por Sâmilla Marely.
Olá pessoas, como vão? Provavelmente muitos de vocês não me conhecem, mas olá! Meu nome é Sâmilla, mais conhecida como Sâmi, uma singela nerd de 23 anos, formada em gastronomia, mas não é sobre isso isso que vim falar com vocês, mas sobre meu querido hobbie: COSPLAY! Já ouviu falar sobre isso? Provavelmente sim, pois ultimamente esse hobbie tem saído bastante na mídia vigente. Minha intenção neste artigo é explicar o que é cosplay, um pouco da sua história no mundo, sua chegada ao Brasil, sua atual popularidade aqui no ES, e a polêmica do que aconteceu recentemente na ComicCon Experience.
ORIGEM DO NOME

Cosplayer – Samilla – Sami in Sunshine Land; Personagem – Karuta Roromiya; Fotografia: Victor Haratani – FTW Multimedia e Igor Patrício Silva – The izzy fotografias
Primeiramente, da onde veio esse nome? Cosplay é uma abreviação de duas palavras em inglês, COS: vem de “costume”, cuja tradução livre seria “fantasia”, se vestir de algo não dentro da sua realidade, como se fantasiar para uma festa de halloween, ou uma festa de carnaval. E PLAY: de play mesmo, cuja tradução livre seria brincar, então a tradução direta e livre do termo COSPLAY seria BRINCAR DE SE VESTIR/ FANTASIAR. Mas espera um pouco, se você perguntar a qualquer cosplayer (pessoa que usa/se veste com um cosplay) se isso é uma fantasia, normalmente todos negam. Afinal de contas, é ou não uma fantasia?
Bom, basicamente é uma fantasia sim, mas a distinção acontece justamente na diferença de qualidade entre as fantasias e capacidade de interpretação do personagem. Explicando: chamamos de fantasia as roupas que são usadas em caráter aleatório, sem muita pretensão de fidelidade ao personagem, muito menos pretensão de gastar muito nisso. Já um cosplay é pensado para ficar o mais fiel possível ao personagem escolhido, sendo utilizado tecidos de boa qualidade, que dê o caimento correto na roupa, confecção ou compra de acessórios, estudo do personagem e características para poder “imitar” ele o melhor possível.Quem faz cosplay é chamado de cosplayer, e pode ser feito basicamente de qualquer personagem que a pessoa se interessar, mas os mais feitos são de personagens de mangás, animes, HQ’s americanas, filmes, livros e até personagens originais, como seu próprio personagem de RPG.
HISTÓRIA

Cosplayer – Melyne; Personagem – Hatsune Miku; Fotografia: Igor Patrício Silva – The izzy fotografias
Em 1939 durante a primeira Worldcon, Forrest J. Ackerman, na companhia de Myrtle R, usaram pela primeira vez uma fantasia durante um evento. Ele criou a veste chamada “futurecostume“, enquanto ela criou uma versão do vestido do filme de 1936 “Things to Come“. Desde então, tornou-se uma prática anual nas Worldcon, com concursos e atrações próprias, e mais tarde estendendo-se aos fãs de fantasia e quadrinhos. (wikipédia).
O fenômeno do cosplay chegou ao Japão na década de 80 por meio de Nobuyuki Takahashi, que ficou surpreso com o costume ao visitar um Wordcon, que começou a incentivar a pratica no Japão pelas revistas de Ficção Científica. Tornou-se comum no Japão durante as Comic Markets do Japão (criadas em 1975), que se celebram em Odaiba (Tóquio), lugares de compra e venda de Dōjinshi. Esse evento prosseguiu desde então e se realiza regularmente. Lá, grupos de japoneses vestiam-se de seus personagens favoritos de mangás, animes, comics e videojogos. Assim pois, tal prática sempre tem sido muito relacionada com aqueles produtos.
Aqui no Brasil, as coisas começaram na década de 1980, mas ainda não era conhecido como cosplay, era apenas uma forma de expressão dos fãs, mas no final da década de 1980, com a saudosa rede Manchete e a popularidade absurda de Cavaleiros do Zodíaco, começaram a surgir as primeiras convenções de anime e mangá aqui.
Cosplay em si pode ser somente a diversão em se caracterizar como um personagem que você ama e admira e até se identifica, mas para muitas pessoas vai bem além disso. Existem várias competições em termos nacionais e mundiais de cosplay com prêmios altíssimos, além de serem avaliados pela fidelidade ao personagem. Também é necessário fazer uma apresentação, que funciona como um teatro em palco, no qual se interpreta o personagem, com direito a cenário, armas, e vários efeitos. As competições mais conhecidas atualmente são a YCC (yamato cosplay cup), WCS (world cosplay summit) cujo Brasil participa desde 2006. O WCS é uma competição em duplas, com representantes de vários países, e orgulhosamente posso dizer que nosso país é atualmente tricampeão mundial (atualmente o país com mais títulos) e todos os três ganhos pelos irmãos Maurício e Mônica Somenzari. Temos aqui muitos cosplayers de nível mundial, seja em apresentações em dupla como individual.
