“Chamado De Cthulhu” – Fazendo Um Review Da Edição Nacional.

Chamado de Cthulhu logo quadrado

Por Gustavo Tenório.

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Capa da edição nacional.

O ano de 2015 se inicia corrigindo uma grande falha na história do RPG nacional. Dos quatros sistemas clássicos – D&D, Gurps, Call of Cthulhu e Vampire, criados nas décadas de 1980 e 1990, apenas Call of Cthulhu não tinha recebido uma versão em português. Apesar do grande apelo dos Mitos de Lovecraft entre o público rpgista, algo impedia que o livro fosse traduzido e pudesse ser apreciado por jogadores que não possuem domínio da língua inglesa. Graças aos esforços de três jovens editores – Pedro Ziviani, Kairam Ahmed Hamdam e Mauro Lúcio Amado, finalmente poderemos folhear uma edição de Chamado de Cthulhu (CdC a partir de agora).

CdC utiliza a sexta edição de Call of Cthulhu como base de sua tradução. Apesar da sétima edição do RPG estar em fase final de publicação por parte da editora estadunidense Chaosium, os editores brasileiros acharam por bem utilizar a versão que conta com a maior quantidade de suplementos, além de encurtar o tempo de tradução em dois anos, demora que aconteceria caso fossem esperar o novo material.

Para os mestres e jogadores mais velhos (alguns que viveram a geração xerox, como eu) só há o que comemorar com a publicação deste material no Brasil. Mesmo com muita gente utilizando seus materiais em inglês, a versão nacional será um excelente chamariz de novos participantes. E o momento não poderia ser melhor. Várias publicações da literatura dos Mitos de Cthulhu surgem no mercado, como as traduções de “O Rei em Amarelo” e coletâneas dos contos de H.P.Lovecraft.

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Comparação entre a 5ª edição importada e a 6ª edição nacional.

Chamado de Cthulhu foi lançado em capa dura, tem 368 páginas e tamanho maior que os livros publicados pela Chaosium. Acredito que a diferença no tamanho e nas páginas se deva a tradução para o português, que acrescenta aproximadamente 20% na quantidade de texto do material original. A diagramação é belíssima, o papel escolhido concede ao livro um aspecto de tomo antigo, o uso de fotografias antigas foi uma boa adição e os desenhos de Walter Pax são de encher os olhos…. Muitas das ilustrações são de qualidade superior as escolhidas para a sexta edição de Call of Cthulhu.

Mesmo com esta grande quantidade de páginas, Chamado de Cthulhu é bem leve e fácil manuseio. Deixei o livro aberto para a leitura e em nenhum momento a costura cedeu, prova do cuidado e da qualidade da produção do material. O tempo extra para a revisão do texto mostrou-se importante e nenhum erro de ortografia foi notado desde que comecei a ver a publicação.

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Quer perder sanidade? Aprenda a fazer magia.

O texto introdutório do RPG é o clássico O Chamado de Cthulhu, apropriado para os novatos que ainda não conhecem o trabalho de H.P. Lovecraft. Os capítulos seguintes trazem o Sistema de Jogo, com explicações de como criar os investigadores e as regras para as campanhas; Referências, com os principais Mitos de Cthulhu, seres sobrenaturais e espaciais e o grimório; Aventuras, com os seguintes desafios para os jogadores – A Assombração, O Limite da Escuridão, O Lunático e A Batida do Defunto; e Utilidades, com o mapa de Arkham, regras opcionais, investigadores prontos e as fichas para novos personagens.

O Chamado de Cthulhu foi publicado após uma campanha de financiamento coletivo, concluída nos últimos dias de dezembro de 2013. A previsão de entrega era abril de 2014 e o livro está sendo finalmente enviado em janeiro de 2015. Neste meio tempo, a primeira leva de aventuras exclusivas foi disponibilizada para os participantes do projeto.

Em email enviado na noite deste domingo (18), os editores da Terra Incognita informaram que a segunda leva de aventuras será publicada até março/abril de 2015. Neste grupo está o texto de Sandy Petersen, criador de Call of Cthulhu.

Chamado de Cthulhu pode ser comprado no site da editora Terra Incognita (www.terraincognita.com.br), pelo valor de R$ 105,00 (com frete incluído) e entrega em fevereiro.

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Parte interna da edição nacional.

A primeira etapa, histórica, foi concluída com sucesso. CdC é obrigatório para quem aprecia um bom RPG e quer ver o mercado nacional expandir. Agora é torcer para que Chamado de Cthulhu não seja o único título da Chaosium traduzido para o português. A qualidade do material nacional e a descontinuidade de novos lançamentos para Rastro de Cthulhu fazem com que os rpgistas mantenham a esperança de que os editores da Terra Incognita publiquem regularmente novos livros para os apreciadores dos Mitos de Cthulhu.

2 pensamentos sobre ““Chamado De Cthulhu” – Fazendo Um Review Da Edição Nacional.

  1. Obrigado pelos elogios. O formato do livro (A4) é o mais usado nas gráficas e tem proporções agradáveis aos olhos. Ainda que um pouco maior que o livro original, a versão brasileira conta com um número maior de páginas a fim de caber toda a beleza insana do jogo.
    Pretendemos continuar publicando sempre material de alta qualidade e melhorar a cada projeto.
    O link para nossa página é: http://www.terraincognitaeditora.com.br

    Grande abraço,

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