Todo mundo conhece a figura do Papai Noel, o bom velhinho que distribui presentes para as crianças na noite do Natal viajando em um trenó voador puxado por renas e levando brinquedos em um saco. Sua barba branca, gorro e roupas vermelhas, e sua figura bonachona, são marcas registradas que o identificam em qualquer lugar. Mas pouco ou nada se fala sobre o seu passado e sua história antes de se tornar quem ele é na atualidade. Pensando nisso o genial escritor escocês Grant Morrison, autor premiado e controverso de títulos como Os Invisíveis, Homem-Animal, Os Sete Soldados, Batman, All Star Superman, entre outros, decidiu contar a história do Papai Noel no melhor estilo Batman: Ano Zero, ou seja, contando sua história antes dele ficar conhecido no mundo inteiro, procurando responder algumas perguntas que muitas pessoas devem se fazer, do tipo: Onde ele começou? Como ele era quando jovem? Por que ele distribui presentes? Como ele faz isso? Para responder essas e outras perguntas surgiu então Klaus, mini serie em sete edições que conta a história da origem do Papai Noel na qual ele é uma mistura de herói e guerreiro da mitologia viking/siberiana, roteirizada por Morrison, desenhada por Dan Mora, e publicada pela Boom! Studios. Vamos saber mais sobre essa HQ.
SEU PASSADO
Situado em um passado fantástico e sombrio no norte da Europa, carregado por mitos e magia, Klaus conta a história de como o Papai Noel realmente veio a existir e procura explicar de onde vieram os vários elementos que compõem seu mito. Na história vemos o jovem Klaus procurando levar a alegria da celebração do Yule de volta para a cidade de Grimsvig, uma cidade dominada pelo despótico Lord Magnus. O Yule é uma comemoração celebrada no norte da Europa pré-Cristã. Os pagãos germânicos celebravam o Yule do final de Dezembro até os primeiros dias de Janeiro, correspondendo ao Solstício de Inverno. O Yule é o equivalente as nossas festas de final de ano, abrangendo o Natal e o Ano Novo.
No início da história Klaus é mostrado como um vendedor de carne e peles de animais que vive de maneira solitária na floresta, tendo contato apenas com animais e espíritos da natureza, mas depois ficamos sabendo que um dia ele já foi o capitão da guarda da cidade de Grimsvig, tendo sido traído e expulso de lá por Magnus. Klaus também é mostrado como uma espécie de Xamã/Guerreiro, sabendo um pouco sobre magia de cura e proteção, além de manejo com armas, bem dentro do estilo de Morrison que curte focar em elementos místicos com ação nas suas histórias. Quem pensa que Klaus tem várias renas ao seu redor se engana. Ao invés disso ele possui a companhia de uma enorme loba branca, de nome Lili.
Outra presença mística na história é uma criatura que está presa nas minas de carvão da cidade e a qual o Lord Magnus quer libertar para se aproveitar do seu poder. Apesar de não ter seu nome citado ao longo da história percebemos que se trata do Krampus, criatura que ao invés de dar presentes para as crianças no Natal deseja puni-las, principalmente as más.
Recentemente ficamos sabendo da informação de que uma nova revista de Klaus estaria para sair. Continuando do ponto onde parou na edição #7 esta seria uma edição única com 48 páginas que tem como título “Klaus and the Witch of Winter” (traduzido livremente como “Klaus e a Feiticeira do Inverno”). Ela seria lançada no dia 21/12, apenas alguns dias antes do Natal para aproveitar as datas festivas.
Já foi cogitado também uma versão cinematográfica da história, que foi noticiada pelo site Terra Zero. Segundo se especula a Fox estaria interessada em levar a origem heroica do Papai Noel para as telonas, lembrando que a Boom! Studios tem um contrato de primeira opção com a Fox, onde a empresa cinematográfica tem prioridade na adaptação das HQs da editora.
O site Ponto de Ignição traduziu parte da entrevista dada por Morrison para o site americano CBR falando sobre a revista, o qual eu reproduzo abaixo:
CBR: Grant,o conceito de “Klaus” é tantouniversalquanto atemporalpor natureza–esse é um conceito em que você esteve pensando por um tempo, desenvolvendo-o aqui e ali?