A atual popularidade do hobbie se dá por muitas coisas exclusivas da cultura ‘geek” e que se espalharem para a mídia pop. Podemos dizer que a moda atual é ser “nerd”, com a popularização da séria “The Big Bang Theory”. Mas por mais que esse hobbie seja mais conhecido hoje em dia, não quer dizer que tenhamos o respeito que precisamos. É sempre bom lembrar, que seja lá quem for que estiver fazendo um cosplay, seja lá qual personagem for, ainda é um pessoa que está em baixo daquilo tudo, e como uma pessoa, merece todo o respeito que qualquer um merece.
As vezes as pessoas esquecem que o cosplayer é simplesmente um fã como qualquer outro. Temos fome, sono, cansaço, irritação, além de estarmos andando em um ambiente cheio de gente com itens muitas vezes frágeis que custaram bastante dinheiro, além do tempo de confecção, trabalho de pesquisa, tempo de maquiagem e tudo o mais.
Aqui no ES, os eventos de anime começaram a surgir em 2005, e vossa querida interlocutora aqui começou a frequentar esse mundo em 2007! Para vocês terem uma ideia da trajetória de cosplay daqui do estado, temos isso documentado! você pode conhecer um pouco dessa história clicando AQUI. Aliás, temos várias representantes aqui no estado que participaram de grandes competições de cosplay, sejam eles YCC ou WCS.
SOBRE A POLÊMICA NA COMIC CON EXPERIENCE
Como já citado alguns parágrafos anteriores, de baixo de toda a roupa, armadura, peruca, lente, maquiagem, tem um fã como qualquer outro, que provavelmente gastou muito tempo, paciência e dinheiro para confeccionar um cosplay o mais fiel possível para se divertir interpretando um personagem que gosta. Por ser uma pessoa, passa por qualquer coisa que outro passa e logicamente merece todo o respeito como qualquer outra pessoa. Se você passa na rua e comenta ou xinga alguém por alguma peculiaridade que a pessoa tenha, sinto muito, mas isso faz de você uma pessoa que não sabe respeitar limites pessoais e um belo babaca. Pior ainda é encostar em alguém sem pedir permissão, tirar fotos escondido ou machucar. Aí já é agressão ok?
Pra quem não sabe o que aconteceu na CCXP, a cosplayer Myo Tsubasa (que aliás é originalmente daqui do estado, mas se mudou para SP) estava de Estelar dos Jovens Titans, quando “repórteres” do programa Pânico na Band puxaram-a a força para uma entrevista, o qual a ideia era humilhar os participantes do evento. Ela estava com o corpo pintado de laranja, que é a cor da personagem, e além de falarem que parecia um bronzeamento mal-feito de panicat, o “entrevistador” a LAMBEU, para tentar tirar a tinta.
Já faz alguns anos que existe um movimento nos estados unidos que diz “cosplay is not consent’, cuja tradução é: cosplay não é consentimento. Tal movimento surgiu pelas denúncias, principalmente de mulheres frequentadoras do evento, falando sobre os abusos como cantadas, passadas de mão, comentários indevidos e xingamentos que sofreram.
Atualmente circulam na internet algumas regrinhas de como se comportar em um evento, e acredito eu que todos são extremamente corretos. Eis algumas aqui:
- Cosplay não é consentimento, por mais que você ame e admire o personagem, peça ao cosplayer antes de fazer qualquer coisa, e aceite caso ele diga não.
- Não toque, beije, fotografe ou abrace um cosplayer sem permissão do mesmo.
- Caso a pessoa esteja comendo ou sentada descansando, evite perturbar ou pedir uma foto, provavelmente essa não será a melhor hora.
- Converse com o cosplayer e pergunte sobre o cosplay se estiver curioso, provavelmente te responderão sem problemas e com um sorriso no rosto, mas evite piadinhas, xingamentos, cantadas ou comentários maliciosos.
- Por mais que seja um cosplayer iniciante e talvez não muito bem feito, isso não te dá o direito de o tratar mal e desmerecer seu trabalho.
- Caso vá tirar uma foto com o cosplayer, NÃO coloque sua mão na cintura, muito menos na bunda.
- Não tente puxar algum item sem pedir permissão.
- Não tire fotos escondidas, principalmente de costas ou da bunda de um cosplayer, isso é assédio.
- Seja feliz e vá falar com um cosplayer que você admire, ou um cosplay que você gosta, provavelmente você e o cosplayer terão isso em comum e poderá ser um elo de conversa e quem sabe uma amizade!
Alguns problemas relatados por cosplayers em vídeo (em inglês).
Um texto em inglês sobre este problema pode ser lido AQUI. E um quadrinho também sobre o assunto AQUI.
Obrigado a todos que leram, espero que tenham gostado. Aqui vão uns links de fotógrafos de cosplayers do estado do ES e nacional, e cosplayer capixabas e nacional, além da interlocutora que vos fala!
Página do The izzy Fotografias.











