
Tales Froom The Loop está se transformando no grande fenômeno de mídia da atualidade. Do início com livros, passando pelo RPG, ele chega as TVs de todo mundo através de uma série na Amazon Prime Vídeo e em breve estará nas mesas na forma de um boardgame que está em financiamento coletivo. Você não sabe do que se trata? Vamos então entender.
O AUTOR E SUA OBRA
Tales from the Loop saiu da mente criativa de Simon Stålenhag, artista, músico e designer nascido na área rural de Estocolmo, Suécia, em 1984. Inicialmente ele desenhava paisagens locais, decidindo ir aos poucos para cenários de ficção científica misturando imagens de sua infância com filmes que gostava. Posteriormente ele passou a adicionar robôs gigantes, megaestruturas abandonadas, além de itens suecos comuns, como carros Volvo e Saab as suas obras como uma maneira de chamar a atenção do público. Conforme seu trabalho foi evoluindo ele decidiu adicionar uma história de fundo as imagens, imaginando uma instalação governamental subterrânea que seria responsável pelas grandes máquinas presentes em seus desenhos, as quais se mostravam em abandono, e um mistério sobre suas utilidades.

Suas obras estavam de forma gratuita na internet, até que ele decidiu lançá-las em dois livros, Tales from the Loop, em 2014, e Things from the Flood, em 2016, que abordam a construção de um acelerador de partículas supermassivo chamado Loop. Em seu primeiro livro ele conta:


Recentemente ele lançou um terceiro livro, The Electric State em 2018, centrado em torno de uma garota e seu companheiro robótico atravessando o estado fictício de Pacifica. Este livro teve seus direitos para filme vendidos aos irmãos Russo (Anthony e Joseph), mais conhecidos pela contribuição em quatro filmes da Marvel (Capitão América: Soldado Invernal, Capitão América: Guerra Civil, Vingadores: Guerra Infinita e Vingadores: Ultimato). Todos os livros podem ser encontrados na Amazon inclusive com versão Kindle.
O RPG NOS ANOS 80 QUE NUNCA EXISTIU
Em 2016, após uma bem sucedida campanha no Kickstarter, foi lançado o livro de RPG com mesmo nome escrito por Nils Hintze e distribuído pela Free League Publishing, empresa sueca do ramo de jogos. Situado na década de 1980, nos Estados Unidos ou na Suécia, os jogadores interpretam um grupo de crianças ou adolescentes que lidam com os mistérios que cercam o Loop, o maior acelerador de partículas do mundo, construído a partir de 1954 pelo governo sueco e concluído em 1969, localizada bem abaixo do campo pastoral de Mälaröarna, tendo como cenário os subúrbios suecos dos anos 80, povoadas por máquinas fantásticas e estranhas abandonadas que passaram a assombrar o campo depois que o Loop foi construído. Alternativamente as historias podem ter como palco os subúrbios de Boulder City, em Nevada, EUA.
Os jogadores devem escolher entre tipos de personagem como o leitor ávido, o criador de problemas, o garoto popular ou o esquisito. Deverão lidar com a vida cotidiana cheia de pais irritantes, dever de casa e colegas de escola que causam problemas. A mecânica das regras se concentra menos no conflito e no combate e mais na exploração, nos relacionamentos e nas necessidades dos personagens para equilibrar a solução de mistérios com sua vida cotidiana como adolescentes em idade escolar.

A mecânica do jogo é a mesma usada em jogos como Mutant Ano Zero (lançado no Brasil pela editora Pensamento Coletivo) e Alien RPG (que será lançado pela New Order em breve), onde para fazer uma ação de habilidade você simplesmente pega vários dados de seis lados, igual seu nível de habilidade, e rola todos juntos. Você precisa de pelo menos um seis para ter sucesso, e seis extras podem dar efeitos bônus a ação.

