Por Gustavo Tenório.
Depois das entrevistas com Kenneth Hite (que você lê AQUI) e com C.J. Carella (que está AQUI), chegou a vez de um destaque no cenário nacional de RPG: Luciano Giehl, a mente por trás do blog “Mundo Tentacular”, referência para mestres e jogadores que procuram inspirações nos contos de H.P.Lovecraft e histórias de horror em geral.
Luciano fala sobre a inspiração em manter um blog ativo com o Mundo Tentacular, projetos futuros e o que gosta de jogar quando não está aterrorizando seus investigadores de Chamado de Cthulhu. O Velhinho do RPG agradece a atenção e a resposta rápida às nossas perguntas!
O Velhinho do RPG – Seu blog é fonte de informação para todos os mestres e jogadores que querem conhecer mais sobre os Mythos de Cthulhu. Qual sua inspiração para escrever?
Luciano Giehl – O Mundo Tentacular começou como uma diversão e continua sendo isso.
Eu realmente não imaginava que ele ia crescer ou durar tanto tempo. Para ser sincero achei que não ia ter assunto em coisa de meio ano. Mas ele continua aí… e continua a aparecer inspiração no dia a dia.
Embora o blog seja dedicado a H.P. Lovecraft e ao Mythos de Cthulhu, boa parte dos artigos, não são necessariamente sobre o tema, embora seja possível correlacionar facilmente o que é abordado com algo lovecraftiano.
OVRPG – O Chamado de Cthulhu é uma realidade e você é um dos que apoiaram a edição nacional com entusiasmo. O que representa pra você a publicação do livro no Brasil?
Luciano Giehl – É algo que todos os fãs de Call of Cthulhu aguardam faz tempo.
Foram muitas idas e vindas, rumores e boatos sobre o lançamento ao longo de anos, mas no fim das contas o livro nunca era lançado. Mas agora a coisa é para valer.
A tradução do Livro Básico pelo pessoal da Terra Incógnita permitirá que muitos jogadores finalmente conheçam esse universo e possam explorá-lo. É uma ambientação muito ampla, com inúmeras possibilidades, acho que tem tudo para se tornar muito popular entre os jogadores e ganhar seguidores fiéis.
OVRPG – Uma das metas extras do financiamento do Chamado de Cthulhu é uma aventura sua. Como você tem visto esta mudança de mestre para escritor?
Luciano Giehl – Na verdade, não é exatamente uma mudança. Eu sempre escrevi os meus cenários para Cthulhu usando como modelo o formato dos módulos de aventuras da Chaosium.
A aventura que estará no Financiamento como recompensa a ser atingida, se passa no Brasil, no ano de 1920. É um cenário em que já eu vinha pensando fazia tempo, mas que não havia ainda começado a desenvolver. A oportunidade de colocar ele como recompensa foi a motivação que faltava para sentar e escrever. E tão logo ela estiver pronta, pretendo mestrar.
OVRPG – Além de Chamado de Cthulhu e Rastro de Cthulhu, você mestra / joga outros sistemas? Quais recomenda?
Luciano Giehl – Olha eu já mestrei e joguei tanta coisa que até perdi a conta. São quase 20 anos de RPG e é um hobby que continua proporcionando muita diversão. Enquanto isso acontecer, vou continuar jogando.
Mas o que jogo/ mestro atualmente: Tenho uma campanha de Chamado de Cthulhu se passando em Londres na Era Victoriana. É uma mini-campanha limitada a seis cenários (e com sete jogadores) compreendendo o período entre 1889 e 1899. É a última década do reinado da Rainha Vitória e o fim de uma Era marcando o início do século XX.
Além dessa, estou narrando uma campanha regular de Um Anel (One Ring) que tem sido bem legal.
Como jogador, estou participando de uma campanha de Cthulhu Invictus (se passando em Roma) e aguardo o início de uma campanha de Dungeons and Dragons 3,5, em Freeport.
Para o ano que vem tenho planos para narrar “Horror on the Orient Express” para Chamado de Cthulhu, tão logo chegue o material que comprei em Financiamento Coletivo. Essa campanha deve substituir a Vitoriana que já está na reta final.
Outros planos envolvem Numenéra (a ambientação fantástica do Monte Cook), Shadows of Esteren (outra ambientação maneiríssima de horror medieval) e os velhos planos de narrar Solomon Kane (para Savage Worlds). Todos esses são altamente recomendáveis.
OVRPG – Como tem visto a expansão do mercado de rpg no Brasil?
Luciano Giehl – Faz alguns anos ouço falar da famigerada Crise no Mercado de RPG e que o hobby não iria se sustentar por não haver renovação. Felizmente ele continua e dá mostra de recuperação. O problema existe, mas ainda há muitos jogadores fiéis e nos últimos tempos tem surgido gente interessada em aprender a jogar.
Temos finalmente uma grande variedade de empresas dispostas a trazer sistemas e lançar jogos no nosso idioma. Não estamos mais limitados a um ou dois jogos e vários outros obscuros de que a maioria apenas ouviu falar. O Financiamento Coletivo tem se mostrado muito importante nesse sentido.
É ótimo dispor de opções e contar com pessoas com visão para trazer ao jogador brasileiro novidades.