Morrison: Eu já tinha essa conceito lá atrás.Euestava fazendo“All-Star Superman“, e eu fiquei tãoligado no Superman, tão ligado nesse personagem, tão envolvido como que estávamos fazendo. Quando eu terminei a revista, me ocorreu o quanto eu adoraria fazer isso–comum personagem quenãofosse de uma empresa.[Risos] Eupensei sobre, “Qual personagem todo mundo conhece?” “Quem éherói o favoritode toda criança?” De repente eu pensei, “Como é que ninguém nunca contou o Ano Um do Papai Noel?” Parece tão óbvio. Basicamente,este é o meu“All-Star Papai Noel.” [Risos]“Papai NoelAnoZero“. É meio que uma abordagem pura do personagem como se ele fosse o maior super-heróido mundo,do qual nós nunca aprendemos a origem.
CBR: Embora existammuitas históriascontemporâneasque envolvem o Papai Noel, a interpretação básica é quase sempre a mesma, não houveram abordagens mais profundas oureinvençõesdo personagem–para você, não parece que essa história já deveria ter sido feita?
Klaus e Lili caçando.
Morrison: Por mais estranho que pareça, ninguém fezahistória de origem. Acho que houveumfilmedos anos 60ou algo assim–não me lembroquem o fez,mas erauma espécie deorigemdo Noel.Eu sei que háum novo filme acontecendo, que é uma das razõespara eu quisesse que a revista saísse.Éum roteiro queestá bombando. Eu queriafazer issoporque a minha ideia sobre elaera fazê-la comoum super-herói. Acho que ninguém nuncafez isso, e é estranhoque ninguém tenha pensado nesse personagem–Como ele era najuventude? Como ele conseguiuo saco (Off-Topic – de presentes, crianças. Olha a mente poluída…)? Como ele conseguiu as renas? Como ele conseguiuo trenó? Parecia umahistória tãoóbvia.Eufoquei bastante nele,especialmente depois do material mais pesadoque venho fazendo, como “Annihilator” e “Nameless“. Eurealmente queria fazerapenas uma grande, fantasia épicaparaum público mais amplo, um públicode todas as idades.
Para tristezas de muitos a revista não deve ser publicada no Brasil, afinal nenhuma empresa detêm os direitos de publicação da Boom! Studios por estas bandas, mas quem estiver muito curioso a respeito dela é possível encontra-la na grande rede.
[ATUALIZAÇÃO] A revista foi publicada no Brasil pela Devir e pode ser adiquirida na Amazon clicando AQUI.
PAPAI NOEL NO RPG
Klaus é uma história cheia de ação, aventura, magia, com um toque sombrio, mas que eu tenho certeza que irá encantar a todos. Como sugestão deixo as fichas de Papai Noel e do Krampus para o RPG Este Corpo Mortal, que na minha opinião seria o melhor para adaptar a história da revista para uma sessão de RPG com a família na noite de Natal, contando de maneira heroica e fantástica a saga do Papai Noel, até se transformar na figura lendária dos dias de hoje.
Paixões:Dever 5 – Punir crianças malvadas do mundo.
O Krampus é um tipo de demônio da cultura nórdica que estava preso em uma mina de carvão. Ele contatou Lord Magnus através de sua magia e o convenceu a soltá-lo. Ele possui um saco onde ele coloca as crianças lá dentro para devora-las depois.
Klaus – Papai Noel (Xamã-Protetor das Crianças)
Força 2 Graciosidade 4 Sagacidade 3 Vontade 4
Capacidades: Agilidade Atlética 3 / Manejo com Espada 2 / Sobrevivência em Florestas 4 / Xamã 4
Paixões:Amor 3 – Pelas crianças. Dever 2 – Levar a alegria para a noite do Yule.
Klaus possui uma loba branca enorme como companheira e consegue realizar feitiços de cura e proteção, além de conseguir entrar em contato com espíritos da natureza ao tocar sua flauta.
Klaus, ou Santa Klaus, é o nome pelo qual é chamado o Papai Noel no norte da Europa e boa parte do mundo que fala inglês. Quer saber mais sobre essa figura que alegra as noites de Natal? Cliquem e confiram.
Republicou isto em Velhinho do RPG and commented:
Klaus, ou Santa Klaus, é o nome pelo qual é chamado o Papai Noel no norte da Europa e boa parte do mundo que fala inglês. Quer saber mais sobre essa figura que alegra as noites de Natal? Cliquem e confiram.