo uma Loresheet que pode ser adquirido por um personagem no momento da criação.

Alguns clãs são mais dependentes deste tipo de serviço do que outros, como os Ventrue, por exemplo. Sua maldição de exclusão de presa faz com que os vampiros desse clã, por terem também recursos para isso, sejam os maiores clientes do Sistema Circulatório. Além deles os vampiros do clã Hecata também fazem bastante uso desse tipo de serviço. Devido a sua maldição de beijo doloroso os vampiros desse clã compram sangue para evitar ter que ficar ouvindo sua vitima gritando de dor por conta de sua mordida. Já os vampiros Tremere, conhecidos por serem feiticeiros que usam sangue para suas magias, também recorrem constantemente ao Sistema Circulatório adquirindo sangue com propriedades únicas ou específicas para lançar seus feitiços.

O Sistema Circulatório mantém dois livros de notas: um com o nome e preferência de seus clientes – um ativo arriscado, caso caia em mãos erradas – e outro com as qualidades do sangue que fornecem. Eles operam na maioria das noites para a elite da Camarilla, e infelizmente são inacessíveis para a maioria dos Membros.

Os Sangues Fracos, por exemplo, são vampiros de 14ª geração ou maior, cujo sangue é tão diluído que não pertencem a nenhum clã específico, nem têm a maioria de seus poderes. Para superar essa deficiência, eles desenvolveram a Alquimia do Sangue Fraco, uma feitiçaria que lhes concede acesso a Disciplinas temporárias. Para fazer isso, eles precisam de muitos vasos de sangue, e por não terem os recursos e o respeito dos Ventrue e dos Tremere, quase nunca consegue acesso ao Sistema Circulatório. Recentemente foi mostrado nos quadrinhos de Winter’s Teeth, a Sangue-Fraco Collen Pendergrass comprando bolsas de sangue de um traficante chamado Desmond, provavelmente um carniçal que trabalha para vampiros de Minneapolis, sem que possa garantir que o sangue está imune de doenças, já que foram retiradas de viciados de rua.

Existem outros serviços, entretanto. O Tender, por exemplo, é um site de namoro falso criado por uma fachada corporativa dos Ventrue, projetado para classificar as potenciais vítimas e avaliar sua ressonância. Os usuários do aplicativo podem ser facilmente geolocalizados e contatados. A desvantagem é que o uso de novas tecnologias são fortemente desencorajados pelos Membros mais velhos devido a facilidade de monitoramento das redes pela Segunda Inquisição. Clínicas de doação de sangue, controladas por vampiros, também são uma maneira de conseguir sangue, entretanto essas clínicas são supervisionadas por mortais, o que força de vez em quando que os Membros tenham que agir para que não descubram a verdadeira utilização do sangue ali estocado.

Outra maneira de conseguir sangue é usando uma rede de humanos que conscientemente doam seu vitae para os vampiros. Isso é bom principalmente para vampiros consensualistas, mas um perigo tremendo para a Máscara. Muitas vezes os Príncipes da Camarilla ou Barões Anarquistas de algumas cidades proíbem esse tipo de comportamento em suas regiões. Já se ouviu falar também em tráfico humano controlado pelos Setitas, que mantém suas vítimas ligadas a monitores digitais para extrair deles determinadas ressonâncias.

Mas a maneira mais fácil de obter sangue é por meio de hospitais, onde muitos carniçais trabalham como enfermeiras e médicos, e através de um valor razoável fornecem esse serviço. Entretanto o sangue não tratado coagula rapidamente e o sangue tratado tem um gosto terrível, então isso requer conhecimento técnico e um paladar fácil de apaziguar. Além disso muitas vezes não se sabe a procedência do sangue, nem há tempo de tratá-lo.

Seja qual forma o vampiro escolha para conseguir sangue, o uso de comércio de sangue na crônica é um tema interessante para usar nas aventuras. Vejamos alguns exemplos:

  • Um grupo de vampiros descobre um dos locais onde o Sistema Circulatório estocava sangue e conseguem roubar um lote grande de sangue. O Xerife local quer a cabeça desses vampiros e as bolsas de sangue de volta. Ele põe um prêmio na cabeça desses membros, e qualquer vampiro da cidade pode ajudar na busca por eles. Esse prêmio pode ser um favor, o direito a uma área de caça, o direito de ser aceito na sociedade da cidade, etc. Pense naquilo que melhor se encaixe na sua crônica sem ser algo de valor apenas (dinheiro, bolsa de sangue, etc.). Os vampiros que praticaram o roubo podem ser Hecatas (Putanescos) que querem começar também um negócio para rivalizar ao Sistema Circulatório; Nosferatus que não tinham acesso ao serviço; Sangue-Fracos que querem fazer os vampiros mais velhos dependentes deles, etc; Use o que achar melhor para encaixar na sua crônica;
  • Uma doença está se espalhando entre os vampiros, fruto do vitae de um Sangue-Fraco que não sabe o que ele é e doa sangue de vez quando em troca de dinheiro para comprar suas drogas. A doença pode fazer que os vampiros não consigam usar suas disciplinas, ou causa danos neles ou impede que os vampiros se curem. Os Tremere querem o doador para usar seu sangue doente para fazer feitiços de ataque, os Banu-Haqin querem o sangue para usar contra seus inimigos, os personagens dos jogadores querer achar o doador apenas para impedir que ele continue fazendo isso;
  • O touchstone de um dos personagens some misteriosamente. Ao investigar o que aconteceu o vampiro fica sabendo que ele, ou ela, está sendo mantido como fornecimento de sangue em uma fazenda de vitae do Sistema Circulatário, ou então usado em tráfico humano e será enviado para fora, atendendo o pedido de vampiros de outra cidade. Uma corrida contra o tempo começa para descobrir onde está o touchstone, que vampiro o raptou e uma maneira de libertá-lo passa a ser o objetivo.

De qualquer forma pense no comércio de sangue para sua crônica como algo estabelecido e que os vampiros usam normalmente dependendo de suas possibilidades. Dá pra gerar conflitos interessantes para as aventuras.

Aproveito para desejar a todos um feliz 2021, com muita paz e vacina para todos!

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