O RPG ganhou cinco prêmios no ENnies Awards em 2018 nas seguintes categorias:
- Melhor jogo
- Melhor Arte Interior
- Melhor Configuração
- Melhor Redação
- Produto do Ano
A Sagen Editora, em parceria com a Galápagos Jogos, anunciou no mesmo dia que era lançada a série de TV pela Amazon Prime Vídeo, 03/04, o lançamento no Brasil do aclamado RPG Tales from the Loop sem data prevista.
A SÉRIE DE TV
Em 3 de abril a série de TV baseada no trabalho de Stålenhag foi lançada no Amazon Prime Video estrelando Rebecca Hall (Vicky Cristina Barcelona), Paul Schneider (Parks and Recreation) e Jonathan Pryce (Game of Thrones). A série tem oito episódios que são independentes mas interligados. O garoto que aparece em um dos episódios é o personagem principal de outro, onde ele namora uma garota que se torna a história principal do seguinte. O porteiro de um dos episódios, que aparece brevemente, se torna o principal de outra história onde pede ajuda da garota do outro episódio. Assim as histórias se interligam e se misturam ao mistério do Loop. O clima e a ação da série são bucólicas, com uma trilha sonora muito boa, que casa com as cenas e a história dos personagens. Em tempos de isolamento social onde devemos FICAR EM CASA se torna uma excelente pedida.

O JOGO DE TABULEIRO
Pegando a esteira do sucesso do RPG, e o lançamento da série de TV, a Free League abriu o financiamento coletivo do jogo de tabuleiro baseado em Tales from the Loop, projetado por Martin Takaichi, design de Crusader Kings – The Board Game, Tomas Härenstam, designer de Alien RPG, Forbidden Lands e Mutant: Year Zero, e Paolo Parente do Dust Studio, que produzem as miniaturas, além de todos os componentes físicos do jogo. A Dust é uma fabricante aclamada de miniaturas de qualidade desde 2005, produzindo sua própria linha Dust 1947, bem como miniaturas para empresas de jogos de tabuleiro como CMON, Monolith e Mythic Games.

No jogo de tabuleiro 1-5 jogadores jogam cooperativamente para investigar quaisquer fenômenos que ameacem as ilhas (ou talvez apenas a locadora de vídeo local) e, com sorte, pará-los. Todos os dias começam na escola, mas assim que a campainha toca, você pode usar o tempo que tiver antes do jantar e da lição de casa para explorar pelo tabuleiro As ações dos jogadores são integradas, o que significa que não há tempo de inatividade enquanto você espera os outros pela sua vez. Isso também torna a cooperação com seus colegas dinâmica, pois você pode reagir a coisas que acontecem de uma vez e não precisa planejar tudo desde o início. Pelo menos quatro cenários serão incluídos no jogo base (mais podem ser desbloqueados como metas de expansão), e cada cenário leva aproximadamente 90 a 150 minutos para ser concluído.

Infelizmente devido as leis e costumes de importação o jogo não é enviado para Bielorrússia, Rússia, Ucrânia, Cazaquistão, Afeganistão e…Brasil!
Mas dá pra baixar um print and play do jogo pra matar a curiosidade. Clique AQUI, imprima EM CASA e jogue com a família.
Apesar de muito comparado com Stranger Things eu não concordo com a comparação. Enquanto em Stranger Things um grupo de crianças enfrentam criaturas de outra dimensão, com muitos poderes paranormais, ação, correria e combate na história, em Tales from the Loop são crianças e adolescentes investigam mistérios que envolvem uma tecnologia desconhecida, sem combate, sem ação desenfreada, sem correria, sendo colocados em situações que precisam resolver usando a cabeça. Se a comparação é porque em ambos temos crianças e adolescentes em destaque, ela termina por aí.
Acho que a galera que curtiu um também vai curtir o outro por motivos diferentes. As histórias envolvem e fica um gostinho de quero mais quando termina a temporada. Aproveitem o isolamento para ver, ou rever, as duas e tirem suas conclusões.










Não há como não se apaixonar por Tales From The Loops. Namorava há muito tempo até que a Amazon resolveu colocá-lo em seu catálogo. Aproveitei e peguei Things From The Flood também. Assinei a Amazon Prime só para poder ver a série… E que série. Claro que não vai agradar a todos, especialmente aqueles que estiverem procurando Stranger Things em qualquer outro lugar. No começo eu queria que tivessem feito a série mais parecida com a pegada do RPG, mas depois aprendi a gostar da série como ela é. Talvez cada formato do seu jeito deixa o mundo de Tales mais rico ainda. Torcendo para vir outras temporadas e – quem sabe – sair um Things From The Flood.